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    Discurso Sobre as Ciências e as Artes -

    Jean-Jacques Rousseau

    Edipro
    2018
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788552100294
    Português Brasileiro
    3.6
    72 avaliações
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    Favoritos0Desejados89Avaliaram72

    Discurso sobre as ciências e as artes foi inicialmente apresentado em um concurso da Academia de Dijon, em 1750. A premiação no evento fez com que a obra se tornasse o primeiro livro publicado de Rousseau, até então um pensador desconhecido, tornando-o célebre em todo o mundo. Em seu discurso, Rousseau responde à questão: "O restabelecimento das ciências e das artes terá contribuído para aprimorar os costumes?". Como vemos nestas páginas, o filósofo surpreende ao negar a ciência e a arte como elevadas conquistas da humanidade. Ao contrário, Rousseau defende que elas contribuem para a degeneração moral das civilizações. É um conceito moral que será sintetizado anos depois em sua metáfora do homem bom por natureza, mas corrompido pela sociedade. Por esse motivo, Discurso sobre as ciências e as artes tornou Rousseau famoso e é um dos mais interessantes registros do pensamento de um dos grandes filósofos do Iluminismo.

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    João Pedro Ghidini picture
    João Pedro Ghidini24/01/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As ciências e as artes corrompem os costumes?

    "Povos, sabei, pois, uma vez, que a natureza nos quis preservar da ciência assim como a mãe que arrebata uma arma perigosa das mãos do seu filho; que todos os segredos que ela vos esconde são tantos males dos quais vos preserva, e que a dificuldade que encontrais para vos instruirdes não é o menor dos benefícios. Os homens são perversos; seriam ainda piores, se tivessem tido a desgraça de nascer sábios." Com um discurso recheado de possíveis citações, Rousseau convida a sociedade do meio do século XVIII, no berço da modernidade e do iluminismo, a refletir sobre como a ciência e as artes levariam à corrupção dos costumes, afastando a população do caminho virtuoso. Não só por ser um discurso, mas pela própria posição do autor, não há a pretensão de criar um sistema filosófico que defenda essa posição, mas trazer diversos exemplos históricos curtos (a maioria, de difícil compreensão para nós) de como a ciência e a arte estavam associadas à ostentação, depravação, fraqueza, empobrecimento da alma e ausência/afastamento da religiosidade. Ao final, o autor parece sugerir uma posição menos radical do que as acusações que vão surgindo ao longo do discurso parecem sugerir, defendendo um relacionamento mais harmônico entre a virtude, a ciência, a filosofia e a arte, de forma que elas encontrem a sua face "verdadeira", quase com uma posição socrática. Apesar do discurso ter vários pontos controversos - pode-se pensar se são realmente virtudes aquelas elencadas -, ele é bem interessante, pela articulação e por sua pretensão. ------------------------------------------------------------------------ Me deparei com esse discurso durante um curso sobre a modernidade. Abaixo deixo algumas citações que achei interessante: "Se as nossas ciências são vãs nos objetivos que se propõem, são ainda mais perigosas pelos efeitos que produzem." "E que se tornará a virtude, quando se precisar enriquecer a qualquer preço? Os antigos políticos falavam, sem cessar, de costumes e de virtude: os nossos só falam de comércio e de dinheiro." "Que fará ele, senhores? Rebaixará seu gênio ao nível do seu século e preferirá compor obras comuns, que se admirem durante a sua vida, a maravilhas que seriam admiradas muito tempo depois de sua morte." "Se é necessário permitir que alguns homens se entreguem ao estudo das ciências e das artes, que sejam exclusivamente os que se sentem com forças para caminhar sós sobre as suas pegadas e ultrapassá-las; é a esse pequeno número que cabe levantar monumentos à glória do espírito humano"

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    Jean-Jacques Rousseau

    Escritor, filósofo, músico e teórico político, Rousseau foi uma das personalidades mais marcantes do Iluminismo, movimento intelectual do século XVIII, ainda que suas idéias divergissem muito dos outros iluministas, como Voltaire.<br/> Entre suas obras mais famosas estão O Contrato Social (no qual Rousseau descreve uma sociedade ideal e os meios de alcançá-la) e Emílio, um tratado sobre Educação considerado clássico. Ambos os livros foram proibidos na França, queimados em praça pública e seu autor condenado, tendo desde então que fugir até o fim de sua vida.

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    Jean-Jacques Rousseau