A Cor Púrpura

A Cor Púrpura
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Resenhas - A Cor Púrpura


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De Cara Nas Letras 01/05/2016

A Cor Púrpura
A Cor Purpura é um romance epistola publicado originalmente em 1982, pela autora Alice Walker. Em 1983 o livro foi consagrado com o prêmio pulitzer de literatura e em 1985 foi adaptado para o cinema nas mãos do diretor Steven Spielperg.

Na trama vamos nos deparar com o sul dos Estados Unido, por volta do inicio e meio do séc. XX. As cartas são escritas por Celie, uma negra pobre que sofre abusos do padrasto sob o mesmo teto em que vive sua mãe e irmã. Por conta desses abusos, ela engravida, mas em nenhum momento tem suas crianças no colo. Sua história só piora quando ela perde a mãe e é obrigada a casar com um viúvo rude e perverso que tem por intuito fazer com que Celie ajude na criação de seus filhos. O que parecia um pesadelo muda quando ela conhece Shug Avery, uma cantora que leva uma vida mundana realizando shows em bares (comportamento tido como inaceitável). Será essa mulher que ajudará Celie a não mais esperar o chamado de Deus, e sim ser protagonista de sua história e correr atrás do tempo perdido, mesmo com as feridas sofridas.

Este é um livro com um ritmo de leitura rápido pela construção total em cartas, porém, a leitura se torna densa quando são abordados os temas mais pesados de forma forte, sem amenização alguma, e é já nas primeiras páginas do livro que a autora faz um alerta, como se dissesse te prepara, que eu não estou para brincadeira e depois desse primeiro contato é sofrimento seguido por mais sofrimento.

Os temas são estupro, violência domestica, racismo, desigualdade de gênero e a submissão da mulher perante o homem, fortes na época em questão.

Os personagens são apresentados na perspectiva da Celie, que nos narra com os seus traços de pouca alfabetização com uma escrita fortemente influenciada pela linguagem oral, por isso exige uma atenção maior para não confundir quando ela está narrando e coloca uma fala de outro personagem.

O foco principal do livro são nas mulheres, o que é bem nítido. Mulheres fortes, que querem muito mais do que cuidar da casa, fazer o que o marido pede e viver isoladas do mundo. Ao contrário, querem liberdade, sair, conhecer o mundo, ter independência e seu amor correspondido na mesma medida que se doam, sendo ele convertido em compreensão e aceitação da mulher com instinto livre e autônomo.

A religião é um assunto que não agrada a muitos, cada um tem seu modo de vê-la e segue (ou não) a que bem deseja. Alice Walker abordou esse assunto de uma forma que abriu meus olhos e me fez rever meus conceitos sobre Deus em uma das cartas que Celie escreve para a sua irmã, fazendo do livro um dos meus favoritos. Ela me fez enxergar o quão bobo estava sendo em julgar Deus com base no homem, sendo que são coisas distintas em sua plenitude. Nenhum homem é Deus.

Mais do que tudo, A Cor Purpura é um livro que grita somos livres com sede de liberdade para ir e voltar. Walker mostra seus personagens caindo, sofrendo e se erguendo, dando uma verdadeira volta por cima e perdoando toda a maldade que um dia passou, ou se arrependendo do mal que um dia fez. Por isso o livro é mais do que recomendado a todos.

site: http://decaranasletras.blogspot.com.br/2016/04/resenha-152-cor-purpura-alice-walker.html
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Marcos 15/04/2016

Celie é uma jovem negra que mora nos Estados Unidos e escreve cartas para Deus. Seu "pai", que na verdade era seu padastro, a proibiu de contar toda a violência sexual que ela sofre para outras pessoas, podendo apenas conversar com Ele. Estamos em um período indefinido da história, acreditando-se, por elementos da narrativa, que no início do século XX. O preconceito contra negros era enorme no país, até hoje ainda o é, e ser uma mulher, negra e semianalfabeta tinha o mesmo valor que nada. Por isso, Celie tem sua visão de mundo e sua perspectiva das coisas minimizada. Com o pai teve dois filhos que foram assassinados logo após o nascimento. Essa é a sua história.

Porém a vida de nossa protagonista muda quando ela é obrigada a se casar com Albert, viúvo pai de quatro filhos, que a trata como empregada e a espanca na frente de todos eles. É nesse contexto que Celie conhecerá Shug Avery, famosa cantora de quem ela é fã. Shug é amante de Albert, mas, ao conhecer Celie, começa a se aproximar da jovem e descobrir o seu passado. É nesse momento que Celie começa a se dessamarrar dos laços de sofrimento e culpa e passa a enxergar o mundo com outros olhos.

A Cor Púrpura é um romance epistolar de Alice Walker, que está na lista dos 1001 Livros para Ler Antes de Morrer. Toda a narrativa é contada com cartas que Celie escreve para Deus, onde conta a sua vida e o que acontece no seu dia a dia, e entre ela e sua irmã Nettie, que fugiu de casa e encontrou abrigo com um casal que acaba levando-a para a África.

Confesso que antes de começar a ler esse livro, imaginava que a história seria algo entre O Sol é Para Todos e 12 Anos de Escravidão, por sempre se referirem ao livro como uma forte história sobre racismo nos Estados Unidos. De fato ele assim o é; todos os protagonistas são negros e a questão racial é fortemente debatida o tempo todo na narrativa. Porém, ao meu ver, o que se sobressaltou foi a questão feminista presente no livro.

Celie é uma protagonista incrível. Ela não é forte, não se enquadra na mulher que vai atrás de seus sonhos, mas sim uma mulher que se descobre, que se transforma e que passa a ver o mundo com outros olhos. Shug é uma coadjuvante muito importante nesse aspecto. Ao mesmo tempo que conseguimos visualizar todo o sofrimento pelo qual ela passa, como estamos sabendo de tudo sob a sua ótica, vamos assistindo a uma vida ser desenrolada na nossa frente, como uma teia que se desemaranha e, incrivelmente, assim se torna mais forte.

