A friagem -

    Augusta Faro

    Ateliê Editorial
    1999
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 8585851953
    Português Brasileiro

    (Conforme Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja) A Friagem é livro de mulher sobre ser mulher. As personagens centrais dos treze contos são mulheres. Uma, de desejo sexual não satisfeito, acaba corroída por formigas. Outra comprou um lindo vaso chinês, de porcelana, "alvo e casto", com um magnífico dragão estampado, em relevo, no meio da peça. O vaso começa a virar pesadelo quando a dona imagina - ou será verdade? - que à noite o dragão sai da estampa e anda pela casa, come os coelhinhos do quintal, ameaça-a com seu bafo de fogo, e assim num crescendo até subjugá-la pelo terror de sua "voz potente e autoritária". O livro é também Goiás, ou o que se imagina o mais puro Goiás. É a cidade de Goiás velho que se adivinha, embora nunca citada, como cenário das histórias - um lugar de personagens primordiais, como o padre e a parteira, lavores domésticos, ruas estreitas, sobrados seculares, tempo lento, crenças que datam do começo do mundo e solidões invencíveis.

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    Márcia Regina Schwertner28/12/2009Resenhou um livro
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    "A friagem", de Augusta Faro É um livro escrito por uma mulher, classificaria assim, ainda que eu não tenha paciência para debates sobre literatura “masculina” e “feminina”. As histórias atravessam o corpo feminino expondo uma massa pegajosa de formas, curvas, umidade, sangue, dor, alimento, desejo e sexo. O grotesco e o terno, o real e o fantástico, o anseio e o tédio, o choque dos extremos em um mundo inicialmente marcado pela aridez do quotidiano. O livro tem altos e baixos, achei alguns contos meio lugar-comum demais, a velha fórmula do desejo sexual reprimido transformando-se em algo inusitado, acho que já cansei um pouco, deve ser a idade interferindo na leitura. Em compensação, outros, que pareciam lugar-comum, envolvem e encantam de uma maneira tão doce. Gostei de “A friagem”, “A gaivota” e “As sereias” e muito de “As gêmeas”, uma história que, para mim, não apresentando quase nada, é pura ternura. Parecem simples, e são simples, são contos de fada, como tecido macio acarinhando a pele, aquelas roupas que temos no armário e gostamos de usar em momentos muito pessoais, porque nos recordam o que somos e que o que somos é especial e é nosso, não importa como seja visto pelo resto do mundo.

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