Mama Mia! No tempo dessa história, ainda havia bondes no rio de janeiro- lindos, barulhentos, atravessando o Hotel Avenida em plena Rio Branca; os relógios ainda tinham ponteiros e as pessoas chiques de verdade(é, inclusive usava a expressão "chique") moravam na Tijuca, indo de raro em raro visitaros parentes pobres num lugar distante chamado Ipanema, um areal sem tamanho. Havia automóveis movidos a gasogênio e havia quintais nas casas cariocas, com galinhas etudo; havia uma revista chamada "A Cigarra" e haviam porteiros de cinemas que barravam pra valer os meninos pequenos que queriam ver filmes estrelados por atores que hoje vivem apenas no celulóide e na memória de quem não esquece. Havia, sobretudo, uma guerra que ninguém conseguiria entender( há alguém que entenda qualquer guerra?!) e um ditador ( isso mesmo, um DITADOR) cuja memória, até hoje, continua escondida por tado a forma de eufemismo. Para uns ele é "o Pai da Pátria", para outros o hério do trabalhismo. Um trabalhismo - covém lembrar - copiado por ele da legislação fascista da Itália de Mussollinni. Mas há quem esqueça. E há nesta história, alguns personagens fascinantes e inesquecíveis, como Pierino, o filho de imigrantes, confuso e perdido entre duas culturas, ou a Mamma, envolta naquele mistério especial que vem, em parte, do que (ainda em outro tempo!) se chamava Generacion Gap e, em parte, de um amor filial mais do que filial. Ah, e mais os vagos sentomentos de culpa... Mas, antes de tudo, há am MAMMA MIA! o encanto e a saudade, a ventura e o suspense, ingredientes fundamentais de uma boa hitória. Esse ingredientes, obiviamente, não saem assim do nada, embora deêm a impressão de ser tão naturais, tão espontâneos. E é aí que está o passe de mágica, achave de tudo: um escritor que conhece o seu ofício. O que escreveu essa história é dos melhores. Se cham Ary Quintella - mas claro! isso vocês já sabem, já leram na capa. Quanto ao resto... Vâo descrobrir lendo o resto. CORA RÓNAI