O uso do ponto de vista da protagonista na maior parte da narrativa foi uma estratégia interessante usada pela autora. Vale destacar que, como Celie é semianalfabeta e aprendeu a escrever com as breves aulas de sua irmã, todas as cartas que ela escreve tem as palavras grafadas no modo como ela usa, ou seja, com os erros que lhes são pertinentes. Não sei se foi impressão minha mas, à medida que Celie evolui, sinto que sua escrita evolui junto, como se a autora usasse desse recurso para mostrar o crescimento da protagonista.

A Cor Púrpura é um livo incrível, forte e que consegue passar a mensagem que traz de forma inteligente e eficaz. Para se ler de mente e coração abertos e se aproximar cada vez mais da história.

site: http://www.capaetitulo.com.br/2016/04/resenha-cor-purpura-de-alice-walker.html
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Prof. Angélica 15/04/2016

A cor do amor
Celie, neste livro, conta sua história escrevendo cartas para Deus até que sua dor é tão grande que o destinatário de suas mensagens passa a ser sua irmã Nettie. Vítima de abusos e violências esta jovem negra retrata a vida segregada de sua comunidade, no sul dos Estados Unidos no período de 1900 a 1940. Ela narra como fala e isso transforma a narrativa em uma autêntica conversa com a personagem: sábia, sensível, humana, consequência de uma vida em que o sofrimento e a dor enriqueceram sua alma já predestinada a ser especial. Lindo! Triste, mas reconfortante. Nettie, Shug, Albert, Sofia, personagens que a auxiliam em seu crescimento pessoal e que também se transformam e fortalecem-se diante da dor e do amor. "Eles comemoram sua independência e nós comemoramos um ao outro" - diz a protagonista em 4 de julho. As conversas na varanda sobre Deus, sobre o amor e sobre a vida mostram como é possível falar de coisas tão profundas de uma maneira tão simples que até uma criança é capaz de entender. Segundo Celie, Deus não é um homem branco e velho, ele é uma coisa que já nasce com você e que você encontra mesmo sem procurar. Maravilhoso! Este livro é um encontro com pessoas com quem vale a pena estar.
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Lê Vieira 14/04/2016

Este não é mais um livro sobre racismo. Este é o livro que apresenta de forma simples, envolvente e emocionante a história de Celie, uma mulher que sofreu desde a infância e aprendeu a se comportar como um ser inferior, como uma negra feia, inútil e que deveria apenas servir.

Durante a narrativa conhecemos os sentimentos e pensamentos da protagonista através de suas cartas para Deus. Encontramos erros ortográficos e uma fala nada culta, afinal, estamos falando de uma protagonista que não teve a oportunidade de ser uma "dama da sociedade".

"É melhor você nunca contar pra ninguém, só pra Deus. Isso mataria sua mãe."

Celie, uma mulher repleta de dores, recordações tristes e perdas, mas que continua seguindo sua vida da forma como aprendeu que deveria ser. Sempre sendo vítima, mesmo sem reconhecer tal condição. Foi vítima ao ser abusada pelo pai, ao ser entregue a um homem que não conhecia, ao ser espancada, ao ser maltratada e discriminada. Uma Celie que não conhece sua força, mas que continua forte e viva.

"Ele riu. Quem você pensa que é? ele falou. Você num pode amaldiçoar ninguém. Olhe pra você. Você é preta, é pobre, é feia. Você é mulher. Vá pro diabo, ele falou, você num é nada."

O leitor se vê preso aos dramas da protagonista e à sua ingenuidade, um ser tão complexo e ao mesmo tempo tão simples que fica difícil descrever. Uma mulher que sofre, mas que quer ajudar na medida do possível e que anseia por ser amada.

A autora criou com maestria os personagens desta história. Por mais que o foco seja a frágil e forte Celie, também é possível conhecer profundamente outros membros importantes desta história. Mulheres mais fortes e realistas, outras mais sonhadoras, homens machistas e outros mais apaixonados. Todos compondo uma história maravilhosa que proporciona ótimos momentos de leitura.

Esteja pronto para ler uma obra rica e complexa, que permite ao leitor a mais profunda reflexão e as diversas comparações com a atualidade. Afinal, ainda existe preconceito, discriminação, machismo e desigualdades.

site: http://www.confraria-cultural.com/2016/03/a-cor-purpura.html
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Simeia Silva 13/04/2016

Maravilhoso
Celie mora com a mãe, seu "pai" e com suas irmãs mais novas, em uma casa simples no Sul dos Estados Unidos. Pobre, negra e analfabeta, Celie sofre com a inferioridade que todas as mulheres negras passam, seja pela sociedade e principalmente por seu marido.

Celie sofre muito com o seu padastro, é brutalmente estuprada por ele debaixo dos olhos da mãe, e é quando sua mãe morre que a coisa fica pior, porque ficam todas aos cuidados do padastro nefasto. E para que sua irmã menor não fosse estuprada também, ela se entregava para ele no lugar dela sempre que ele queria.

Um dia chega na casa deles um viúvo e pai de quatro filhos, o Albert. Ele estaria interessado na irmã mais nova de Celie, queria casar-se com ela, mas o padastro de Celie que tinha segundas intenções com a pequena e que também queria se ver livre de Celie pelas coisas que tinha feito com ela, a ofereceu no lugar. Albert demorou a se decidir, mas por fim, mesmo a achando feia demais e lhe dirigindo insultos, viu nela a oportunidade de ter uma mulher para cuidar dos seus filhos e lhe servir. Isso mesmo, o servir, porque o que Celie passa nas mãos desse crápula, é de cortar o coração. Ele a violenta sem pudor, física e moralmente.

