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    A Lua e as Fogueiras (Mil Folhas #24) -

    Cesare Pavese

    Público Comunicação Social, SA
    2002
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-10: 8481305588
    Português
    4.3
    2 avaliações
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    Obra conscientemente final, publicada em 1950, poucos meses antes de Cesare Pavese atentar contra a própria vida num albergue de Turim, "A Lua e as Fogueiras" foi considerada pelo seu autor como uma "modesta Divina Comédia"; e, não obstante, também, o coroar da sua carreira de escritor: "A Lua e as Fogueiras - escrevia Pavese numa carta - é o livro que trazia cá dentro há mais tempo e que mais prazer me deu escrever. Tanto, que creio que por uns tempos, talvez para sempre, não farei nenhum outro". Obra prima de um dos escritores do século XX mais justamente amados e mais injustamente descurados, o romance narra um regresso, numa perspectiva que funde a revisitação das estruturas míticas com a riqueza metafórica do símbolo psíquico: Enguia, protagonista e narrador na primeira pessoa, regressa à sua região Langhe, logo depois da guerra, após uma longa permanência na América; e é no seu país natal que empreende uma espécie de peregrinação em busca das suas raízes, tendo por companheiro e guia - o Virgílio da "modesta Divina Comédia" - o amigo de infância Nuto, carpinteiro e tocador de clarim, mas sobretudo uma alma íntegra e pura. No Piemonte do pós-guerra, Enguia vai de horror em horror, de desilusão em tragédia, constatando, mau grado seu, que as razões da história sobrepuseram à cultura local, a civilidade rural que a substancia, as raízes antropológicas que já só se poderão guardar com saudade. Entre as constantes mas controladas tentações de transfiguração lírica da realidade, se apresenta assim, em plena evidência, um dos mais elevados testemunhos da inquietação intelectual e da dolorosa ética cultural que a literatura do pós-guerra produziu: um testemunho que inaugura inapelavelmente o voo cego da segunda metade do século XX.

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    Cesare Pavese

    Cesare Pavese (1908–1950) nasceu na fazenda de férias de sua família no país fora de Turim, no norte da Itália. Ele se formou na Universidade de Turim, onde escreveu uma tese sobre Walt Whitman, iniciando um compromisso contínuo com a literatura em inglês que levaria a suas influentes traduções de Moby-Dick, um retrato do artista quando jovem, três anos. Vidas e Moll Flanders, entre outras obras. Exilado brevemente pelo regime fascista na Calábria em 1935, Pavese voltou a Turim para trabalhar na nova editora de Giulio Einaudi, onde acabou se tornando diretor editorial. Em 1936, ele publicou um livro de poemas, Lavorare stanca (Hard Labor), e depois passou a escrever romances e contos. Pavese ganhou o Prêmio Strega de ficção, o prêmio mais prestigioso da Itália, por A lua e as fogueiras em 1950. Mais tarde no mesmo ano, após um breve caso com uma atriz americana, ele se suicidou. As publicações póstumas de Pavese incluem seus diários célebres, ensaios sobre a literatura americana e uma segunda coleção de poemas, intitulada Ver a morte e avrà i tuoi occhi (a morte virá e terá seus olhos).

    27 Livros
    14 Seguidores
    Piemonte/Cuneo, Itália

    Cesare Pavese