Nós, os do Makulusu -

    José Luandino Vieira

    Biblioteca editores Independentes
    2008
    159 páginas
    5h 18m
    ISBN-13: 9789727952595
    Português

    Escrito em 1967 no campo de concentração do Tarrafal (crismado de "Campo de Trabalho de Chão Bom") em apenas uma semana — "de um só jacto", para usar as palavras do próprio autor —, Nós, os do Makulusu continua a ser a obra de José Luandino Vieira mais complexa no seu processo de construção de uma linguagem literária com base na linguagem popular de Luanda e das interferências entre as línguas portuguesa e quimbunda. A isso não será certamente alheio o facto de, a par do fluxo do passado — uma constante em todos os seus livros —, o futuro ser também chamado à narrativa, obviamente sob forma prospectiva. Uma narrativa cujo sujeito, interrogando-se até à última linha, é afinal o espelho de uma geração frente à necessidade histórica de uma guerra de libertação — individual e colectiva — e a que coube questionar o passado e partir à invenção do futuro. Terminando por uma interrogação face a esse futuro, o romance mantém-se, hoje, mais actual que no momento da escrita. A resposta à pergunta final continua em aberto.

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    Rafael Barufaldi18/08/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Entendo muita coisa, mas não sei se isso

    Entendo a importância de Luandino Vieira para a luta pela independência pelo MPLA e também sua importância na construção da literatura angolana. Entendo algumas imagens bonitas e falas reflexivas que surgem no meio do texto como algo que não estávamos esperando. Entendo a intenção ao fazer uma narrativa fragmentada e desconexa que represente o trauma causado pela guerra anticolonialista. Entendo a inspiração do autor em Guimarães Rosa - que ele leu durante sua prisão no Tarrafal - traduzida em uma sintaxe prolixa e na tentativa de reprodução da fala popular. Mas não consigo entender como essa narrativa pode ser considerada boa. Passa do limite do propositadamente-confuso para atingir o patamar de incompreensível. Não que não possamos compreender as palavras, mas a todo parágrafo o leitor se perguntar o que está acontecendo e onde ele está é exaustivo e pouco produtivo. Eu me pergunto se essa narrativa seria considerada boa (ou se seria algum dia publicada) se as pessoas não soubessem que ela foi escrita por Luandino Vieira.

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