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Morte e Vida Severina

E outros poemas em voz alta

João Cabral de Melo Neto
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Pé de Cedro 23/10/2014

Palavras Lapidadas - João Cabral de Melo Neto
Já disse em outras oportunidades que a poesia não é meu estilo literário preferido. No entanto, me interessei por Morte e vida Severina, desde a leitura de A Estória do Severino e A História da Severina (Ciampa, A.C.) durante a faculdade de Psicologia. Além da interessante tese sobre a construção da identidade de dois personagens (um ficcional e outro real) em seu viver e possibilidades, fiquei impactado pelo uso de João Cabral fazia da palavra Severina, como adjetivo.

E se somos Severinos
Iguais em tudo na vida,
Morremos de morte igual,
Mesma morte Severina
Que é a morte que se morre
De velhice antes dos trinta,
De emboscada antes dos vinte,
De fome um pouco por dia (...)

Quando tive a oportunidade de ler o poema inteiro, não hesitei. A recompensa foi incrível. Havia outros de igual qualidade, fazendo par com Morte e vida Severina, em especial Auto do Frade, e O Rio, com seu tocante início, que compara o curso da vida do retirante ao de um rio. Nasce na serra, e corre para o mar:

(...)Eu não sei o que os rios
Têm de homem do mar;
Sei que se sente o mesmo
E exigente chamar.
Eu já nasci descendo
A serra que se diz do Jacarará
Entre caraibeiras
De que só sei por ouvir contar
(pois, também como gente,
Não consigo me lembrar
Dessas primeiras léguas
De meu caminhar).

Uma coletânea de poemas ótimos. Páginas e páginas de frases colocadas cuidadosamente, para serem relidas, saboreadas, ecoadas. A alma do brasileiro traduzida em uma bonita essência, captada pela mente aguda do poeta. Qualquer tentativa de seleção é injusta:

(...)É de bom tamanho
Nem largo nem fundo,
É a parte que te cabe
Deste latifúndio.

Vou dizer as todas as coisas
Que desde já posso ver
Na vida desse menino (.,,)
Cedo aprenderá a caçar:
Primeiro, com as galinhas,
Que é catando pelo chão
Tudo oq eu cheira a comida;
Depois, aprenderá com
outras espécies de bichos:
com os porcos nos monturos,
com os cachorros no lixo.

A forca não vive em monólogos;
Dialética, prefere o diálogo.
Se um dos dois personagens falta
Não pode fazer seu trabalho.
O peso do morto é o motor,
Porém o carrasco é o operário.

Tal qualidade preciosa me deixou triste após concluir a leitura. Mario Sérgio Cortella falava da miojização do mundo, da despamonhalização da vida (é... procure no google). Fiquei pensando em nossa mediocridade, de arte-pela-grana, de pouco tempo para digerir qualquer coisa, fast-food cultural. O que nos livra de tropeçar nas tentativas de simplificar nossa língua, ao invés de ensiná-la corretamente? Como fugir dos com migo, concerteza" e menas? O caminho das letras é delicioso, mas pouco conhecido de nosso povo cheio de maniqueísmos e ideias rasas.

Quem paga para um escritor lapidar as emoções em palavras, até que se chegue ao nível de nossos mestres? Acho que não há mais condições para que alguém escreva algo desta qualidade, que possa dedicar uma vida ao estudo e ao entalhe das letras. Há pouco estímulo à excelência estética entre a busca do pão e uma consulta à tela do celular. Não é de entristecer?
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Mary Dourado 02/05/2014

Incrível, Surpreendente, Perfeito...
Não posso negar que tenho um carinho especial por livros que narram a vida e os sentimentos do povo brasileiro. Vidas Secas do Graciliano Ramos, que rasga os véus da ignorância em relação à triste realidade do nordestino, e morte e Vida Severina e outros poemas, que é outra obra perfeita na retratação da vida de retirantes que fogem da seca nordestina.

Eu já tive a experiência de analisar o poema Morte e Vida Severina no último ano do Ensino Médio e me comprometi a ler o poema na integra e também outros poemas do autor. Não pensei que seriam tão bons quanto Morte e Vida Severina. O Rio (1954), por exemplo, simplesmente me deixou perplexa, sem reação, diante da sua narrativa realista, que leva o leitor para dentro da história e o faz refletir sobre o que ali está sendo retratado. São diversos os trechos que para mim ganharam realce no corpo do poema, posso citar dois que são incríveis no objetivo de relatar o cenário nordestino:

" Por trás do que lembro, ouvi de uma terra desertada, vaziada, não vazia, mais que seca, calcinada. De onde tudo fugia, onde só pedra é que ficava, pedras e poucos homens com raízes de pedra, ou de cabra. Lá o céu perdia as nuvens derradeiras de suas aves; as árvores, a sombra, que nelas já não pousava. Tudo o que não fugia, gaviões, urubus, plantas bravas, a terra devastada ainda mais fundo devastada." (Página 20)

"Meu caminho divide, de nome, as terras que desço. Entretanto a paisagem, com tantos nomes, é quase a mesma. A mesma dor calada, o mesmo soluço seco, mesma morte de coisa que não apodrece mas seca." (Página 25)

Uma obra espetacular, recomendo a leitura.


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Ana Luiza Laet 01/04/2014

O melhor.... não me canso de dizer!!!
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14/03/2014

Morte e Vida Severina é um livro que aborda como é difícil a vida no sertão nordestino onde o protagonista da história(Severino) narra-o em forma de poesia,conta que onde anda procura emprego, mas não acha, tudo o que encontra é o sepultamento de homens que também se chamam Severino.
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Fecancio 03/03/2014

Necessário
Para sempre você vai lembrar "da parte que te cabe nesse latifundio"
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