As coisas só começam a mudar na vida de Celie com a chegada de Shug Avery, uma cantora de bar e amante de Albert. Que mesmo tendo uma rusga com Celie quando se conhecem, com o tempo se tornam amigas e Shug uma mulher vivida, do mundo, começa a mostrar para Celie como se impor perante a sociedade e principalmente perante o seu marido. A ter amor por si mesma e ser dona do seu destino.





A história da uma reviravolta maravilhosa, Celie se mostra mais forte do que eu imaginava e uma nova história de amor entra no caminho de Celie. E esse encontro me deixou de queixo caído, pois é um assunto que nessa época era abominável. Tacada de mestre da autora.

O livro é narrado por Celie através de cartas que ela escreve a Deus e com o passar do tempo, com cartas que ela escreve a sua irmã que se tornou missionária na Africa.

Amei a leitura, é emocionante, te faz ter raiva, te faz gritar com Celie pra tomar uma atitude, te faz querer pegá-la no colo para ninar, enfim, te deixa com vários conflitos internos e bem cativada por Celie e depois por Shug que foi um anjo na vida dela. Um anjo meio doido, mas foi, hahaha.

O que achei maravilhoso também, é que lendo o livro, você encontra vários aspectos que a sociedade ainda luta nos dias de hoje. A história se passa no início do século XX e a autora faz uma crítica enorme a relação entre homens e mulheres, essa busca pela igualdade, pelo respeito, em uma sociedade que escancaradamente da mais poder e voz ao sexo masculino. E também tem a crítica as diferenças de tratamentos as pessoas de classes sociais diferentes ou menos abastadas por assim dizer, e de etnias diferentes. A busca pela igualdade, seja ela qual for, está bem presente nesse livro e quando paramos para pensar bem, vemos que a visão da autora nada mais é, do que o retrato do nosso presente, do que ainda vivemos hoje, e do que se não mudar será ainda o retrato do nosso futuro amanhã. Agora é correr e assistir ao filme que é muito aclamado.


As páginas são amareladas, as letras em tamanho maravilhoso para leitura. Não encontrei erro nenhum de ortografia, marca registrada da Record, adoro isso. E essa capa está linda, condiz e muito com a história e onde Celie morava. A cor rosa e a fonte do título curti muito também. Bela edição de comemoração desse clássico moderno e contagiante.

Enfim, nem preciso falar que indico a leitura né? Então bora ler e se deliciar.


site: www.sentaaileitor.com.br
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amands 10/04/2016

Um livro que todos deviam ler pelo menos uma vez na vida
"Logo a gente começou a conversar sobre fazer amor. Shug na verdade num fala fazer amor. Ela fala uma coisa indecente. Ela fala fuder." Pág. 134

A cor púrpura com certeza está no topo da lista de livros que TODO MUNDO deveria ler pelo menos uma vez na vida. Esta foi a segunda vez que o li, e mesmo assim esta obra de arte não deixou de me surpreender - até porque eu percebi coisas que eu não havia notado na minha primeira leitura.

Este livro conta a dura história de Celie, uma mulher negra que aos 14 anos era estuprada pelo pai, com quem acabou tendo dois filhos que sumiram, e que logo foi obrigada a casar-se com um homem muitos anos mais velho, e que já possuía muitos filhos, e simplesmente a via como uma empregada.

Passado entre as duas Grandes Guerras Mundiais, no Sul dos Estados Unidos, o livro mostra a dura realidade do machismo e racismo enfrentado na época. Separada de sua irmã mais nova, Nettie, Celie narra sua história através de cartas que dirige à Deus e, depois, à irmã. Sua vida consistia em ser espancada pelo marido enquanto cozinhava e cuidava de seus enteados ingratos, até que Shug Avery, uma cantora e ex-amante de Albert, chega à cidade quase morrendo e eles a acolhem, e tudo começa a mudar.

"De todo jeito, eu falei, o Deus pra quem eu rezo e pra quem eu escrevo é homem. E age igualzinho aos outro homem queu conheço. Trapaceiro, isquecido e ordinário." Pág. 227

Este é o tipo de livro que você consegue ler em uma sentada se tiver tempo sobrando. Em primeira pessoa, ele é escrito do mesmo jeito que uma pessoa sem escolaridade fala oralmente - cheio de erros gramaticais e vícios linguísticos - o que torna a leitura muito fluída e mais real, te trazendo mais perto da personagem. É uma história extremamente triste, que terão partes de dar ódio, mas impressiona o quanto é verdadeiro e como milhares de pessoas já passaram, e provavelmente ainda passam, por experiências assim.

A história de Celie não deixa de ser uma história de superação e afirmação da mulher negra na sociedade. Nela há personagens femininas extremamente fortes como Shug Avery, Sofia e a própria Celie, apesar de no começo ela não achar isso, que lutam contra a soberania masculina que permeia a sociedade e época em que elas vivem.

Um livro que aborda temas que infelizmente continuam muito atuais, como racismo e machismo, mas, por um lado bom, trata também da temática gay, e não em uma visão tão preconceituosa da época.

Vencedor do Prêmio Pulitzer, a história foi adaptada para o cinema por Steven Spelbeirg em 1985, estrelando Whoopie Goldberg e Oprah Winfrey, sendo indicado a 10 Oscar - e não sei como não venceu nenhum, porque certamente merecia vários.

