O que pode haver em comum entre o filósofo alemão Karl Marx e o escritor Émily Zola, representante mais expressivo da escola naturalista francesa, fora o fato de pertencerem ao emblemático século XIX? Apesar de uma geração separando os autores, Marx nasceu em 1818 e Zola em 1840, os dois presenciaram o II império francês, quando reinava Luís Napoleão, e transmitiram aos seus escritos impressões sobre a sociedade e as relações de poder do período.
È justamente este olhar da prosa ensaística de Marx e da prosa literária de Zola, o ponto de encontro para um detalhado estudo da literatura realista, promovido pela professora da USP Salete de Almeida Cara, autora de Marx, Zola e a Prosa Realista, publicação do Ateliê Editorial.
A obra é um ensaio acadêmico sobre o realismo no século XIX a partir das obras desses dois autores. Para fazer seu estudo, Salete se debruçou sobre um ciclo de 20 romances de Zola, os “Rougon-Macquart”, todos ambientados na corte de Luís Napoleão, e sobre três ensaios de Marx envolvendo o II reinado, as lutas de classe e a guerra civil francesa.
Especulação financeira, crises econômicas, corrupção e exclusão dos mais pobres são temas tanto da literatura de Zola quanto das reflexões de Marx.
Para compreender a obra dos dois e a sua inserção no contexto social do século XIX, a professora dialoga com críticos como Antônio Cândido, Roberto Schwarz, Georg Lucaks, Walter Benjamim, Theodor Adorno e Peter Brooks.
Boa leitura para pesquisadores ou curiosos dos estudos de literatura comparada.