As Palavras - Les mots

    Jean-Paul Sartre

    Nova Fronteira
    1967
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Lançado em 1964, As palavras revoluciona o memorialismo e a autobiografia. Único registro autobiográfico do autor, As palavras é dividido em dois capítulos - Ler e Escrever . No primeiro, é notável o relacionamento do autor com sua jovem mãe, com a qual acabou estabelecendo uma afetividade muito mais fraternal do que filial. No segundo, ele nos apresenta ao jovem Sartre, que, assim que decifrou os códigos das palavras, pôs-se a escrever longas histórias de aventuras. Ao mesmo tempo que passa em revista, com lucidez e rigor, a história de sua infância, o que interessa a Sartre é desvendar as raízes de sua vocação de escritor e descobrir o sentido moral e social de seu ofício. Grande marco literário de sua carreira, este livro de memórias é único, escrito pelo homem que conseguiu pensar sistematicamente contra si mesmo.

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    jota 1103/08/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ÓTIMO: segunda vez que leio; agora parece outro livro, mas uma coisa é certa: Sartre fascina o leitor do começo ao fim

    Lido entre 29/07 e 03/08/2021 As Palavras é um livro curto que pode muito bem servir de introdução para a literatura e a filosofia do chamado pai do existencialismo (desse modo a mãe foi Simone de Beauvoir), esse patrimônio da cultura francesa que é Jean-Paul Sartre (1904-1980). Lançado em 1963, quando ele tinha quase sessenta anos, Les Mots não é exatamente uma autobiografia tradicional, mas uma obra em que Sartre trata da profunda relação que desde a tenra infância teve com as palavras. Tão profunda que ele registrou em certa altura: "Comecei minha vida como hei de acabá-la, sem dúvida: no meio dos livros.” Como diz a Nova Fronteira na sua sinopse, o que Sartre pretende “é desvendar as raízes de sua vocação de escritor e descobrir o sentido moral e social de seu ofício.” A narrativa se concentra nos primeiros anos de sua vida, no tempo em que morou com a mãe viúva na casa do avô materno. Que tinha uma biblioteca povoada de clássicos, o lugar da casa preferido do menino. Dividido em duas partes, Ler e Escrever, o livro traz as memórias de um adulto sobre o comportamento de uma criança fascinada primeiro pela leitura, depois pela escrita. Mas não se trata de um registro contido desse tempo, trazendo apenas nomes, pessoas, lugares, coisas, livros, autores etc., mas uma elaboração que vai muito além desses elementos, em que ideias, preconceitos, sonhos, fantasias, digressões etc., são agora examinados com lucidez e rigor. Conhecemos o homem também através da criança que foi, não somente por suas obras da maturidade.

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