"Deus ama todos esses sentimento. Eles são uma das melhores coisa que Deus fez. E quando você sabe que Deus ama eles, você gosta inda mais. Você aí pode relaxar, e acompanhar tudo o que tá acontecendo, e louvar a Deus gostando do que você gosta." Pág. 231


site: http://escritoseestorias.blogspot.com.br/2016/04/resenha-140-cor-purpura.html
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Leitora Viciada 06/04/2016

Resenha para o blog Leitora Viciada
Originalmente publicado em 1982, A Cor Púrpura (The Color Purple), obra-prima de Alice Walker, ganhou o Pulitzer e o American Book Award. Relançado em 2016, pela Editora José Olympio (do Grupo Editorial Record) em uma nova edição revisada, com novo e lindo formato. A décima edição do livro no Brasil recebeu nova imagem de capa, páginas são levemente amareladas (papel off-white), fonte tradicional e diagramação simples, orelhas informativas e revisão cuidadosa. Pela linguagem particular creio que o romance tenha sido complexo para os editores; as equipes de tradução, revisão e diagramação realizaram um trabalho primoroso.
Considerado um dos melhores títulos da literatura contemporânea para alguns críticos, enquanto que para outros especialistas sua importância é maior: um dos melhores de toda a história da literatura. Particularmente, uma das mais marcantes obras que já li. É poderosa, inquietante, reflexiva e genuína. Tão franca, crua e verdadeira e com personagens tão sinceras e estruturadas que a história se torna viva e crível ao ponto de me fazer pensar por diversos momentos se não seria verídica. E é, de certa forma, visto que mostra a dureza da vida de mulheres negras americanas no início do século XX. Com dramaticidade e exploração extraordinária de personagens marcantes, Alice Walker nos apresenta uma ideia do sofrimento e malefícios causados pelo machismo, ignorância e racismo. Não parece ficção e esse é o ponto mais chocante da leitura, imaginar como situações semelhantes às que Celie, Nettie, Shug Avery, Sofia, Tampinha, Corrine, Olivia e Tashi sofrem ou presenciam eram corriqueiras e continuam a ocorrer em nossa sociedade em pleno século XXI.
A Cor Púrpura foi inspiração para Steven Spielberg compor uma obra cinematográfica homônima em 1985, com Whoopi Goldberg, Margaret Avery, Oprah Winfrey e Danny Glover no elenco. Foi indicado a onze Ocars em 1986, mas não ganhou nenhum. Goldberg ganhou por Melhor Atriz os prêmios Golden Globe Awards 1986 e National Board of Review 1986; esta premiação também escolheu A Cor Púrpura como Melhor Filme.
Em 2016, A Cor Púrpura ganhou adaptação na Broadway com Cynthia Erivo, Jennifer Hudson, Danielle Brooks e Isaiah Johnson.

Para ler toda a resenha acesse o Leitora Viciada.
Faço isso para me proteger de plágios, pois lá o texto não pode ser copiado devido a proteção no script. Obrigada pela compreensão.

site: http://www.leitoraviciada.com/2016/04/a-cor-purpura.html
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Babi 04/04/2016

Um livro para ser abraçado
Foi automático abraçar o livro da Alice Walker logo após ter lido suas últimas palavras. Eu fiquei tão envolvida e tão absorta na escrita que senti como se os personagens fizessem parte da minha família, então acabou sendo uma reação espontânea. Como se a Celie fosse a minha irmã e, depois de muitos anos afastadas e ciente de todas as dificuldades que ela passou, eu finalmente a tivesse reencontrado e dado aquele abraço apertado, substituindo as palavras de alívio "Acabou. Agora tudo vai ficar bem".

Celie é uma jovem negra, nascida de uma família humilde e em uma cidade, do sul dos EUA, segregada pelo preconceito. Desde menina teve que conviver com diversas formas de preconceito - por ser negra, por ser mulher, por ser uma mulher negra - de violência e abusos sexuais. Aos quatorze anos seu próprio pai começou a molestá-la e dessa relação, que eu nem tenho palavras para descrever tamanho a minha repulsa, nasceram duas crianças. Primeiro foi uma menina, depois um menino. Mas ambos foram levados de seus braços pelo seu pai. Celie aguentava tudo de cabeça baixa, dotada de uma personalidade submissa, a jovem nunca pensou em enfrentar o homem que frequentemente a estuprava, muito menos em pedir ajuda.

Essa personalidade da protagonista muitas vezes me deu vontade de enfiar as mãos pelas páginas para, como qualquer irmã faria hoje em dia, dar-lhe um belo de um puxão de orelha e umas sacudidelas. O espírito combativo da Celie só começa a aparecer quando ela repara que seu pai estava prestando cada vez mais atenção na sua irmã mais nova, a Nettie. Mas ainda, sim, é um espírito tímido e ingênuo que é apagado rapidamente com a chegada do Sinhô_.

"Ele bate em mim como bate nas criança. Só que nas crianças ele nunca bate muito forte. ele fala, Celie, pega o cinto. As crianças ficam lá fora olhando pelas frestas. Tudo o queu posso fazer é num gritar. Eu fico que nem tábua. Eu falo pra mim mesma, Celie, você é uma árvore. É por isso queu sei que as árvores têm medo dos homem." (p. 37)

Mas o quê? Esse é o nome do personagem, um simples _ ? Sim, é. Pelo menos na visão da Celie, que durante boa parte do livro desconhece o nome de muitos homens da história, incluindo do seu próprio pai que simplesmente chama de "o Pai", o que coloca em destaque o machismo da época em que a mulher não tinha direito de questionar nem o primeiro nome dos homens com quem convivia. A Cor Púrpura é narrado em primeira pessoa pela protagonista por meio de cartas que ela escreve para Deus. Como trata-se de uma mulher que não teve direito à educação, o leitor vai estranhar o texto repleto de erros de concordância e ortografia. Mas ao mesmo tempo ficará fascinado com a veracidade que a história toda ganha com a linguagem e a estrutura da narrativa.



