O legado de nossa miséria -

    Felipe Holloway

    Record
    2019
    237 páginas
    7h 54m
    ISBN-13: 9788501117717
    Português Brasileiro

    Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2019 na categoria Romance. Um professor e crítico literário é convidado a participar de um simpósio de jornalismo cultural na fictícia cidade de Amará, no interior de Minas Gerais. Sem poder assistir à última mesa do evento — justamente a que mais lhe interessava —, segue, contrariado, para o bar do hotel, onde, sem perceber, se senta junto ao balcão ao lado do escritor que tanto admira. Este puxa conversa, e os dois se envolvem num longo diálogo madrugada adentro em que muitas das certezas que o crítico tinha até ali — incluindo a casualidade daquele encontro — acabam por ser colocadas sob suspeita. Neste livro, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura na categoria Romance, a discussão literária está no cerne da narrativa e se faz mais vivaz que a vida.

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    Leila de Carvalho e Gonçalves 25/12/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Charada Borgiana

    Em 16 anos, o Prêmio SESC de Literatura tornou-se um dos principais concursos literários do país, em especial, graças a uma peculiaridade ? é dedicado a autores estreantes ? e entre seus vencedores, destacam-se Luísa Geisler, Juliana Leite e José Almeida Júnior. Em 2019, o romance escolhido foi ?O Legado de Nossa Miséria?, de Felipe Holloway, um cearense de 30 anos que mora em Cuiabá onde leciona Língua Portuguesa na rede estadual de ensino. A bem da verdade, já faz algum tempo que acompanho a carreira do escritor por intermédio de amigos em comum nas redes sociais e curiosa, quando o livro foi lançado, tive o cuidado de incluí-lo entre minhas leituras. Em linhas gerais, trata-se de ?uma charada borgiana?, isto é, sua trama remete à obra do escritor argentino Jorge Luis Borges, que inclusive é citado várias vezes ao longo das 240 páginas. Aliás, são inúmeras as referências literárias que, de Guillaume Apollinaire a George Eliot, redimensionam a leitura para quem aprecia os clássicos. O próprio título do romance são as palavras que encerram ?Memórias Póstumas de Brás Cubas? e, se o seu conteúdo niilista cai sob medida em Brás, o presunçoso pouco confiável defunto-autor, ele também se refere aos protagonistas de Holloway: um escritor cuja obra é unânime sucesso e um reconhecido crítico literário. Sua história gira ao redor do ?fortuito? encontro entre eles, o primeiro e único, ocorrido numa mesa de bar durante um evento sobre Jornalismo Literário, que teve lugar em Amará, cidade fictícia do interior mineiro. Regado à álcool, tal encontro é marcado por confissões que trazem à luz vidas fadadas a deslizes éticos e estéticos, apesar das aparências não corroborarem com essas perspectivas. O romance desconstrói o fazer literário, aborda a contradição entre ser e parecer, um tema bem ao gosto machadiano, destino versus livre arbítrio além da insuspeita relação entre literatura e matemática. Essa associação, assídua na obra de Borges, é capaz de tornar tangível o que não existe, uma espécie de estratagema mefistofélico que remete ao mito de Fausto e acena para nossa insignificância diante da eternidade. Se ficou curioso, posso adiantar que o livro é polêmico, intrigante a ponto de me fazer varar a madrugada, curiosa para conhecer seu desfecho. Enfim, aceite o risco, caso esteja disposto a sair do lugar-comum. Nota: Comprei o e-book que atendeu minhas expectativas.

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