No livro do filósofo Pierre Boudieu, “A dominação Masculina”, de 1998, o discurso de dominação imposto por uma tribo Africana, é a base especulativa para que o autor faça uma analise social e antropológica da posição dos gêneros nas sociedades. Ele discute as origens do papel social delegado a mulher e ao homem, e cria relações entre a cultura dos “Cabila” e a cultura ocidental, discutindo as semelhanças nas relações de dominância masculina, corporificadas no ordem do cosmos. Boudieu expressa através deste estudo, que a posição social da mulher em vários aspectos das sociedades estudadas, é de submissão total, e que estas posições se reproduzem o tempo todo até que no século XX, com os movimentos feministas, houveram as primeiras discussões que trouxeram mudanças. A entrada da mulher no mercado de trabalho e no sistema educacional, antes somente permitido ao homem, são fatores decisivos. Mas a época do texto, a expressividade destas mudanças é pontual, ou estavam se processado. Assim, ele diz sobre as condições entre feminilidade e poder assumidas pelas mulheres:
“Ser ‘feminina’ é essencialmente evitar todas as propriedades e práticas que podem funcionar como sinais de virilidade; e dizer de uma mulher de poder que ela é ‘muito feminina’ não é mais que um modo particularmente sutil de negar-lhe qualquer direito a este atributo caracteristicamente masculino que é o poder.”
Para Bourdieu, estas posições estão bem definidas, e fazem compreender na complexa trama de convenções sociais, que a posição feminina, de objeto inferiorizado, mesmo fora do ambiente cultural dos Cabila, segue um padrão muito parecido de submissão e domínio, onde o homem define-se e é definido como o padrão dominante.
O interessante é notar no texto de Bourdieu, seu caráter “instrutivo”, que ele mesmo reafirma na sua conclusão. Assim, cedendo ante à necessidade de justificar seus interesses na discussão da “dominação simbólica”, argumentando que o resultado de sua pesquisa seria “capaz de orientar de outro modo não só a pesquisa sobre a condição feminina, ou, de maneira mais relacional, sobre as relações entre os gêneros,”, Bourdieu expõe a opinião de que o que se escrevera até então, quase que exclusivamente por mulheres no trabalho da critica feminista, carecia de orientação. Uma orientação masculina, percebe-se na fala dele.