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    Clara dos Anjos (Grandes mestres da literatura brasileira) -

    Lima Barreto

    Lafonte
    2019
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788581863306
    Português Brasileiro
    4
    122 avaliações
    Leram165Lendo16Querem78Relendo1Abandonos7Resenhas29
    Favoritos7Desejados78Avaliaram122

    Tema atualíssimo, Clara do Anjos é uma denúncia das mais contundentes do preconceito social e racial vigente na sociedade brasileira. Ambientado no Rio de Janeiro, este romance, concluído em 1922, é uma das muitas investidas de Lima Barreto sobre o tema da discriminação, em que ele também expõe, por meio de sua protagonista, uma jovem suburbana pobre e negra, e sua dramática história, as nefastas consequências da formação repressora, superprotetora e machista dada às mulheres.

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    Jaqueline Bastos picture
    Jaqueline Bastos11/02/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro necessário!

    Clara dos Anjos • Lima Barreto • Editora LaFonte ▪︎158 páginas Embora concluído em 1922 este romance é extremamente atual e aborda dois temas urgentes, preconceito racial e social. Através da experiência de sua protagonista mulher, vítima de um mau-caráter o autor enfatizou os males do machismo e destacou principalmente o quanto a sociedade brasileira é machista e costuma oferecer as meninas uma formação bastante repressora. Evidenciando os conflitos suburbanos da sociedade carioca do início do século XX, Lima conseguiu com suas personagens e toda ambientação do livro ilustrar muito do que existe ainda hoje, preconceito, manipulação, assédio e muito descaso diante das mulheres enganadas. 📖Filha do carteiro Joaquim dos Anjos, Clara dos Anjos se apaixonou por Cassi Jones, um sujeito que embora nem fosse bonito tinha a fama de galanteador (mau-caráter, assediador). Clara é uma moça negra de família humilde criada de forma superprotetora, enquanto Cassi é um rapaz branco conhecido por ser um modinheiro que assedia moças jovens e até mulheres casadas. Para mãe de Cassi (a preconceituosa Dona Salustiana) seria inaceitável uma relação séria entre ambos, fosse pela raça ou posição social da moça. Mas nada impedi que Cassi ainda sim insista em Clara, afim de possuí-la e depois seguir para próxima vítima. 💬 Logo no início da leitura percebi que a Dona Salustiana era muito machista não aceitando nem mesmo as repreensões do marido Manuel Azevedo para com o filho Cassi. Pois para ela mesmo desaprovando a relação do filho com moças negras e/ou moças brancas de pouco poder aquisitivo, ela não se importava com o quanto estas eram vítimas de seu filho, se importava apenas com o fato de que ele não assumisse um relacionamento sério com nenhuma delas para manter as aparências da família. Salustiana chega inclusive a dizer que seria melhor ver o filho preso do que comprometido com uma moça negra e/ou pobre. Em determinado ponto ainda no início da narrativa o autor enfatiza o mau-caráter de Cassi com as seguintes frases "A mórbida ternura da mãe por ele, a que não eram estranhas suas vaidades pessoais, junto à indiferença desdenhosa do pai, com o tempo, fizeram de Cassi o tipo mais completo de vagabundo doméstico que se possa imaginar. É um tipo bem brasileiro." Geralmente quando nós brasileiros(as) usamos o termo "bem brasileiro" é com bastante ironia que nos referimos em maioria das vezes a algo negativo, a algum ato/atitude não ideal. Quando Lima escreve "É um tipo bem brasileiro" me parece que ele diz "É um tipo que infelizmente existem aos montes em nossa sociedade". O Brasil é um país machista, repleto de Cassis enganando mocinhas e até mesmo meninas. São também muitas as donas Salustianas que permitem que o filhos (por serem do sexo masculino) cresçam sem nenhuma força moral que os comprimam. Já Clara que fora de certa forma paparicada pelos pais, cresceu em um círculo limitado e por isso acreditava piamente nas modinhas românticas. Como uma adolescente reclusa, Clara foi se deixando levar pelos devaneios e exageros das canções, crendo que o amor poderia superar tudo inclusive o preconceito racial. Foi então acreditando nas juras de amor e promessas de casamento do modinheiro, sem temer o difícil destino que a aguardava. 💬 Eis aqui um livro muito necessário! Que embora com uma premissa aparentemente simples, consegue denunciar os preconceitos, a realidade suburbana, o machismo e ainda assim surpreender o leitor(a) com boas passagens poéticas e um enredo que garante até assassinato. Leiam #claradosanjos #limabarreto

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    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas34%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
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    Afonso Henriques de Lima Barreto

    Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1922), melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileiros. Era filho de João Henriques de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). O seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico "A Semana Ilustrada". A sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1ª a 4ª série. Ela morreu cedo e João Henriques trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal. João Henriques era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância tenham vindo a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Afonso Henriques de Lima Barreto