Sem título - uma performance contra Sérgio Moro

    Ricardo Lísias

    Oficina Raquel
    2018
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788595000292
    Português Brasileiro

    Em um longo ensaio, Ricardo Lísias analisa o desenvolvimento da Operação Lava Jato, discutindo sobretudo as liminares concedidas pelo desembargador Rogerio Favreto a partir da arte contemporânea. Lísias também analisa diversos acontecimentos recentes da sociedade brasileira, procurando não apenas compreender suas razões, mas também contextualizá-los, propondo formas de combater o retrocesso a que estamos assistindo, tanto na política quanto na arte. Ricardo Lísias (São Paulo, 7 de julho de 1975) é um escritor brasileiro[1]. Estreou na literatura em 1999, com o romance Cobertor de estrelas, que escreveu enquanto ainda cursava Letras na Unicamp[2]. Foi finalista do Prêmio Jabuti de 2008 com Anna O. e outras novelas (que incluía uma reedição dos textos Capuz e Dos nervos, publicados anteriormente em tiragem reduzida) e do Prêmio São Paulo de Literatura em 2010 com O livro dos mandarins. Seu conto Tólia foi selecionado para a edição da revista inglesa Granta Os melhores jovens escritores brasileiros.

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    erased27/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Arte contra o embuste

    Antes da resenha um momento de "vergonha pela pessoa", um tal Gui resenhou o livro acusando o autor de politiqueiro contra um dos homens mais íntegros do país. Ora, carecemos de homens íntegros. Fazer política é algo bom e importante. Esse a quem o tal Gui defende como íntegro entrou na política pela porta dos fundos do chiqueiro, usando ataques sem fundamento levou à prisão um ex-presidente saltando leis e contrariando a verdade. Esse juizeco nada íntegro foi desmascarado numa atitude corajosa do desembargador Rogério Favreto, do TRT da quarta região. A religião criada pelo juizeco foi vencida pela arte. É isso o que propõe o ensaio. O tal juizeco agora pretende ser uma terceira via a concorrer pela presidência da república, visando fugir de crimes cometidos juntamente com procuradores que pensam estar acima de todos e amparados pela mídia (entidade criadora da besta de Curitiba, herói dos sem noção que se ajoelham diante de qualquer ídolo, mesmo corruptores que dizem combater a corrupção - exclusivamente de seus opositores políticos). Lisias propõe um diálogo com a arte, sim o documento do desembargador Rogério Favreto se tornou uma performance contra o juizeco e sua operação errada até no nome. "Além de causar uma enorme surpresa, [Favreto] suscitou estranhamento, abalou um terreno antes bastante seguro e produziu consequências notáveis (...) "M. contrariou quatro vezes instâncias superiores" (Folha de S. Paulo, sem destaque na capa, mas com manchete eloquente)", pág. 6 "A arte contemporânea volta-se para as construções cuja solidez é uma quimera. Estamos assistindo de camarote ao Estado de direito se dissolver no ar. " Pág. 9 "A obra de Favreto é uma criação fadada à singularidade: ela existiu durante um certo período de tempo e desde o início estava condenada a desaparecer...essa é uma das principais características da parte notável da arte contemporânea." Pág. 10 " A performance Sem título começou na manhã de um domingo. No limite, ela desapareceria no dia seguinte, às 11 horas quando acabaria o plantão de Favreto e o habeas corpus então seria reencaminhado para a estrutura de praxe, que alinharia tudo outra vez ao desejo do Juiz." Pág. 11 "...a obra foi ainda mais bem sucedida do que o artista previa de inicio [Favreto] abalou toda a rede de proteção que tornou praticamente indiscutíveis as redes de decisões do Juiz." Pág. 13 Outros livros comparam a ação do tal Juiz, ou juizeco a um ativismo judicial. O ativismo aqui é usado no bom sentido, no da arte do referido desembargador, nas atitudes de outros performers como Bo Bardi e sua arquitetura democrática, o grupo Pussy Riot desafiando Putin na copa do mundo da Rússia, o dramaturgo Zé Celso ante a caretice de um deputado capitão do mato e a sanha capitalista selvagem de um apresentador de auditório dono de emissora. O juizeco, ao contrário promove o embuste, a seita populista controlada por quem pensa estar acima da lei. P.S. O tal Gui que fez a resenha e usa foto editada de um jovem ator espanhol (Manu Rios) reclamou que este livro não tinha sinopse. Não havia nenhum demérito nisso, afinal ensaios são pouco lidos, infelizmente, mas agradeço por ter lembrado, acabei de colocar a sinopse.

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