Sinhô_ aparece para pedir a mão de Nettie em casamento. A princípio, Celie fica aliviada com possibilidade de tirar Nettie dos olhos de cobiça de seu pai, porém o patriarca de sua família nega o pedido do Sinhô_ e diz que se ele precisa de uma mulher, ele pode levar a Celie. Assim, a jovem acaba casando com um homem de quem não sabe nada, apenas que tem três filhos para criar e que é apaixonado por uma cantora chamada Shug Avery. A vida de casada acaba sendo o mesmo jogo, só mudando alguns jogadores, já que agora ao invés de ser violentada e castigada pelo seu próprio pai Celie sofre nas mãos de um completo desconhecido.

"E você como vai, querida irmã? Os anos vieram e se foram sem uma palavra sua. Só o céu acima das nossas cabeças é o que temos em comum. Eu olho muitas vezes para ele como se, de alguma maneira, refletida na sua imensidão, um dia eu me encontrarei olhando nos seus olhos. Os seus queridos, grandes, límpidos e lindos olhos." (p. 223)

A protagonista, então, começa a viver uma vida baseada na inércia e na submissão o que fica cada vez mais evidenciado quando o filho mais velho do Sinhô_ casa com a indomável Sofia, a personagem que se tornou a minha favorita. Sofia é uma mulher que não pensa duas vezes antes de comprar uma briga (não só com armas verbais como também com punhos) com quem quer que seja para se defender e fazer apenas aquilo que gosta e acha direito. É Sofia quem começa a abrir os olhos da protagonista e fazê-la entender que só porque ela é mulher não precisa fazer tudo o que os homens desejam.

No entanto, entender é uma coisa, começar a agir diferente é outra. Na faculdade, o que mais escutei durante as aulas de comportamento do consumidor foi: a coisa mais difícil de mudar em uma pessoa é o hábito. E habituada a ser enxergada como um nada, alguém sem valor, Celie terá uma longa trajetória a percorrer para finalmente conquistar o direito de ser reconhecida como alguém. Pasmem, que quem vai ajudá-la durante todo esse processo de mudança comportamental será a amante de seu marido, Shug Avery, que passa a morar com eles depois de ter graves problemas de saúde. Shug também será a responsável por despertar sentimentos e a sexualidade da personagem. Além de mulher e negra, Celie também se descobre homossexual.

"Eu num sei nada sobre isso. Sinhô_ trepa encima de mim, faz o serviço dele, dez minuto depois a gente tá dormindo. A única vez queu sinto uma coisa atiçando lá embaixo é quando eu penso na Shug. Mas é como correr até o fim de uma estrada e voltar sozinha, num dá em nada." (p. 84)

Apesar dos temas abordados na obra e da estrutura do texto terem me agradado muito, o que mais gostei na história de Walker foi que os personagens são humanos. O crescimento da Celie ao longo de toda história é muito evidente, porém não é só ela que muda ao longo da narrativa. Todos os personagens crescem à sua maneira e mesmo cometendo as mais diversas atrocidades eles acabam, de alguma forma, conquistando redenção aos olhos do leitor.

"Se ao menos eu tivesse compreendido então o que eu sei agora! ele falou. Mas como poderia? Existem tantas coisas que nós não compreendemos. E tanta infelicidade acontece por causa disso." (p. 225)


site: http://www.ummetroemeiodelivros.com
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Luiza 28/03/2016

A Cor Púrpura
Lembro-me de ter visto esse filme quando era mais nova (uns 17 ano, talvez), e, como não podia deixar de ser diferente, fiquei tão doida por este livro que o comprei uma semana antes de um exemplar chegar como livro de ação.

Achei interessante que este livro veio com outros dois livros que, de uma maneira ou de outra, abordam a questão da mulher dentro da sociedade.

Célie, a protagonista desta obra, é uma criança negra que vive no Sul dos Estados Unidos, em algum ponto entre 1900 e 1940. Pobre, analfabeta, estuprada pelo padrasto e forçada a se casar com um viúvo que é pai de quatro filhos que enxergava a esposa como uma empregada e que não se cansava de lhe agredir física e moralmente.

Ainda assim, Célie escreve para Deus, e é por meio destas cartas que ficamos conhecendo sua vida, a vida dos que estão a sua volta, os acontecimentos pelos quais ela passa e todas as pequenas, mansas, mas muito significativas reviravoltas em seu caminho. Lá pelas tantas, e junto com Célie, passamos a ler as cartas de Nettie, irmã mais nova da protagonista, que se tornou missionária da Africa após ir embora da casa do marido de Celie.

Apesar de a vida de Celie ser bem triste e sofrida, a história dela não é feita apenas de lágrimas. Celie tem uma maneira bem particular de ver a vida, se contentando com a alegria nas pequenas coisas e suportando as que ela não pode mudar. Ao mesmo tampo, ela não é nem um pouco fraca, e acho que foram poucos os personagens que chegaram a dizer isso para ela. Célie é resiliente, e isso a faz forte. E é quando a força de Celie vem a tona que sua vida muda mais efetivamente e ela passa a viver uma fase de descobertas sobre si e sobre a vida.

Gostei bastante da leitura. A Editora José Olympio está, cada vez mais, se tornando uma das minhas editoras favoritas. :3

site: http://www.oslivrosdebela.com/2016/03/a-cor-purpura-alice-walker.html
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Carla Reverbel 26/03/2016

No início, a frustração...
Eu assisti ao filme várias vezes antes de ler o livro. Inicialmente, o estilo de narrativa escolhido pela autora me aborreceu um pouco. Depois, o estilo da narrativa escolhida pela autora para as cartas da irmã da protagonista me aborreceram um pouco. Em suma, a narração não me conquistou de início, ao contrário do tema, da abordagem do tema, do desenrolar da história, os quais eu gostei bastante desde o princípio. Mas, ao final do livro eu estava chorando feito uma desgraçada. A minha nota é 5 por que é um daqueles livros cuja sinopse é tão forte, pungente e emocionante que superam todos os obstáculos. P.S.: a adaptação do Spielberg é primorosa, genial, maravilhosa, tão boa quanto o livro.
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Hellen M. Guimarães 25/03/2016

"Meu corpo é só um corpo de mulher passando pelas mudanças da idade. Nada especial aqui pra alguém amar. [...] Nada novo ou jovem. Mas meu coração deve ser novo e jovem pois parece que ele floresce com a vida."
.
A cor púrpura conta a história de uma mulher negra que, quando criança foi estuprada pelo pai e vive sendo constantemente espancada pelo marido. Negra e semianalfabeta, Celie é uma mulher que pouco espera da vida e aceita todas as incredulidades sem se queixar. Como uma rocha num leito de um rio, ela suporta calada quando é separada de seus dois filhos e de sua irmã.

