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    Amuleto -

    Roberto Bolaño

    Companhia das Letras
    2008
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788535913637
    Português Brasileiro
    4.1
    335 avaliações
    Leram519Lendo18Querem431Relendo5Abandonos11Resenhas31
    Favoritos35Desejados431Avaliaram335

    Lançado originalmente em 1999, este é o primeiro livro de Roberto Bolaño publicado após o estrondoso sucesso de seu Os detetives selvagens, que lhe garantiu por unanimidade o Prêmio Rómulo Gallegos, maior distinção literária da prosa hispano-americana. O episódio que desencadeia o fluxo narrativo em Amuleto, baseado em fatos reais, foi extraído de Os detetives selvagens, obra-prima de Roberto Bolaño. Trata-se da invasão do campus da Universidade Nacional Autônoma do México pelas tropas do exército, nos agitados dias de 1968. E da resistência silenciosa de uma personagem que, escondida no banheiro feminino da Faculdade de Filosofia e Letras por muitos dias, escapa da fúria repressora dos invasores. Esta personagem - um misto de artista meio hippie, louca e andarilha - é a imigrante uruguaia Auxilio Lacouture, auto-intitulada "mãe dos poetas e da poesia mexicana". Mas a genialidade de Bolaño em Amuleto é transfigurar essa personagem lendária e convertê-la em narradora na primeira pessoa. É a única narradora feminina em toda a sua obra, e seu relato configura uma homenagem aos poetas e artistas do México, mexicanos ou exilados espanhóis e latino-americanos. E uma elegia, também, a todos os jovens latino-americanos mortos na resistência às várias ditaduras instaladas no continente. Para conseguir esse intento, sua prosa torna-se altamente poética.

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    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel10/02/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Latino-americanos; a poesia é nosso amuleto.

    Não se engane pelo pequeno número de páginas; não é sinônimo de leitura rápida. A obra é arrastada, - e jamais tomem essa informação como ponto negativo. Seu estado letárgico é fundamental para a sua apreciação; quanto mais tempo passamos nas páginas, degustando as palavras de Roberto Bolano, mais adentramos aos emaranhamos da obra, a seus sutis detalhes que uma rápida passada de olho poderia ignorar. Partindo do pressuposto que o fluxo de consciência se mistura com uma viagem em suas próprias memórias, tornando passado, presente e futuro uma coisa só, acompanhamos a auto-intitulada “mãe da poesia mexicana”, Auxilio, uma uruguaia que emigra para as terras mexicanas e lá tem contato com o epicentro da poesia latino-americana, misturando personagens reais com fictícios. Em um estilo que em diversas vezes me lembrou autores como Thomas Pynchon ou Clarice Lispector, bato o martelo que qualquer informação sobre a “história” desse livro é contestável; estamos sempre no limiar entre o tangível e o ideal, o delírio e a realidade, o sonho e a miserabilidade humana, - ainda mais quando a obra centra-se em memórias, que se embolam por todo o livro. A famosa cena em que a protagonista passa dias no banheiro de sua faculdade quando tropas invadem as instalações estudantis, (que é baseada em fatos reais), é diversas vezes revisitada, regressada e adiantada, como se ela permeasse todos os acontecimentos da obra (e penso como dizer “regressada” e “adiantada” é falho; é como se todos os acontecimentos do livro ocorressem naquele banheiro, ou pelo menos interpretei desta forma). Não conseguimos dizer a cronologia do que é narrado, - até onde o retrato de uma recordação não vale por si própria? É quase como se estivéssemos em uma quarta dimensão, onde não há distinção do tempo. Foi meu primeiro contato com o autor, e quero repetir a dose. “Amuleto” tem tudo o que mais admiro na literatura; um texto que te xinga, te escarra, te humilha, e o leitor continua a insistir a tentar entendê-lo, mesmo nao tendo sido a intenção do autor fazer quem lê entender. “E embora o canto que escutei falasse da guerra, das façanhas heroicas de uma geração inteira de jovens latino-americanos sacrificados, eu soube que acima de tudo falava do destemor e dos espelhos, do desejo e do prazer. E esse canto é nosso amuleto.”

    35 curtidas

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    4.1 / 335
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
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    Roberto Bolaño Ávalos

    Bolaño cresceu no México e voltou ao Chile natal no começo dos anos 70, entusiasmado com o governo do presidente socialista Salvador Allende. Derrubado o regime, em 1973, o jovem trotskista foi perseguido e passou alguns dias na prisão. Depois, partiu para a Espanha e, na Costa Brava catalã, acabou fincando raízes. Seus livros tratam de modo original o gênero policial, mas também falam de política e drogas, além de refletir sobre a própria literatura, tendo usualmente escritores --e a si mesmo-- como personagens.

    82 Livros
    223 Seguidores
    Gran Santiago, Chile

    Roberto Bolaño Ávalos