Agonia da Noite (Vol. #2) - Subterrâneos da Liberdade

    Jorge Amado

    Martins Fontes
    1970
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O acontecimento crucial do livro é a greve dos estivadores do porto de Santos, que se recusam a embarcar uma carga de café destinada à Espanha num navio alemão, como cortesia de Getúlio Vargas a Franco. Em torno desse evento movem-se os mais diversos personagens, como grevistas, banqueiros, poetas, funcionários públicos corruptos e jovens diplomatas, além de policiais, políticos, jornalistas e militantes comunistas. A ação não se restringe ao palco das docas santistas, deslocando-se às fábricas de São Paulo, aos cassinos do Rio de Janeiro, às selvas do Mato Grosso e aos campos de combate da Espanha - onde se decide o destino da democracia. Escrevendo no início dos anos 1950, durante o segundo governo do presidente Getúlio Vargas (1951-4), Jorge Amado tece com maestria essa teia de personagens e situações, com a verve inflamada de quem se opôs frontalmente à ditadura do Estado Novo, mas também com seu humor e lirismo irresistíveis.

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    Rafaela Coutinho05/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    AGORA O BICHO VAI PEGAR

    Jorge Amado nunca escondeu suas ideologias políticas, e é possível notar, mesmo nas obras de sua fase modernista, a crítica ferrenha as desigualdades sociais, principalmente ao que tange os trabalhadores sem terra. Os subterrâneos da Liberdade, trilogia que se inicia com Os Ásperos Tempos, segue em Agonia da Noite e se finaliza em A Luz do Túnel, vai contar a história do Brasil na Ditadura de Getúlio Vargas, em especial, durante o Estado Novo, que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. São obras completas, que mostram vários núcleos e POV's; desde a burguesia paulista até a luta do Partido Comunista do Brasil, muito perseguido por Vargas. É um livro extremamente político e partidário, e SIM meus amigos, Jorge Amado era um dos intelectuais que compunham o PCB, ao lado de Graciliano Ramos e o arquiteto Óscar Niemeyer (inclusive, tem um personagem que foi inspirado nele nos livros). Mas o fato de não ser um livro "neutro", não o torna MENTIROSO, apenas um pouquinho tendencioso. De qualquer forma, compramos muito a imagem de Getúlio "pai dos pobres", criador da CLT e do Ministério do Trabalho, mas em um dia o Presidente jantava com líderes sindicais, no outro entregava nossas riquezas aos americanos e no outro, saudava Hitler, Franco e Mussolini... Uma verdadeira contradição, para dizer o mínimo. Um dos pontos que aplaudi de pé, foi Amado ter trazidos personagens femininas extremamente importantes para o enredo; Manuela e Mariana. Manuela, uma moça simples de família humilde mas que em uma determinada fase de sua vida, se envolveu com a elite paulista e teve seu coração partido pelo irmão e homem que amou, já Mariana, sempre viveu em meio a luta operária e com a morte do pai, assumiu seu lugar no PCB se tornando peça chave para os planos e decisões do partido. Duas mulheres incríveis e que em meio a dor da perda, o destino as uniu, as tornando grandes amigas! Uma visão interessante, do outro lado da história, que foi brutalmente reprimida e que teve que se esconder, nos Subterrâneos da Liberdade.

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