Mas as coisas começam a mudar lentamente com a chegada de Shug Avery e a descoberta de cartas da sua irmã missionária na África.

Como abrigo e para libertar-se, ela escreve cartas endereçadas a Deus, o único homem que confia.
_

Vencedor do prêmio Pulitzer de literatura, A cor púrpura tem um ritmo lento e sem muitos detalhes. Por ser escrito através de cartas, sendo que essas não são datadas, a narrativa acaba ficando confusa. Além disso, a personagem é semianalfabeta, por isso a linguagem acaba ganhando um tom alegórico, Celie escreve como fala, então são dezenas de erros, e até consegui acostumar com eles, eu me senti bem incomodada.

Entretanto, a linguagem simples acaba se tornando o alicerce dessa história. Por trás da história triste da personagem, a autora conseguiu exprimir assuntos delicados e até hoje discutidos durante a história, que acontece nos Estados Unidos, entre 1900 e 1940.
Alice Walker faz uma crítica severa a uma sociedade segregada, uma sociedade onde tom de pele é o mais importante. Uma sociedade onde o fato de ser mulher e negra impede que estas tantas não possam viver para além do marido ou para além da lavoura e trabalhos domésticos.
As cartas de Nettie - irmã de Celie -, e o olhar de empoderamento de Shug acaba por tornar Celie não só uma mulher que pouco espera da vida. Nettie e Shug acaba por se tornar o alicerce de Celie que, por elas, conhece mais do que uma mão levantada em sinal de desaprovação.
.
"Aqui estou eu, envelhecendo, um homem cujos sonhos de ajudar os outros só foram isso, sonhos."

site: https://www.instagram.com/sobreumlivro/
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Radija Praia 21/03/2016


Ambientado no Sul dos Estados Unidos, por volta do período de 1900 a 1940, o livro “A Cor Púrpura”, de Alice Malsenior Walke, publicado em 1982 e vencedor do Prêmio Pulitzer de 1983, conta a história de Celie, jovem negra nascida na pobreza em uma cidade segregada.

Estuprada pelo “pai”, teve dois filhos desse abuso, e foi obrigada a se separar deles e de sua irmã para se casar de modo forçado com um marido abusivo e violento. Em uma série de cartas para Deus e para sua irmã Nettie, Celie conta a história de sua vida.

As cartas de Celie carregam o conto de isolamento e de amor, de violência e sexualidade, da pobreza e da ambição, das relações atrito entre homens negros e mulheres negras e de uma espiritualidade interior que não é facilmente contida. Sua voz encorpada emerge temperamental e honesta em uma forma literária inerentemente íntima. Enquanto ela é a protagonista do romance, não é a protagonista de seu mundo.

Eu tenho que admitir, no começo foi muito difícil entrar na narrativa, principalmente por causa da escrita, mas quando cheguei gradualmente mais profundo fui capaz de me adaptar a linguagem de Celie. Suas cartas escritas em dialeto quebrado resultaram aqui em justaposição surpreendente e lirismo.

No romance o leitor não só assiste a mudança da personagem, como também sente essa mudança através do ritmo de suas palavras.

Os temas aqui são: violação, questão da sexualidade, violência doméstica, racismo... Então, eu aconselho as pessoas que estão interessadas em ler este livro a ficarem conscientes disso.

"A Cor Púrpura” é um romance de contrastes: a opressão sexual e liberação sexual; violência e protesto silencioso. É sobre encontrar o seu próprio caminho, e isso é exatamente o que Celie fez no decorrer da narrativa.

Sua voz aqui cristaliza as experiências de uma geração de mulheres negras e, provavelmente, mulheres de todas as nacionalidades.

Alice Walker leva o leitor à beira de um abismo, onde desviar o olhar não é uma opção.

P.S. Existe uma adaptação cinematográfica de 1985, dirigida Steven Spielberg.
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"Se ao menos eu tivesse compreendido então o que eu sei agora!" ele falou.
"Mas como poderia? Existem tantas coisas que nós não compreendemos. E tanta infelicidade acontece por causa disso."

@rhadijapraia


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Ana Lícia 03/04/2016minha estante
Quero muito este livro.




Bia 19/03/2016

MUST READ
Aos meus olhos, o mérito de um autor não se baseia apenas no senso de beleza estética do texto, mas também na capacidade de transmitir sua visão de mundo, que deve ser refletida em seu trabalho. Alice Walker conseguiu isso em A Cor Púrpura. Ela é honesta ao retratar verdades desagradáveis que muitas vezes são convenientemente empurradas para debaixo do tapete, de modo que não perturbem a estrutura cuidadosamente preservada, mas frágil, dos dogmas e dos conceitos equivocados.

A autora retrata tantas formas diferentes de opressão, relacionamentos e tabus que é impressionante. Posso citar: violência doméstica, homossexualidade, importância da família, idéias feministas atemporais e, fundamentalmente, questões raciais, que são uma ferida aberta para o povo norte americano até os dias atuais.

