O amor pela arte de contar histórias.
Galeano é conhecido principalmente pelo seu lado combativo, incisivo e ácido. É conhecido principalmente pelas suas eternas veias abertas. Entretanto, o autor é muito mais do isso, se apresentando nesse livro como um verdadeiro poeta. Um trecho de uma resenha que li, sintetiza perfeitamente a obra: "Aqui, em vez de proceder a um estudo histórico de nossas sociedades, o estudioso, dá lugar ao artista, que busca um diálogo com seu próprio passado, de modo a imortalizar recortes do que foi viver na América Latina da segunda metade do século XX." Então nesse livro tem a combatividade característica do autor, mas uma combatividade mais artística do que política em si (isso na forma, porque política simplesmente permeia tudo na nossa vivência). É uma obra que nos remete a memórias, ao ouvir, à oralidade e ao resgate de um tipo de forma de contar histórias que infelizmente parece está se perdendo. É uma viagem muito gostosa em passar pelas histórias das pessoas e do continente através das vivências de Eduardo Galeano. É comovente, belo e melancólico. Galeano traz de uma forma maravilhosa a capacidade que temos de criar História e mostra que está é feita pelas relações entre as pessoas no dia a dia, muito mais do que nos rompantes históricos que aprendemos na escola e que História é algo para ser vivido. Simplesmente é o tipo de autor que merece ter todas as suas obras lidas e que com certeza é um colosso do nosso continente. Por mais pessoas que leiam Eduardo Galeano, pois com certeza se tornarão seres humanos melhores.



