Lido entre 29/07 e 03/08/2021
As Palavras é um livro curto que pode muito bem servir de introdução para a literatura e a filosofia do chamado pai do existencialismo (desse modo a mãe foi Simone de Beauvoir), esse patrimônio da cultura francesa que é Jean-Paul Sartre (1904-1980). Lançado em 1963, quando ele tinha quase sessenta anos, Les Mots não é exatamente uma autobiografia tradicional, mas uma obra em que Sartre trata da profunda relação que desde a tenra infância teve com as palavras.
Tão profunda que ele registrou em certa altura: "Comecei minha vida como hei de acabá-la, sem dúvida: no meio dos livros. Como diz a Nova Fronteira na sua sinopse, o que Sartre pretende é desvendar as raízes de sua vocação de escritor e descobrir o sentido moral e social de seu ofício. A narrativa se concentra nos primeiros anos de sua vida, no tempo em que morou com a mãe viúva na casa do avô materno. Que tinha uma biblioteca povoada de clássicos, o lugar da casa preferido do menino.
Dividido em duas partes, Ler e Escrever, o livro traz as memórias de um adulto sobre o comportamento de uma criança fascinada primeiro pela leitura, depois pela escrita. Mas não se trata de um registro contido desse tempo, trazendo apenas nomes, pessoas, lugares, coisas, livros, autores etc., mas uma elaboração que vai muito além desses elementos, em que ideias, preconceitos, sonhos, fantasias, digressões etc., são agora examinados com lucidez e rigor. Conhecemos o homem também através da criança que foi, não somente por suas obras da maturidade.