Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra. Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas. Mitologia nórdica é o livro perfeito para quem quer descobrir mais sobre a mitologia escandinava e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias.
Mitologia Nórdica -
Neil Gaiman
Resenha de Mitologia Nórdica
Com uma vasta fama por sua imaginação, Neil Gaiman é considerado um dos melhores escritores da atualidade, tendo inclusive obras já consagradas, como, por exemplo, American Gods e God Omens. Em Mitologia Nórdica, no entanto, ultimo livro do autor até então, lançado em 2017, não temos uma história advinda de sua criatividade, mas sim de todo um desenvolvimento cultural de alguns mitos europeus, mais especificamente, aqueles relacionados aos heróis bárbaros. Ou seja, o famoso criador das histórias de Sandman se propõe a compartilhar com seus leitores uma curiosa vastidão de lendas as quais, segundo ele, fizeram parte de sua infância. Nesse contexto, com 274 páginas 15 histórias muito bem escolhidas sobre os épicos deuses os quais tem como principais, Odin, o pai de todos, Thor, o mais poderoso e Loki, filho de um gigante e irmão por juramento de Odin, o livro desenvolve-se de forma quase cronológica. Desde a criação do mundo, o surgimento do martelo de Thor ou como foi feita a primeira rede por Loki, caminhamos com o narrador sobre os maravilhosos cenários escandinavos até chegar ao tão famoso Ragnarok, o apocalipse bárbaro. Os protagonistas, tem uma função fundamental para o bom estabelecimento e apego ao livro. Isso se deve aos formidáveis diálogos desenvolvidos entre as personalidades intrigantes desses seres tão poderosos e eternos, como quando Odin utiliza-se de sua inteligência para enganar gigantes e roubar o hidro mel da poesia ou mesmo as conversas entre o ardiloso deus da trapaça e o tolo Thor. Na obra, a todo o momento ficamos entretidos pelas fantásticas situações e atitudes muitas vezes (na grande maioria delas) extremas e impulsivas dos deuses. Aqui, Loki ganha um imenso destaque, como bem dito por Neil Gaiman durante a narrativa, o trapaceiro é continuamente uma faísca para praticamente todos os problemas e livramentos dos deuses. Nesse sentido, ele acaba tomando a cena de toda a obra por meio de seu carisma excêntrico e anti-heroico como uma espécie de motor de tramas. A narrativa, por sua vez, é amena e direta, o autor deixa implicitamente claro desde o inicio que sua intenção não é criar uma complexidade de fatores e nomes, mas sim desempenhar um papel de simples expositor. Dessa forma, a obra toma o tom de um belo compilado de contos de fim de noite, repletos de magia, bom humor e ação. Esse atributo dá ao livro uma fluidez singular, capaz de fazer até mesmo os leitores menos afincos terminarem a obra em questão de dias ou horas. Infelizmente, como consequência dessa escolha na maneira de desenvolvimento textual, surge o pior e talvez único problema da obra, a falta de profundidade. Mesmo o prefácio deixando claro não se tratar de uma "bíblia nórdica", esperamos um pouco mais de detalhamento e contextualização sobre as múltiplas personalidades e acontecimentos e isso não acontece, tendo algumas vezes até mesmo uma explanação vaga. Como resultado, percebe-se um livro o qual traz um belo convite para adentrar ao magnifico mundo de mitos escandinavos, mas que falha ao deixar de prover uma maior imersão ao leitor. Mitologia Nórdica é empolgante, convidativo e curioso, sem dúvidas, uma obra perfeita para uma leitura rápida e descontraída com sua diversão garantida, mas talvez não para os em busca de uma maior contextualização, deixando assim, uma amarga sensação de "precisava de mais". Para mais resenhas, acesse: aprendilendo.com.br
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