O que se destaca e seduz nessa obra são as mulheres, como alegoria aos primórdios da colonização. Este é um mundo novo, que requer força, determinação e rudeza para a sobrevivência. Todas tem essa influência do meio, mais visível que nos homens, e a não adaptação (como acontece com Margarida, a mais romântica e poética) acaba por definhar.
O título faz-me pensar em confinamento, separação da civilidade europeia, onde a sobrevivência e felicidade buscada estão intimamente relacionadas à adaptação ao ambiente impactante.
Em Cristina o processo é mais explícito, já que a acompanhamos desde a chegada a essas terras, que reservam descobertas surpreendentes. Isabel é a personagem de espírito mais transformado, praticamente uma selvagem; Mãe Cândida é representação da mulher calejada pelo meio; Basília não reserva espaço para outras coisas que não seja a vida estoica; e Rosália, na experimentação entre atiramento aos devaneios amorosos e reflexão na realidade nua e crua, tem escolha final também no estoicismo.
O sentimento amoroso é contextualizado e vivenciado na realidade peculiar e visceral do meio.
A percepção do contexto, principalmente através das personagens femininas, é o que pareceu-me mais marcante na leitura, o que a autora desejou enfatizar. Distancia-se do romantismo idílico indianista para um retrato aproximado do cotidiano árduo dos primeiros tempos.
Até então conhecia a obra através de uma minissérie do ano 2000 e não poderia deixar de registrar que a adaptação global tem muitas liberdades, em personagens e histórias inexistentes no livro.
Curioso também o impacto cultural provocado pela terra, que em face ao calor contínuo estimulou hábitos como os banhos mais frequentes, como faziam os indígenas. Tem certa parte que expressa que na Europa havia o hábito de perfumes fortes na higienização, substituído nesse novo mundo por banhos corriqueiros.