O homem que foi quinta-feira -

    G. K. Chesterton

    Germinal
    2004
    230 páginas
    7h 40m
    ISBN-10: 8586439266
    Português Brasileiro

    Um suspense hilário: assim poderíamos definir essa instigante obra. Chesterton mescla, com incrível inspiração e maestria, o mundo surreal dos sonhos com as desconfianças que comumente habitam nossas reflexões. Da fusão desses dois fatores, nasce uma história cômica, conspiratória e misteriosa. A obra se origina de um diálogo entre dois poetas com visões completamente diferentes acerca da natureza do verso. Enquanto um presa pela ordem no mundo e afirma que a arte é fruto dela, o outro credita a qualidade do poema ao maior grau de anarquia que possa atingir. A partir desse antagonismo, acontecimentos inusitados e diálogos nos levam a mergulhar na alma humana e em questões complexas da sociedade, sempre de forma bem humorada. Utilizar como alegoria os dias da semana, tendo em conta a passagem bíblica da criação do mundo, para caracterizar os principais personagens desse romance, revelam uma elogiável perspicácia do autor e uma incrível sabedoria na arte de escrever. A presença sutil da religião na obra se evidencia na idéia, bastante perceptível no texto de Chesterton e que há muito preenche a mente do homem: a existência de um ser supremo e amendrontador que controla o destino de todos. Em meio a esse labirinto de referências , idéias e imaginação, faz-se imprescindível dizer que os personagens desse inesquecível romance são, sem dúvida alguma, ímpares. Até porque, nota-se em cada qual, um grau de esquizofrenia em comum responsável por uni-los em torno de uma idéia eu tanto pode ser disparatada, como não, depende da "loucura" do leitor. Contudo, o romance, mais do que nunca, vale a pena ser lido. Além de todos os atrativos, apenas em partes aqui revelados, é bom citar o final, também parcialmente, no intuito de deixar o leitor ávido por saber o eu conta Chesterton. Enfim, do fim, podemos dizer que tudo se esclarece

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    Georgeton Leal16/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Do policial ao surreal

    Diferente de tudo que eu imaginava, "O Homem que foi Quinta-feira" me foi uma grata surpresa. A dinâmica narrativa se ajustaria muito bem a um roteiro cinematográfico sem quaisquer ressalvas adicionais. Tudo se passa de maneira tão instigante que imergimos sem precedentes na história, onde temos o resoluto protagonista Gabriel Syme dando um equilíbrio mais do que necessário ao enredo em momentos onde o suspense se alterna até mesmo com o cômico. O ar onírico da reta final da aventura me deixou um tanto perplexo e confesso que alguns pontos permaneceram um mistério para mim, mas como o próprio subtítulo do livro diz ("Um Pesadelo") levei em consideração que nem sempre as coisas precisam fazer total sentido quando se está sonhando. Dessa forma, atribuir a esse livro analogias voltadas a parábolas ou simbolismos afins não invalidam em nada a construção do romance. De igual modo, a roupagem de gênero policial não destoa do desfecho, ainda que o mesmo seja divergente para muitos leitores.

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