Mas Alice Walker não nos faz abrir os olhos apenas para os aspectos não civilizados de nosso assim chamado mundo civilizado, ela também nos mostra como o conhecimento de mundo, as pessoas em geral, auto-consciência e educação podem ajudar a exorcizar os males sociais; como nunca é tarde demais para estes ganharem uma nova perspectiva, e como o fortalecimento das mulheres eventualmente incita a sociedade.

O livro é narrado em formato epistolar pelas cartas que a protagonista, Celie, escreve à Deus e à irmã, sendo esta a única forma que encontra de se expressar. Ela vive na Georgia rural na década de 1920, um lugar difícil de ser pobre, negro ou mulher (para não falar de todos estes) e esta ideia se mantém presente por toda a história. Cercada pela dominância masculina e rótulos sociais, vemos Celie à margem da sociedade americana devido seu gênero, sexualidade, semi-alfabetização, status e, principalmente, sua cor de pele, tornando-a um alvo.

E, apesar de tudo, Célie é uma das pesonagens mais fortes e corajosas que já tive o prazer de ler. Seu crescimento é evidente conforme se opões à opressão e vai ganhando voz e individualidade. Ela não perde a esperança, a força ou a vontade de viver.

Alice Walker utiliza a linguagem coloquial e o dialeto, permitindo construir cuidadosamente o desenvolvimento de Celie através de sua escrita e sua escolha de palavras. Com isso, consegue transmitir muito mais detalhes e informações sobre a vida da personagem. O vocabulário não é apenas um reflexo da cultura, mas também ilustra seu senso de lugar na sociedade com base no seu gênero, classe social e cor.

Um dos meus aspectos favoritos foi o posicionamento do apoio e amor entre mulheres como revolucionário: amar as mulheres (não necessariamente de forma sexual) é um ato contra o regime patriarcal, a exclusão e o abuso. Nos últimos capítulos, a autora deu espaço para os homens da história se redimirem. É justificavél como Albert e Harpo são alterados pelas mulheres fortes ao seu redor, finalmente capazes de ver seu verdadeiro valor além do sexo e da escravidão doméstica.

A Cor Púrpura te deixa vulnerável e totalmente nu desde as primeiras páginas. Às vezes, era difícil ouvir sobre tudo o que os personagens tiveram de suportar, mas, ao mesmo tempo, foi reconfortante ver eles se unindo e transmitindo sua força um para o outro. Isso foi essencial para sua construão. Eles estão evoluindo a cada instante, descobrindo como permanecer em seus próprios pés, como viver, como ser eles mesmos e não apenas o que a sociedade espera que eles se tornem.

Mergulhei diretamente na história desde o começo, na vida daqueles personagens e não lhe permite estar em qualquer outro lugar a não ser lá. E mesmo quando você não está inserido naquele mundo, você pensa nele e sobre o quão tênue pode ser a linha entre realidade e ficção.

Um romance que claramente me surpreendeu, pois não foi o que eu esperava, mas muito mais. Este é um daqueles casos em que todos o louvor e os elogios são merecidos. Altamente recomendado para qualquer pessoa interessada em feminismo, ficção histórica, superação de vida, ou para qualquer intersecção desses temas. Um clássico que definitivamente deve ser lido!

Para os curiosos: o título faz referência a uma fala de Shug à Celie. Ela diz “Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara”, se referindo as pessoas que ignoram a beleza e o bem que há no mundo.

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Hel 14/03/2016

A cor púrpura de Alice Walker
"Eu acho que Deus deve ficar fora de si se você passa pela cor púrpura num campo qualquer e nem repara." (WALKER, p. 231)

A cor púrpura é um livro sobre racismo, preconceito, machismo. Sobre resistir à adversidade por meio da fé em algo superior, sobre descobertas e sobre ensinamentos que a vida nos dá. A protagonista é Celie; jovem, negra e pobre, ela sofre abusos do padrasto e acaba gerando dois filhos dessa relação, que são retirados dela ainda pequenos. A mãe morre quando ela ainda é muito jovem e ela e a irmã, Nettie, ficam sob os cuidados do padrasto.
Com sua escrita simplória, Celie vai escrevendo cartas para Deus, pois sente que ele é o único que pode ouvi-la.
Para piorar, seu padrasto a força a se casar com Sinhô____* e ela teme pela irmã Nettie, que vai ficar sob os cuidados dele. Contudo, ela não ousa desobedecer e se casa, deixando a irmã que, por sua vez, foge de casa.

"Eu vejo ele olhando pra minha irmãzinha. Ela tá cum medo. Mas eu falei que vou tomar conta dela."(WALKER, p. 13)

Celie apanha do marido, o Sinhô____, que na verdade queria mesmo era ter casado com Nettie. Ele bate nela, a trata como um cachorro e a faz cuidar de seus filhos mal educados de seu casamento anterior. A situação de Celie não poderia ser pior. Além disso, ela sofre, pois o tempo passa e ela nunca mais tem notícias da irmã Nettie, seu único elo no mundo, e já acha que ela está morta.

Tudo muda de cena quando Shug, uma antiga paixão de Sinhô____, aparece na casa, doente. Celie se encanta com ela e as duas iniciam uma amizade muito linda, cuidando uma da outra. Aqui, abro um parêntese para dizer que o que Shug faz com Celie nada mais é que um empoderamento, ela incentiva Celie a se impor diante do marido abusivo e a não aceitar os maus tratos que Sinhô____ a aflige.
Certo dia, Shug conta para Celie que Sinhô____ esconde as cartas de Nettie dentro de um baú, e isso, ao mesmo tempo que reaviva as esperanças dela, a deixa com um ódio mortal de seu marido. A partir daí, a narrativa se intercala entre a leitura das cartas de Nettie e Celie escrevendo cartas para a irmã, embora elas nunca se correspondessem de fato, já que nenhuma recebia a carta da outra.
Celie descobre que a irmã se tornou missionária e está na África! E por meio das cartas conta muitas coisas da vida como missionária e das dificuldades culturais que enfrenta.

