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    7 de Allan Poe (Coleção Calouro) - por Clarice Lispector

    Clarice Lispector, Edgar Allan Poe

    Edições de Ouro / Tecnoprint
    1974
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    19 avaliações
    Leram54Lendo4Querem86Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados86Avaliaram19

    Sete contos de Allan Poe selecionados e reescritos por Clarice Lispector.

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    Resenhas (1)Ver mais
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT10/12/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Minhas impressões - sem spoiler.

    Como o próprio título já diz, nesse livrinho contém sete contos selecionados e reescritos por Clarice Lispector: -O Caso do Sr. Waldemar -A máscara da Morte Rubra -William Wilson -O gato preto -O barril de Amontillado -Manuscrito encontrado numa garrafa -O coração denunciador Acho difícil avaliar um livro de contos. Falarei aqui somente dos meus preferidos dessa obra, em ordem de preferência: 1º O gato preto, que conta a história de um homem que sempre gostou muito de animais, e quando se casou, ele e sua esposa adotaram um lindo gato preto. Tanto ele quanto a esposa apreciavam o animal, no entanto, com uma vida de embriaguez, ele acabava descontando sua fúria no gato, que sempre o acompanhava docilmente. Um dia o homem ficou enfurecido após uma mordida do gato que havia sido provocado, e resolveu arrancar-lhe o olho. O gato sobreviveu ao ferimento e... bem, é melhor você ler o conto para descobrir o que acontece. 2º No primeiro conto, intitulado nesse livro como O caso do Sr. Waldemar, o narrador é um homem que, vendo que seu ofício de hipnotizador estava lhe rendendo bons frutos há três anos, notou que a única experiência que lhe faltava era hipnotizar alguém à beira da morte, pois queria descobrir se alguém nessa condição seria suscetível à hipnose e se a influência seria aumentada ou diminuída nesse caso. Veio a oportunidade de utilizar seu experimento em seu amigo diagnosticado com tuberculose, o Sr. Waldemar. O plano era ir até a casa do amigo assim que os médicos lhe previssem as últimas vinte e quatro horas de vida. A hipnose funcionou. Durante quase sete meses o Sr. Waldemar ficara magnetizado, até que P. (o narrador), junto com as testemunhas do experimento - médicos, enfermeiros e um estudante - decidiram finalmente despertar o doente, que ainda tinha sinais vitais quase imperceptíveis... O que será que acontece ao despertá-lo? Leia para descobrir. 3º O último conto, intitulado O coração denunciador, não vou contar exatamente o que se segue, pois o resumo revelaria o enredo simplório. Deixo claro que a narração desse conto é uma das melhores que já li nas obras de Poe. Vou explicar: sabe quando você finalmente faz algo que sempre quis fazer, sabendo que isso causaria espanto a quem descobrisse, e sente que a adrenalina é demais para você, a ponto de parecer que seu corpo não vai suportar? Então. Essa é a história de um homem que ficara tão desesperado com seu segredo cabuloso, que acabou ficando praticamente maluco, ficando até meio sem ar, empalidecendo, a cabeça doía, os ouvidos zumbiam. Pensava que as outras pessoas também ouviam as batidas ensurdecedoras de seu coração; pensava que as pessoas ao seu redor estavam fingindo não escutar o barulho que tanto lhe perturbava. Ele, em crescente agonia, e as outras pessoas ali, zombando de seu desespero. Para saber o que acontece com esse homem, leia o livro. Bem, desculpe-me se me alonguei ao expor minhas interpretações. Acabei de terminar a leitura e fiquei inspirada a escrever. Daí você me pergunta: e os outros contos? E eu respondo: não senti grande impacto. Compensa comprar esse livro? Bem, eu paguei seis reais, usado, mesmo já tendo lido há muito tempo todos esses contos e mais alguns presentes no livro Histórias Extraordinárias, também traduzido e adaptado por Clarice Lispector. Se você ainda não teve o prazer assustador de ler Poe, não sabe o que está perdendo!

    45 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 19
    • 5 estrelas42%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Clarice Lispector

    Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade. A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante. Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

    135 Livros
    7.101 Seguidores
    Vinnytsia, Ucrânia

    Clarice Lispector