Resenha por Brena Gentil
Título: A Lenda do Mastim Demônio| Autor: Diego Guerra | Editora: Draco | Gênero: fantasia sombria | Páginas: 72 | Ano: 2019 | Nota: 4,5 / 5,0
Para o irmão Belic o primeiro ano do reinado de Arteen II não foi apenas marcado pelo fim da guerra que libertou os escravos, nem pelo frio, fome ou a onda de homens desesperados usando de violência para sobreviver. Quando se lembra daquele inverno que varreu a aldeia, tudo o que lhe vem à mente é o choro desesperado de uma criança que havia acabado de vencer a morte. Belic nunca se esqueceu daquele dia, nem daquela criança e sua jornada brutal. Todos os anos, quando o festival das máscaras chega a sua aldeia, Belic se prepara para contar a história de Mastim, o garoto cão, o bastardo de Krul, o mercenário sanguinário que um dia seria conhecido como Jhomm, mas que antes disso era mais animal do que homem. Essa é a única história que as pessoas se importam em ouvir, trágica e cruel, como só a verdade pode ser.
A lenda do Mastim Demônio é uma noveleta no universo sombrio da série Chamas do Império, uma fantasia para quem tem estômago para lidar com a magia do desconhecido e o que há de pior nas intrigas e políticas humanas.
Enquanto em O Teatro da Ira, a primeira obra do Diego Guerra no cenário das Chamas do Império, os dhäeni ainda sofrem as consequências da escravidão, A Lenda do Mastim Demônio situa-se num período anterior – após o fim da guerra e a declaração de liberdade tão sonhada pelos dhäen, mas eles precisam lidar com as consequências.
Em A Lenda do Mastim Demônio, as implicações da guerra estão a todo vapor, restaram um mundo pobre e pessoas desesperadas; no entanto, suas atitudes são vigiadas pelos Deuses. Todos os anos há um festival em que os olhos dos Deuses são cobertos: é quando as pessoas mostram suas verdadeiras faces. É durante o festival que conhecemos os fatos mais desoladores e violentos sobre a história de Mastim; e numa região sob a ordem dos irmãos justos, não há justiça para aqueles que desviam do caminho dos Deuses e cometem atrocidades.
Narrada em primeira pessoa, A Lenda do Mastim Demônio é um prequel de O Teatro da Ira e pode ser lida por quem não conhece esta última obra citada. Belic, um monge condenado que tenta se retratar por seus pecados – pelo menos para si mesmo, conta-nos a história de Mastim, uma criança que nasceu na pior das circunstâncias e foi dada para ser criada pelo Mestre dos Cães do monastério.
A obra aborda a história de uma criança que foi criada entre animais, assim como Mogli, Tarzan, etc. No entanto, suspeito que a Disney não aceitaria fazer um filme sobe Jhomm Krulgar. Novamente, Diego não deixa um fio de esperança escapar, e somos apresentados a maldade intrínseca ao ser humano. Dessa vez, a maldade não se desenvolve, ela está lá desde sempre.
O autor tem uma escrita bem segura nesta novela: início, meio e fim bem delimitados. A narração feita por Belic, e não em terceira pessoa, permite que saibamos apenas o que é relevante para a compreensão de quem é Mastim, como ele se tornou Jhomm Krulgar, e o porquê de ele ser tão selvagem.
Onde começa e termina a responsabilidade dos humanos na criação de um selvagem que virou uma lenda?
A existência do Mastim Demônio é uma punição divina?
Ou são os humanos responsáveis pelo que Jhomm Krulgar se transformou?
Quem leu O Teatro da Ira vai conhecer a origem da parceria entre Khirk e Krulgar, do pesar e das alucinações sobre Liliah, das razões para a selvageria de Mastim. Quem não o leu vai ter, em A Lenda do Mastim Demônio, o gancho perfeito para em seguida se entreter no mundo sombrio e repleto de personagens cinzas criado por Diego Guerra.
É um livro curto, para ler de uma vez só. Você pode encontrá-lo na Amazon, na loja da Draco, ou até mesmo pegar seu exemplar direto com o autor.
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