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    O Cavaleiro Negro - Arlindo Veiga dos Santos e a Frente Negra Brasileira

    Teresa Malatian

    Alameda
    2015
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788579393310
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Na década de 1920, uma geração de negros surgida após a abolição vivenciava forte questionamento sobre sua inserção social. Um dos nomes mais significativos desse processo foi Arlindo Veiga dos Santos (1902-1978), nascido quatorze anos após a Lei de Treze de Maio, que como outros jovens do período havia conseguido certa escolarização, e até mesmo estudos universitários, num contexto de debates nacionalistas. Esses jovens reuniam-se em grupos que frequentavam redes de sociabilidades na capital do Estado de São Paulo, nas quais correntes políticas diversas disputavam espaço entre os militantes da chamada segunda abolição , luta integracionista e defensora de uma nova identidade que superasse o preconceito e a discriminação. A educação formal, a capacidade oratória, talentos literários e artísticos possibilitaram o protagonismo em jornais, discursos, homenagens a personalidades simbólicas em túmulos. As relações com o Catolicismo no âmbito da atuação de Arlindo Veiga dos Santos junto à Frente Negra Brasileira, da qual foi fundador e presidente entre 1931 e 1934, constituem o cerne desta pesquisa. Por meio de abordagem biográfica, a análise dos periódicos Progresso, Clarim d’Alvorada e A Voz da Raça permitiu verificar que a atuação de Veiga dos Santos à frente dessa associação e seu posicionamento no contexto da polarização ideológica que pautou a vida da entidade no período.

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    Davi Boechat06/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O combate ao racismo acima das ideologias

    Falar da condição do negro no Brasil tornou-se sinônimo de defender uma visão de mundo à esquerda. Será que essa perspectiva está certa? Uma boa forma de encontrar a resposta é considerar a história dos movimentos de combate ao racismo no Brasil. Fundada na década de 1930, a Frente Negra Brasileira (FNB) é reconhecida como uma das mais importantes organizações em defesa da igualdade racial no Brasil, apesar da vida curta. Décadas desde a abolição tinham se passado, mas as ideias de supremacia racial rondavam o país. O negro que saiu do cativeiro permaneceu socialmente imóvel, relegado à miséria. As condições eram ruins não só como consequência da escravidão, mas também pela propagação de perspectivas eugenistas que infiltravam o estado brasileiro e influenciavam as políticas públicas. Arlindo da Veiga dos Santos (1902-1978), fundador da FNB, sabia disso. Veiga dos Santos venceu na vida através da educação. Filho de um cozinheiro que trabalhava em um internato católico, ele teve, apesar da pobreza, acesso à escolas de qualidade que fizeram diferença. Traduziu clássicos da filosofia e chegou a ser professor de nas PUCs de São Paulo e Campinas. A capacidade intelectual diferenciada de Veiga dos Santos contribuiu para o movimento negro paulista. Através do jornal "A Voz da Raça", seus textos denunciavam os problemas da comunidade negra e defendiam a necessidade de associação. Os apelos resultaram em iniciativas nobres sustentadas pelos próprios negros da ascendente classe média paulistana. Na sede da FNB funcionava uma escola noturna para alfabetização, eram realizados encontros culturais, discutia-se política em alto nível, promovia-se o financiamento da casa própria e tantas outras outras atividades. Sobre a política, vem um ponto interessante: Veiga dos Santos era muito simpático ao integralismo, um movimento de extrema-direita. Católico conservador, lamentava a perda de poder da igreja de Roma no Brasil após a Proclamação da República e era um defensor ferrenho do retorno à monarquia. Veiga dos Santos defendia também a necessidade de organização familiar, ética de trabalho e retidão moral, entendendo que sem essas atitudes não haveria avanço real para os negros brasileiros. Era necessário andar retamente. A FNB tinha membros de outros posicionamentos políticos, inclusive à esquerda, mas isso não diminui o fato de que o fundador da instituição era um cara com nítidas preferências conservadoras. Ou seja, o combate ao racismo nem sempre foi visto como um posicionamento de direita. Quase 100 anos depois da FNB, ainda se tenta negar ou justificar o problema racial brasileiro. Levando em conta o legado de Veiga dos Santos, pessoas à direita, geralmente refratárias ao combate do racismo, deveriam rever seu posicionamento à luz de tamanho exemplo. No Brasil, a pauta racial não deveria ser refém nem vilã de partidos, mas um compromisso humano e, sobretudo, cristão. Veiga dos Santos entendeu isso há muito tempo. E você?

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    Teresa Maria Malatian profile picture

    Teresa Maria Malatian

    Professor titular em Historiografia da FCHS/UNESP. Graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas , mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo .. Realizou estágio de pós-doutorado na Oliveira Lima Library, da Catholic University of America (Washington, DC, USA). Livre docente em Historiografia. Professor titular da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atuação na área de História, com ênfase em História do Brasil República, atuando principalmente nos seguintes temas: historiografia, história política, política, história social e relações exteriores.Membro do grupo acadêmico Transfopress.

    7 Livros
    1 Seguidor

    Teresa Maria Malatian