Seara Vermelha (Obras de Jorge Amado #XII) -

    Jorge Amado

    Martins
    1958
    333 páginas
    11h 6m
    ISBN-16: 00000000000XXXXX
    Português Brasileiro

    Neste romance, Jorge Amado descreve a tragédia dos retirantes e jagunços. A história da família de Jucundina e Jerônimo reflete, pelo prisma familiar, a injustiça e o desamparo dos pobres explorados pelos senhores feudais do Nordeste brasileiro. A lúcida perspectiva da personagem feminina, exemplo de esperança, contrapõe-se ao mundo masculino, questionando as decisões que afastam os homens de suas raízes. Seus três filhos representam a tríplice resposta que pode ser dada à crueldade dos poderosos: José se vinga pela via do cangaço, João procura as respostas messiânicas e Juvêncio, o grande herói da trama, reage aderindo às lutas sociais. Expulsos pelo dono das terras, o caminho a seguir é a viagem em direção ao sul, à procura do Eldorado. A busca da utopia tem um preço alto, pago com o cansaço, a fome e as doenças. No mundo hostil, não há espaço para o frágil.

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    Clio picture
    Clio05/05/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Seara Vermelha não é mais um livro sobre os problemas da desertificação na Caatinga, mas sim uma exposição de como os ainda existentes grandes latifundiários - os coroné e os doutô - foram e ainda são responsáveis pela retração de uma das áreas mais pobres do país. A narrativa é fundamentada sobre a família de Jucundina que vai aos poucos se fragmentando pela miséria local e depois migra ao ser expulsa de suas terras. A caminhada entre o nordeste e São Paulo, essa via sacra de torturas, termina por enfraquecer laços e levar os indíviduos mais fracos numa exposição de doenças, costumes e revolta. A corrupção do litoral que força ainda mais a moral da família só é contraposta por dois fenômenos, o cangaço e o beatismo. Há uma certa romantização de ambos, porém o autor manteve o estilo da escrita carregado de violência explicíta. Não é um dos trabalhos mais conhecidos de Jorge Amado, talvez por não ter a carga erótica de seus escritos posteriores ou por ser menos sútil em seu posicionamento político. De minha parte, recomendo.

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