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    A Descoberta do Outro -

    Gustavo Corção

    Agir
    1944
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    131 avaliações
    Leram199Lendo37Querem511Relendo1Abandonos6Resenhas20
    Favoritos6Desejados511Avaliaram131

    Numa primeira abordagem, o primeiro livro de Gustavo Corção aparece como uma espécie de autobiografia espiritual. O autor descreve os passos de sua conversão, ou se preferirem, de sua volta ao catolicismo. Porém, uma leitura mais atenta nos mostra que este livro se situa num plano mais profundo e sério. Depois de descrever diversas situações que marcaram seu itinerário em direção à fé, Corção analisa, com uma inteligência aguda e particular, os meandros da alma na busca da verdade. Mostra ao leitor o quanto vivemos mergulhados em vícios intelectuais que nos impedem de sermos verdadeiros e objetivos; o quanto somos apegados às nossas próprias opiniões, e o quanto isto nos cega diante da grande realidade que é a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu amor por nós. O autor procura nos ajudar a harmonizar nossa vida racional para que estejamos aptos a alcançar de Deus a harmonia sobrenatural, divina. De certa forma este livro estará presente em toda a obra literária de Gustavo Corção. Ele é uma espécie de marco inicial, mas já carregado de genialidade literária e de grande sabedoria espiritual. «Quando este escritor veio à tona, – escreve Josué Montelo em artigo de 1987 – não precisou aprender o seu ofício diante do público. Já trazia um estilo, um cabedal de idéias, uma visão do mundo que de pronto ajustou à singularidade de sua prosa muito pessoal. Não se parecia com ninguém. Era ele mesmo, sem deixar de ajustar-se à índole e à tradição da língua portuguesa».

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    Resenhas (20)Ver mais
    Josiane Duarte picture
    Josiane Duarte16/08/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Como disse Nelson Rodrigues sobre Gustavo Corção: “Tudo em Corção é amor...”. A Descoberta do Outro, foi minha primeira experiência lendo Corção; foi o primeiro livro publicado de Corção, e conta a história de sua conversão ao Catolicismo; de uma forma única, de uma riqueza vocabular e sintática incrível. Um livro profundo que requer atenção e uma capacidade de fazer conexões (como todo bom livro); não é um livro de poesia, mas é de uma poesia espetacular. Não tem como pensar em Gustavo Corção e não pensar em Nelson Rodrigues, ele fala bastante de Corção em suas crônicas; em G. K. Chesterton, que foi uma grande influência para conversão de Corção; em C. S. Lewis, que foi influenciado por Chesterton, também em sua conversão do ateísmo ao teísmo, até o cristianismo; e em outros grandes autores que de alguma forma estão interligados e é incrível perceber como seus escritos permanecem atuais. (Trecho) "É bom ver um rosto amigo; já não estamos sós. O antigo susto que desde a infância nos persegue, medo de escuro e de solidão, se desfaz quando encontramos um amigo. [...] Bendita seja nossa pobreza, e benditos os ombros que encontramos para nos servir de muleta!" Chesterton disse: “São as gerações passadas, não as futuras, que vêm bater à nossa porta. [...] Dentre as muitas coisas que me fazem ter dúvidas quanto ao hábito moderno de fixar os olhos no futuro, nenhuma é mais forte do que esta: todos os homens da história que fizeram algo pelo futuro tinham os olhos fixos no passado.” Encontre o Outro e sirva! O Outro não está muito longe não, está ai do seu lado! Um livro realmente profundo, vai até o cerne de nossas almas.

    18 curtidas

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    4.5 / 131
    • 5 estrelas58%
    • 4 estrelas27%
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    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Gustavo Corção Braga profile picture

    Gustavo Corção Braga

    Gustavo Corção Braga formou-se engenheiro, em 1920, pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, especializando-se depois em eletrônica. Convertido ao catolicismo em 1936, voltou-se para a filosofia tomista, passando a estudar teologia com os monges beneditinos e tornando-se oblato. Teve importante atuação no Centro Dom Vital (RJ), fundado por Jackson de Figueiredo. Jornalista polêmico e anticomunista, engajou-se na ala conservadora do pensamento católico e, a partir de 1946, escreveu para diversos jornais: Tribuna da Imprensa, Diário de Notícias e O Estado de S. Paulo. Em sua obra, destacam-se "A Descoberta do Outro" (1944), um impressionante relato de sua conversão ao catolicismo, "Três Alqueires e uma Vaca" (1946), ensaio no qual explica, de maneira pormenorizada, a forte influência de G. K. Chesterton em sua formação, e "Lições de Abismo" (1950), seu único romance, uma das obras-primas da literatura brasileira, premiado pela Unesco e traduzido para inúmeras línguas. O autor Ariano Suassuna assim testemunhou acerca de seu amigo, em 11/11/1971, para o número de novembro de 1971 da Revista Permanência, que homenageou os 75 anos de vida de Corção: "Ele era um homem boníssimo, talvez impulsivo e arrebatado nos seus impulsos, mas de uma bondade que transparece, à primeira aproximação, nos seus olhos pequenos, azuis, vivos, risonhos inteligentes e que – por mais estranho que isso possa parecer a quem não o conhece ou não gosta dele, de longe – são olhos de menino. Ele não tem nada de intratável: apenas é um homem de princípios, corajoso e inflexível quando sustenta os princípios que julga certos."

    29 Livros
    59 Seguidores
    RJ, Brasil

    Gustavo Corção Braga