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    Os livros da Selva

    Rudyard Kipling

    Editora Companhia das Letras
    2015
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788543804651
    Português Brasileiro
    5
    2 avaliações
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    A obra-prima de Rudyard Kipling, imortalizada na figura do menino Mowgli, agora em sua versão integral, com adaptação para os cinemas prevista para abril de 2016. Personagem imortal da literatura, o menino Mowgli foi achado na selva e criado por uma loba. Para viver na floresta, ele precisava aprender mais do que caminhar sem fazer ruído ou enxergar no escuro. Sua forma humana, que de início parecia uma desvantagem, ajudou a transformá-lo em um caso único. Mowgli somou a sabedoria dos lobos e a inteligência dos homens para viver uma infância repleta de aventuras e descobrimentos. Muitos especialistas consideram Os livros da selva uma contraposição do universo infantil à vida adulta do trabalho. Ao longo de diversos contos, a sofisticação narrativa de Kipling e de seus personagens é capaz de emocionar leitores de todas as idades.

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    R .04/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A edição é primorosa, reunindo "O Livro da Selva" e "O segundo Livro da Selva" em único volume, de maneira pormenorizada sobre o autor, contexto da publicação no século 19 e versão integral dos contos com notas enriquecedoras à leitura. Exatamente o que buscava, a obra em sua essência, em trabalho editorial com interessantes facetas. Ficaria melhor se valorizasse ilustrações, principalmente as publicadas por Kipling. Seria muito legal e essa ausência foi o aspecto que não curti. Sobre os livros, só agora descobri que os contos foram publicados de maneira seriada em revista inglesa, tendo o pai de Kipling como um dos ilustradores. Outro aspecto é que, além das histórias sobre Mowgli, alguns contos tem protagonismo de animais não correlacionados às aventuras na jângal. Sobre o contexto de publicação é comum entre os leitores a percepção da obra em paralelos com o colonialismo britânico na Índia. Os textos introdutórios trazem interessantes divagações. Uma das mais significativas é a alegoria da jângal à identidade indiana, enquanto que o povo aldeão desperta a visão do imperialismo em opressão. Algo curioso, que se encaixa nas discussões instigadas... Sobre o autor, entre os inúmeros informes, o que chamou minha atenção é que sua vida reproduz inspirações a outra romancista que abordou o contexto colonial britânico na Índia (Frances H. Burnett). Informação não presente no livro, mas instigou-me o paralelo. Esta tem três obras famosas sobre crianças, relacionadas à colonização citada, onde foram afastadas dos pais muito cedo, em desencontros com histórias melancólicas. Achava exagero da autora, como se fosse fórmula repetida oportunista, mas a biografia de Kipling reproduziu um pouco disso, sendo criança nascida na Índia com regresso para a Inglaterra rendendo também histórias impactantes. Recentemente li obra sobre o colonialismo e, ao que parece, essa foi faceta relativamente comum. Os contos que ainda não tinha lido foram: "Kotick, a foca branca" - uma diferenciada foca no Alasca, pela pelagem incomum e objetivos que saem da tradição, parte em busca de lugar onde ela e seus semelhantes estariam livres de perigos (como a caça pelos homens e orcas), encontrando-o, mas a receptividade ao novo é temerosa e a foca assume medidas radicais para fazer-se ouvir. "Rikki-Tikki-Tavi" - sobre mangusto adotado por uma família, tornando-se guardião ao dar cabo de serpentes que intentavam matar a todos. Kipling pareceu querer ilustrar história de amizade entre homens e animais selvagens, como existe em Mowgli, além do perigo iminente das serpentes indianas. "Toomai dos elefantes" - imaginava visceralidade parecida a "O último espetáculo da Vadete" (conto de Patricia Highsmith em "O livro das feras", sobre elefanta numa explosiva e melancólica luta pela liberdade), afinal, o conto de Kipling adentra o cenário de caça e exploração dos elefantes na Índia. É história de um menino de família de caçadores que na amizade com elefanta consegue testemunhar evento lendário na selva, uma tal dança dos elefantes. Além de revelar cultura sui generis, acredito também em proposta parecida a do conto anterior, sobre amizade entre menino e animal, como existe em Mowgli. "Servos da rainha" - conto sobre o imperialismo, ambientado no Paquistão, em que animais são protagonistas e, tal qual os homens, subjugados por governo opressor. Tem desfecho irônico em arrogância imperialista. Fiquei com uma dúvida: afinal, Kipling era defensor do imperialismo na Índia? Por esse conto a resposta é positiva. O conto tem mensagem horrível, como se justificasse o colonialismo. Não gostei e não encontrei ainda textos em criticidade com essa percepção ao autor... Tenho entendido os contos como metáfora à opressão e agora, lendo esse que fecha o primeiro livro, fiquei com sensação de dominância que se julga necessária... Revendo os contos... A foca impondo pela força o que julga ideal... A jângal indiana idealizando cenário selvagem em que o homem teve que se impor... O musaranho selvagem sendo domesticado e colocando-se como serviçal... A exaltação da cultura de caçadores de elefantes, de dominâncias e exploração... E o conto final, com homens e animais como servos da rainha... Fiquei agora com dúvidas sobre o subjetivismo inspirador... Vou ler os contos restantes do segundo livro em outras edições que encontrei, circulantes entre escoteiros, que quero valorizar em registros no Skoob. Leitura em Macapá, nos dias de pandemia, invocado com a crescente falta de cuidados do povo... É a doidice do carnaval que vem chegando e, mesmo tendo recomendações, já vai deixando os simpatizantes ouriçados para se jogar no lamaçal da desgraça...

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    Rudyard Kipling

    Foi um dos escritores mais populares da Inglaterra, em prosa e poema, no final do século XIX e início do XX. O autor Henry James referiu: "Kipling me impressiona pessoalmente como o mais completo homem de gênio (o que difere de inteligência refinada) que eu jamais conheci." Foi laureado com o Nobel de Literatura de 1907, tornando-se o primeiro autor de língua inglesa a receber esse prêmio e, até hoje, o mais jovem a recebê-lo. Entre outras distinções, foi sondado em diversas ocasiões para receber a Láurea de Poeta Britânico e um título de Cavalheiro, as quais rejeitou. Ainda assim, Kipling tornou-se conhecido (nas palavras de George Orwell) como um "profeta do imperialismo britânico". Muitos viam preconceito e militarismo em suas obras, e a controvérsia sobre esses temas em sua obra perdurou por muito tempo ainda no século XX. De acordo com o crítico Douglas Kerr: "Ele ainda é um autor que pode inspirar discordâncias apaixonadas e seu lugar na história da literatura e da cultura ainda está longe de ser definido. Mas à medida que a era dos impérios europeus retrocede, ele é reconhecido como um intérprete incomparável, ainda que controverso, de como o império era vivido. Isso, e um reconhecimento crescente de seus extraordinários talentos narrativos, faz dele uma força a ser respeitada". Seu poema "If" (Se) é símbolo dos Cadetes da Academia da Força Aérea.

    77 Livros
    68 Seguidores
    Maharashtra, Índia

    Rudyard Kipling