A Mulher que Escreveu a Bíblia (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #15) -

    Moacyr Scliar

    Folha de S.Paulo
    2012
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788579490613
    Português Brasileiro

    A beleza é passageira, a feiura é para sempre. A anônima mulher que escreveu a Bíblia conhecia, apesar do susto quando viu pela primeira vez um espelho, essa máxima. Era a mais feia entre as 700 mulheres do rei Salomão, porém dotada de uma qualidade que a fez especial, especialíssima: sabia ler e escrever. O dom valeu a essa fêmea superior a missão, delegada pelo rei, de narrar a saga da humanidade, além de "um verdadeiro banquete de sexo", como ela mesma descreve, em êxtase. É o que nos conta o divertidíssimo livro do escritor gaúcho Moacyr Scliar (1937-2011), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano 2000. "A Mulher que Escreveu a Bíblia" nos surpreende, com risadas e seguidas comoções, ao explorar a terapia de vidas passadas e o erotismo – do mais popular ao mais bíblico. Deliciosa viagem literária.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo14/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sagrada sacanagem

    Humor refinado. Uma história original. Dois elementos que nas mãos de Moacyr Scliar viram magia. E que magia. É incrível como a ficção abre possibilidades para o imaginário, não é mesmo? É o desconhecido tangível. Em “A mulher que escreveu a Bíblia”, Moacyr Scliar exerce com proeza a arte milenar de contar histórias. E faz mais: faz isso com uma obra histórica. Partindo de uma premissa muito básica que envolve o principal documento da cultura judaico-cristã, Scliar deixa claro logo nas primeiras linhas que somente o território da ficção torna o impossível possível. A leitura desse livro é sobretudo divertida. Não há como sair indiferente e não dar pelo menos uma risada das situações vividas pela nossa protagonista. E tem mais: Scliar cria uma voz feminina com propriedade aqui, e mesmo não sendo natural, é crível. Além disso, brincar com situações que povoam o imaginário coletivo e com personagens que podem ter sido reais ou, melhor ainda, ficcionais, é um campo perfeito para um escritor que conhece bem suas qualidades de escrita - e o gaúcho sabia muito bem das suas. Posso estar errado, mas identifiquei alguns acenos para o clássico ocidental “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, pois há discussões sobre vaidade, pecado, poder e a eterna - porém tosca - batalha entre beleza e inteligência, aqui muito bem explorada. Ah, é claro, e a história tem bons momentos sobre sexo, algumas pitadas (ou seriam observações?) de feminismo e os malditos espelhos! “A mulher que escreveu a Bíblia” é um oásis em nossa produção recente, vale a pena se perder nele. É fácil de ler, gostoso de acompanhar e imprescindível para indicar. Além disso, funciona como um belo cartão de visitas para a produção do acadêmico Scliar. Virou favorito.

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