A Cidade de Deus - Vol. 1 - Contra os pagãos

    Agostinho, bispo de Hipona

    Fundação Calouste Gulbenkian
    2006
    815 páginas
    1d 3h 10m
    ISBN-10: 9723105438
    Português Brasileiro

    SANTO AGOSTINHO (354-430) nasceu em Tágaste, pequena cidade do norte de África, filho de mãe cristã (Santa Mônica) e de pai não cristão (Patrício). Fez a sua educação literária em Milão embora também Roma e Cártago hajam sido testemunhas de algumas dissipações da sua juventude. O pensamento platônico fascinou o seu espírito sensível e não foi indiferente para a evolução intelectual do futuro bispo de Hipona. Precursor do Humanismo do Renascimento, Santo Agostinho consubstancia já na sua obra o propósito de conciliação entre a ética greco-latina e a mensagem evangélica. A preconização que recomenda de um conhecimento não superficial do hebraico, do grego e do latim para um entendimento profundo dos textos sacros anuncia o projeto cultural que o Renascimento humanístico havia de propor cerca de dez séculos depois. O De civitate Dei e as Confessiones são as suas obras mais conhecidas, mas escreveu ainda outras não menos importantes, sobretudo no domínio da hermenêutica novitestamentária. A leitura das Confissões esta na origem da conversão de grandes figuras da história cultural antiga e moderna, a maior das quais foi certamente Francesco Petrarca (1303-1373). A sua obra exerceu uma profunda influência na cultura portuguesa, designadamente em autores como Gil Vicente, Sá de Miranda, Frei Heitor Pinto e Antonio Vieira. A sua estupenda modernidade toma-a tão atual que bem podemos considerar Santo Agostinho como um nosso contemporâneo.

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    Rafael Passos Santos20/08/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ERUDITO

    O autor, Santo Agostinho, dedica essa obra a seu caríssimo filho, Marcelino (p.39), que, com trabalho imenso e árduo tenta estabelecer uma apologética viva da fé cristã. Num período em que os cristãos eram tidos como culpados por todos os fracassos do Império Romano, Agostinho se propõe a demonstrar a mentira dos falsos deuses, das vãs filosofias da cultura helênica. Na Parte I, que compreende os 10 primeiros capítulos de toda obra, o autor dedica os 5 primeiros capítulos combatendo os que se apegam aos bens dessa vida. Nos últimos 5, ataca os que se dedicam aos falsos cultos. Com erudição sem igual (que grande erudito) Agostinho arremata dizendo que a Cidade de Deus é a igreja do Deus vivo que, como "Pedras Vivas", crescem no santuário do Deus vivo, como Ele prometeu viver no meio de seu povo. A sagacidade, o desmascarar as armadilhas do Império greco-romano e centralidade das Escrituras adornada com inúmeras citações e grande quantidade de fatos históricos, tornam a obra densa. Por esse motivo, indico a você que fala "amei a leitura"; "melhor livro da vida" ou baboseiras inúteis afins a nem tocar em tal obra. É capaz que, em virtude da sua limitação em avaliar grandes obras, você venha a ficar enfadado com tamanha robustez.

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