Romã -

    Júlia de Carvalho Hansen

    Chão da Feira
    2019
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-13: 9788566421200
    Português Brasileiro

    Romã é o quarto livro de poemas de Júlia de Carvalho Hansen, publicado pelas Edições Chão da Feira. Seus poemas tratam do desejo, do amor, da libido, lidam com indagações sobre os relacionamentos humanos e as experiências literárias ligadas à alteridade entre as pessoas e as suas diversas velocidades emocionais.

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    michl.16/08/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tea for two — e quem mais vier

    Tirando a dedicatória [em si um lindo poema] + um texto, confesso que não teve nenhum que me deixasse eufórica em relação a estrutura; um que eu gostasse como a forma de um todo, ao invés de apenas uns 3 ou 4 versos isolados — mas é aí que, pra mim, o livro ganha em peso, justamente. os poemas como um todo podem não ter sido memoráveis, mas muitas imagens, construções, versos em punhados são. "a beleza é minha emancipação". disso eu vou lembrar — "esquecer eu não posso — posso dizer / que irei me lembrar". na matéria, romã é amor, desejo, tesão. e é maduro. é rio já em curso. o que não torna perdas não menos sentidas — embora deva sugerir que esse, sim, me pareça um livro alegre, um livro mais alegre do que o suposto alegre "A teus pés", nas palavras de Ana C. tem seus momentos de caçoação (?) e ironia, mas também sentimento, ainda mais pelo que rebrilha, do que se destaca no caminho. gostei de ter sido um livro com o qual eu conversei um tanto, inclusive dialogando pela escrita de outros poemas. ler para escrever — as minhas leituras mais produtivas são assim. se eu disse na resenha de seiva, veneno ou fruto que o mérito dele era a proposta de nadar contra a corrente do eu e da imediatez cotidiana, romã é seu antípoda. é eu, é amor, é cotidiano [ainda trabalhado pela linguagem, claro], é urbano [sem esquecer o vegetal e o além]. talvez por isso mesmo tenha um maior apelo de público, como ouvi da própria julia num curso um tempo atrás. para todo efeito, é mesmo forçoso [veja bem: menos forçoso e não mais fácil] para o leitor criar uma aderência a esses poemas e às situações que ele narra/versa. com muito eco de estilo em Ana C. [mãe de nós, contemporâneas], é um livro que, como os de Ana C., te convida à escrever na leitura. a escrever o livro dos seus amores: ou arte de amar. e isso, pra mim, vale um bocado.

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