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    A Muralha - Dinah Silveira de Queiroz

    Dinah Silveira de Queiroz

    EBRASA - Editora de Brasília
    1971
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    Romance comemorativo do IV centenário da fundação de São Paulo

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    R .05/11/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O que se destaca e seduz nessa obra são as mulheres, como alegoria aos primórdios da colonização. Este é um mundo novo, que requer força, determinação e rudeza para a sobrevivência. Todas tem essa influência do meio, mais visível que nos homens, e a não adaptação (como acontece com Margarida, a mais romântica e poética) acaba por definhar. O título faz-me pensar em confinamento, separação da civilidade europeia, onde a sobrevivência e felicidade buscada estão intimamente relacionadas à adaptação ao ambiente impactante. Em Cristina o processo é mais explícito, já que a acompanhamos desde a chegada a essas terras, que reservam descobertas surpreendentes. Isabel é a personagem de espírito mais transformado, praticamente uma selvagem; Mãe Cândida é representação da mulher calejada pelo meio; Basília não reserva espaço para outras coisas que não seja a vida estoica; e Rosália, na experimentação entre atiramento aos devaneios amorosos e reflexão na realidade nua e crua, tem escolha final também no estoicismo. O sentimento amoroso é contextualizado e vivenciado na realidade peculiar e visceral do meio. A percepção do contexto, principalmente através das personagens femininas, é o que pareceu-me mais marcante na leitura, o que a autora desejou enfatizar. Distancia-se do romantismo idílico indianista para um retrato aproximado do cotidiano árduo dos primeiros tempos. Até então conhecia a obra através de uma minissérie do ano 2000 e não poderia deixar de registrar que a adaptação global tem muitas liberdades, em personagens e histórias inexistentes no livro. Curioso também o impacto cultural provocado pela terra, que em face ao calor contínuo estimulou hábitos como os banhos mais frequentes, como faziam os indígenas. Tem certa parte que expressa que na Europa havia o hábito de perfumes fortes na higienização, substituído nesse novo mundo por banhos corriqueiros.

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    Diná Silveira de Queirós

    Diná Silveira de Queirós (São Paulo, 9 de novembro de 1911 — Rio de Janeiro, 27 de novembro de 1982) foi uma romancista, contista e cronista brasileira.

    34 Livros
    35 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Diná Silveira de Queirós