"Só o céu acima de nossas cabeças é o que temos em comum. Eu olho muitas vezes para ele como se, de alguma maneira, refletida na sua imensidão, um dia eu me encontrarei olhando nos seus olhos." (WALKER, p. 223)

No decorrer da narrativa, percebe-se que Celie evolui ao passo que se liberta de algumas amarras, como o Sinhô, que era extremamente violento, e passa a morar com Shug, onde iniciam um negócio próspero.

***

Alice Walker conseguir abordar a temática do racismo por meio de um livro tão simples, porém não menos genial, pelo ponto de vista de uma mulher, de um modo tão sensível e comovente, ilustra bem que esse livro não é um clássico da literatura à toa. Ler esse livro pela segunda vez me fez perceber o quanto algumas leituras adquirem uma ressignificação com o passar do tempo e conforme amadurecemos como seres humanos. O drama de Celie, embora se passe no século passado, ainda acontece nos dias atuais. Se ser mulher e negra, atualmente, não é fácil, imaginem num período entre guerras em que o machismo imperava e as mulheres tinham ainda menos direitos do que atualmente? Imaginem a pobre Celie, abusada sexualmente, sufocada e humilhada dentro da própria casa, destituída de amigos e familiares. Apesar de tudo, ela encontra em Deus um refúgio onde se sente segura, onde não há julgamentos. Ela reflete sobre esse Deus, sobre sua representação, e chega à conclusão de que Deus está em tudo e está em nós, e que ele não é esse senhor grande e velhinho de cabelos grisalhos e que o fato de ele ser representado como um homem BRANCO só mostra o preconceito que está arraigado no coração e mente dos homens.
A escrita, com fortes traços da oralidade, só torna a narrativa mais intimista e verossímil, fazendo com que o leitor consiga imaginar a voz da narradora e se sinta mais próximo dos acontecimentos narrados, torcendo por Celie e vibrando a cada passo que ela dá em direção à libertação. Apesar da linguagem simples, "A cor púrpura" não perde em beleza e comove o leitor justamente pela ingenuidade da protagonista. É um livro para se emocionar, para refletir e, acima de tudo, para tocar na alma do leitor.

"O homem corrompe tudo. [...] Ele tá na sua cumida, na sua cabeça, e o tempo todo no rádio. Ele tenta fazer você pensar que ele tá em todo lugar. E quando você pensa que ele tá em todo lugar, você começa a pesar que ele é Deus. Mas ele num é." (WALKER, p. 232)

site: http://leiturasegatices.blogspot.com.br/
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Ana 13/03/2016

Já tinha ouvido falar do filme A Cor Púrpura, dirigido pelo incrível Steven Spilberg, tendo Whoopi Goldberg no papel principal (que, inclusive, lhe rendeu a indicação ao Oscar de melhor atriz 1986). Não assisti ao filme, primeiro porque não sou muito fã de filmes no geral, segundo porque morria de vontade de ler o livro antes, de qualquer forma. Vocês não calculam a minha felicidade quando vi A Cor Púrpura nas opções que a Editora Record mandou para os parceiros em fevereiro.

Neste romance, Alice Walker descreve a história de Celie, entre 1900 e 1940. O livro todo é narrado através de cartas que Celie escreve, primeiro para Deus, depois para sua irmã, Nettie. Nessas cartas, a protagonista faz um desabafo do seu dia-a-dia: primeiro os abuso sexuais que sofria pelo Pai, depois o relacionamento violento com o marido, além das dificuldades impostas pela sociedade, já que Celie é mulher, pobre e negra, além de semi-analfabeta.

O fato de Celie não ter sido educada adequadamente, faz com que a linguagem de todo livro seja totalmente alegórica, o que faz o leitor se sentir íntimo da personagem. A maioria das cartas são bastante rápidas e pungentes, com ortografia próxima à língua oral, e reais até demais para o meu gosto. Os relatos são tão sofridos que dão pena e até raiva em alguns momentos, principalmente nos episódios em que as mulheres eram rebaixadas.

Não conheço outras obras de Alice Walker, mas posso dizer que ela desenvolveu A Cor Púrpura com tremenda maestria. Desde as primeiras páginas me vi totalmente absorta e, ao mesmo tempo, assustada e agoniada. Como não se impressionar com um livro que tem uma cena de estupro em sua segunda página? Walker tratou não só do racismo (que atinge ambos os sexos), mas todas as outras consequências de uma sociedade incrivelmente machista e paternalista para nós, mulheres. Imaginem só: ser mulher, naquela época, era motivo para ser "menos"; ser mulher e negra agravava ainda mais a situação.

Com o passar do tempo, acompanhamos uma mudança de atitude de Celie, principalmente depois que Shug Avery entra em sua vida. Sua ânsia para se libertar de todo os seus sofrimentos era tão grande que, com a ajuda dessa mulher ímpar e de diversas outras que acabam aparecendo no decorrer da história, luta por si mesma, passando por cima de todos os preconceitos da época. Assim, ela percebe que, como todo ser humano, tem valor e, principalmente, direitos. Sendo assim, A Cor Púrpura é um livro com um tema totalmente atual, apesar de ter sido escrito no século passado, principalmente se levarmos em conta os movimentos de igualdade de gênero.

A vida de Celie e de todas as suas companheiras serve de inspiração para vermos as milhares de coisas que conquistamos daquele tempo para cá, mas, infelizmente, acaba se tornando, também, um recado para lembrarmos de que ainda há muito para se conquistar. Não só se referindo às mulheres, mas aos direitos humanos em si.

site: http://www.roendolivros.com/
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