Alejandra Pizarnik não deveria precisar de apresentações. Como sabemos, no entanto, que o estabelecimento de cânones tem sido, por tempo demais, majoritariamente misógino, racista, lgbtfóbico e elitista, contaminando com esses mesmos antivalores as decisões sobre quem merece ser traduzido e frequentar as prateleiras em versões nacionais, cabe aqui uma pequena introdução. Argentina filha de imigrantes russos judeus, Alejandra, que nasceu Flora, publicou em vida mais de 13 livros, entre poesia (em sua grande maioria), contos, relatos, diários, romance e uma peça de teatro. Foi contemporânea (e amiga) de Cortázar e Octavio Paz (que assina o prefácio deste livro), e trabalhou como tradutora do francês (havendo traduzido, entre outros, Marguerite Duras). A escritora cometeu suicídio aos 36 anos, após um período de internação psiquiátrica devido a seu quadro depressivo.
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Árvore de Diana é o quarto livro de poemas de Pizarnik, considerado pela crítica como primeira obra de maturidade estilística e temática. Próximos à convulsão das formas breves, os poemas reunidos neste volume são grandes saltos dentro do existencialismo — rumo, todavia, à agonia silenciosa de um surrealismo hiper-condensado. Não raro, os versos de Pizarnik parecem perguntas nunca completamente articuladas, suspensas como diálogos ouvidos pelo leitor que surpreende a escritora falando consigo mesma (ou com as inúmeras formas de si mesma — menina, pomba, árvore, sombra, deserto, espelho...). Dessa forma, torna-se impossível discernir as inverdades do tempo de suas delicadezas. Citando o tradutor Davis Diniz, estamos diante de uma poesia grandiosa "que ensina a cair". E como se não bastasse, esta é uma edição bilíngue ❤️.
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Para encerrar, apenas um poeminha — que diz tudo o que eu não disse acima:
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37.
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mais além de qualquer zona proibida
há um espelho para nossa triste transparência
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