A amiga genial

A amiga genial Elena Ferrante


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A amiga genial (Série Napolitana #1)





É curioso que o início deste livro - e da tetralogia que se inicia com ele - seja a escolha de uma ausência, ou, como nomeia o prólogo, um "apagar os vestígios". Quando Elena recebe um telefonema do filho de Lila, sua amiga de infância, dizendo não apenas que a mãe desaparecera, mas que "queria também apagar toda a vida que deixara para trás", Elena inicia, paradoxalmente, uma resposta um tanto irritada de pôr no papel tudo o que guardava na memória sobre a outra, justamente para impedi-la de desaparecer.

Lila Cerullo e Elena Greco são duas meninas que crescem em meio ao subúrbio de Nápoles, nos anos 1950, ainda convivendo com a densa herança da Segunda Guerra Mundial. Em um bairro em que o trabalho parece ser definidor de todas as pessoas – as personagens são descritas como a família do sapateiro, a do contínuo, a do marceneiro, a do ferroviário, a do capitalista -, é traçado o microcosmo da sociedade, em que os ricos estão em vantagem, mas também são dadas oportunidades para os mais espertos. Nápoles, pois, é como um vórtice espaço-temporal no qual se encontram gregos e latinos com a modernidade pulsante do pós-guerra, revistas de moda para mulheres emancipadas com velhos ideais românticos, o velho e o novo, a aldeia e o universal.

É nesse cenário que a vida de duas garotas ganhará uma densidade brutal. Desde muito pequenas, Lila e Elena olharão uma para a outra com o olhar arguto e cruel que só as crianças têm, em um enfrentamento de destrezas e fragilidades como poucas vezes descrito na história da literatura. A oscilação incômoda e inapreensível que percorre toda a série napolitana passará, nesse primeiro livro, pelas inseguranças da infância e as dúvidas da adolescência, e as duas garotas vão sendo postas à prova por suas inteligências, por suas escolhas, por suas belezas, por suas sexualidades.

O duelo constante entre admiração e repulsa, inveja e afeto, intimidade e distância vai sendo construído pela narradora como símbolo máximo desse universo de sonho e esperança que nasce na ferida profunda da guerra. Se há tensão e uma carga de violência constante, que parece querer explodir a qualquer momento, há também garotas comuns que sonham com belos vestidos, viagens fantásticas e buscam, através dos estudos, uma compatibilização dos mundos tão distantes em que transitam.

Literatura Estrangeira / Romance

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À espera dos outros volumes
on 5/12/15


Assim como fiz com a trilogia 1Q84 vou reservar o meu julgamento até o final da obra ser publicada. Há pontos que me intrigam. 1) Gosto da perspectiva feminina e feminista da autora. Nesse ponto o livro encanta. 2) Talvez no horizonte da literatura latina e talvez até da literatura italiana o detalhe na vida das meninas e adolescentes representadas seja motivo de grande surpresa. Não sei porque não conheço tanto da literatura italiana assim. Mas a porta já havia sido aberta ... leia mais

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Trocam17
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João gregorio
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22/05/2015 19:27:47
C
editou em:
02/12/2019 13:16:46