Zweig escreveu uma obra-prima da tensão psicológica em formato de novela. A bordo de um navio que cruza o Atlântico, um campeão mundial de xadrez arrogante e vazio encontra um homem enigmático, o Dr. B., que possui um talento sobrenatural para o jogo, mas carrega uma loucura profunda.
Através de flashbacks, descobrimos que o Dr. B. foi preso pela Gestapo e mantido em isolamento total. Para não enlouquecer completamente, ele roubou um livro de xadrez e passou meses jogando contra si mesmo, até o limite da sanidade. O xadrez se torna a metáfora perfeita para a resistência mental contra o totalitarismo: um jogo de pura razão que, levado ao extremo, destrói a mente.
Zweig condensa em poucas páginas o horror do nazismo, a tortura psicológica, a genialidade e a loucura com uma economia e elegância raras. Não há excesso. O confronto final entre os dois jogadores é de uma intensidade sufocante.