A mulher que escreveu a bíblia -

    Moacyr Scliar

    Companhia das Letras
    1999
    220 páginas
    7h 20m
    ISBN-10: 8571649735
    Português Brasileiro

    A mulher que escreveu a Bíblia é um pequeno romance em que se fundem as três maiores qualidades do gaúcho Moacyr Scliar: a imaginação, o humor e a fluência narrativa. Para estas qualidades recebeu o Prêmio Jabuti 2000. Ajudada por um ex-historiador que se converteu em "terapeuta de vidas passadas", uma mulher de hoje descobre que no século X antes de Cristo foi uma das setecentas esposas do rei Salomão - a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade - e, em particular, a do povo judeu -, tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dicção bíblica e o mais baixo calão, a anônima redatora conta sua trajetória, desde o tempo em que não passava de uma personagem anônima, filha de um chefe tribal obscuro. Moacyr Scliar recria o cotidiano da corte de Salomão e oferece novas versões de célebres episódios bíblicos. Em sua narrativa, repleta de malícia e irreverência, a sátira e a aventura são matizadas pela profunda simpatia do autor pelos excluídos de todas as épocas e lugares.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo14/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sagrada sacanagem

    Humor refinado. Uma história original. Dois elementos que nas mãos de Moacyr Scliar viram magia. E que magia. É incrível como a ficção abre possibilidades para o imaginário, não é mesmo? É o desconhecido tangível. Em “A mulher que escreveu a Bíblia”, Moacyr Scliar exerce com proeza a arte milenar de contar histórias. E faz mais: faz isso com uma obra histórica. Partindo de uma premissa muito básica que envolve o principal documento da cultura judaico-cristã, Scliar deixa claro logo nas primeiras linhas que somente o território da ficção torna o impossível possível. A leitura desse livro é sobretudo divertida. Não há como sair indiferente e não dar pelo menos uma risada das situações vividas pela nossa protagonista. E tem mais: Scliar cria uma voz feminina com propriedade aqui, e mesmo não sendo natural, é crível. Além disso, brincar com situações que povoam o imaginário coletivo e com personagens que podem ter sido reais ou, melhor ainda, ficcionais, é um campo perfeito para um escritor que conhece bem suas qualidades de escrita - e o gaúcho sabia muito bem das suas. Posso estar errado, mas identifiquei alguns acenos para o clássico ocidental “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, pois há discussões sobre vaidade, pecado, poder e a eterna - porém tosca - batalha entre beleza e inteligência, aqui muito bem explorada. Ah, é claro, e a história tem bons momentos sobre sexo, algumas pitadas (ou seriam observações?) de feminismo e os malditos espelhos! “A mulher que escreveu a Bíblia” é um oásis em nossa produção recente, vale a pena se perder nele. É fácil de ler, gostoso de acompanhar e imprescindível para indicar. Além disso, funciona como um belo cartão de visitas para a produção do acadêmico Scliar. Virou favorito.

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