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    A Parte Maldita -

    Georges Bataille

    Imago
    1975
    218 páginas
    7h 16m
    ISBN-1: 0
    4.3
    34 avaliações
    Leram65Lendo11Querem142Relendo1Abandonos1Resenhas4
    Favoritos0Desejados142Avaliaram34

    Em A Parte Maldita Bataille buscou a elaboração de um pensamento sobre economia partindo da antropologia de Mauss, bastante distinta do liberalismo e do marxismo dominantes em sua época. É o único livro onde ele teria tentado construir sua visão de mundo: filosofia da natureza, filosofia do homem, filosofia da economia, filosofia da história (Jean Piel). Influenciado pela leitura de O Ensaio Sobre o Don, A Noção de Despesa, que precede e origina o livro, sustenta que o consumir, e não o produzir, que o despender e não o conservar, que o destruir em vez de construir, constituem as motivações primeiras da sociedade humana. Reinvertendo o princípio axiomático da primazia da produção sobre o consumo, Bataille traz para a interpretação da economia as análises que privilegiam as formas de circulação e que não se traduzem em medidas de valor. Ao sistematizar sua teoria geral da circulação da energia sobre a terra, sempre numa espiral ascedente que dá o caráter de nossa sociedade, Bataille revela a influência da idéia de dádiva, onde ele nos mostra que existe outros princípios de troca fundadores da sociedade, onde impera a qualidade, como o sacrifício ritual, e que nos vinculam ao que está além do humano. Rejeitando as teorias de Keynes, bem como o marxismo de juventude, Bataille construiu seu pensamento insistindo na hipótese de uma abundância inevitável e inaceitável no mundo, cuja acumulação conduz a morte.

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    Felipe Martins27/11/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A figura de Georges Bataille é uma figura desconcertante por vários aspectos. O primeiro deles, e o mais brutal, é a sua inteligência e sensibilidade polivalentes. O homem encarnou a figura mítica de um Leonardo da Vinci do século XX e acredito que "A Parte Maldita" seja a prova incontestável da sua força plural para tocar em absolutamente todos os assuntos. O ideal de um escritor plenamente realizado, pois o que é o escritor além dessa figura assombrosa que tem a ousadia de ser, além de escritor, todos os outros elementos da vida? O nível de ambição empregado em "A Parte..." é algo sem precedentes. Sabemos que Bataille é o maior teórico do Erótico e das relações entre a literatura e a vida que a França viu surgir em seu berço, porém aqui, neste livro nada menos que original e arrebatador, Bataille se debruça sobre um tema estranho à figura de alguém conhecido principalmente por elucubrações sobre literatura e arte: temos um livro de teoria econômica que se propõe a - nada mais e nada menos!- erguer uma teoria sobre o mundo, desde épocas longínquas na História da Humanidade até o século passado. Assim entramos em contato com a posição central do livro: "O sol dá sem nunca receber". Bataille demonstra que a principal atividade humana é consumir (destruir) e não produzir (construir) e que esse consumo, diferentemente da ordem capitalista empregada no termo, é um consumo que visa a destruir sem um fim que a própria destruição, o próprio consumo dessa força excedente que existe no mundo. Bataille nos brinda com uma exposição exuberante dos costumes sacrificiais dos Astecas, da economia singular dos índios norte-americanos, dos paradoxos levantados pela religião Islâmica e pela solução encontrada pelo Tibet para o consumo de sua energia excedente. E no final temos um maravilhoso esboço histórico da situação mundial na época: a tensão constante entre a U.R.S.S. e os EUA e a divisão implacável do mundo entre comunistas e capitalistas. Bataille consome absolutamente tudo: Astrofísica, Biologia, Filosofia, Antropologia, História, Literatura, Artes, Economia etc. O que podemos sentir diante de tamanha força? Bataille é o sol: dá tudo isso sem receber nada em troca além do nosso olhar esbugalhado diante de uma assombrosa capacidade de intervenção e teoria, de análise do mundo e de compreensão da vida. Acredito que os intelectuais e escritores deveriam tê-lo como ideal a se alcançar... Ou como uma figura para assombrar nossas pretensões por vezes tão isoladas de adquirir conhecimento. Um brinde à não-especialização, uma salva de palmas ao Bataille.

    5 curtidas

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    Georges Albert Maurice Victor Bataille

    Georges Bataille nasceu em Billom, França, em 1897. Convertido ao catolicismo, frequentou o seminário em Reims, abandonado, em 1917, pela École Nationale des Chartres. À leitura dos místicos seguiu-se a descoberta de Nietzsche, cujo dionisismo estimulou uma ruptura com a moralidade e a racionalidade burguesas, aproximando seu pensamento da dimensão libertária das experiências limítrofes, como o mal e o erotismo, essenciais em sua ficção (vejam-se as novelas <i>O ânus solar</i>, 1928, <i>Madame Edwarda</i>, 1941, <i>O azul do céu</i>, 1957). Sua obra se enquadra tanto no domínio da Literatura como no campo da Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da Arte.

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    Georges Albert Maurice Victor Bataille