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    Lucinde (Biblioteca Pólen) -

    Friedrich Schlegel

    Iluminuras
    2019
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-13: 9788573216158
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    O romance Lucinde (1799), de Friedrich Schlegel, representa a primeira tentativa ambiciosa de transpor a teoria do romance para a práxis. Em um famoso fragmento da Athenäum, Schlegel equipara a Revolução Francesa, a Doutrina-da-Ciência, de Fichte, e o Wilhelm Meister, de Goethe. Ele entendia a revolução em um sentido mais amplo, como uma progressão permanente, a qual deveria constantemente revolucionar a si mesma. A tarefa do romance romântico consistia em unificar todos os elementos dessa revolução, ampliando-a, através de sua constituição complexa e autorreflexiva, de um modo duradouro no futuro. De certa forma, Lucinde é um dos documentos mais significativos da modernidade estética e filosófica. Mas é também o documento de um desenvolvimento revolucionário da relação entre os gêneros, e da convivência e reflexão comuns entre espíritos livres. Mesmo antes de seu romance, Schlegel já se encontrava entre os primeiros defensores da igualdade intelectual entre mulheres e homens, os quais reivindicavam, ao mesmo tempo, novas formas de comunhão entre eles. O que Lucinderepresenta artisticamente, e coloca em discussão de uma forma poética, que foi hostilizada e muitas vezes contestada pelos contemporâneos, é a experiência vivida em Iena na residência comunitária dos irmãos Friedrich e August Wilhelm, Dorothea, Caroline e outros. Assim, repensar a história, a cultura, a poesia e a filosofia da mulher significava não apenas deduzir uma conclusão ética a partir do princípio iluminista da igualdade de todos os seres humanos, mas possuir uma atitude subversiva em relação ao conhecimento estabelecido no seu todo. A desestabilização das relações através da ruptura com as supostas oposições entre os sexos era programática: Lucinde pertence a uma série de tentativas, por parte de Schlegel, de colocar sistematicamente em questão uma forma de pensamento que se orientava de acordo com as dicotomias tradicionais. Se não é mais simplesmente possível relacionar a mulher ao âmbito da natureza, e o homem ao âmbito do espírito, talvez seja porque a própria dicotomia entre natureza e espírito é falsa, e que, possivelmente, a natureza seja tão espiritual, quanto o espírito natural. Em um sentido empático e romântico, talvez a arte fosse o lugar no qual dicotomias como natureza e espírito, mulher e homem devessem ser suprimidas, com vista à sua convivência comum, preservando aberto o conceito de ser humano. Até hoje esse pensamento não perdeu nada de sua força explosiva e revolucionária. CHRISTIAN BENNE Professor de Literatura Europeia e História das Ideias na Universidade de Copenhague e Presidente da Friedrich Schlegel-Gesellschaft

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    blue.uchiha25/11/2023Resenhou um livro
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    Schlegel e seu tratado sobre romance

    "Por essa razão, ele reprimia todo amor em seu íntimo, deixando que ali a paixão se desencadeasse, queimasse e se consumisse." Lucinde, este romance de Schlegel mais parecido como um tratado de teoria do romance para a práxis. Um tanto revolucionário na época, tanto que recebeu duras críticas de autores como Hegel e Kierkegaard, por ser segundo eles, um manifesto obsceno. Como tive que ler para uma disciplina da universidade tive que esmiuçar um pouco a obra. E apesar de ter demorado para ler, mesmo sendo um livro curto, adorei, principalmente alguns tópicos que Schlegel aborda, nem parecendo ser um homem do século XVIII. Na verdade, parece um tratado sobre o romance até bem moderno e por isso deve ter sido tão criticado, além do mais, a inspiração dessa obra foi seu casamento com Dorothea Schlegel, ele também pensa numa desestabilização das relações através da ruptura das supostas dicotomias dos sexos do século, claro fazendo parte do Romantismo de Jena, veio "revolucionar" e incomodou, claro. Agora como leitora, adorei partes que ele questionava comportamentos que homens não podiam ter, mas mulheres e meninas sim, como chorar, ou também o que chamamos de brotheragem, porque amava seus amigos homens. Talvez cause até uma estranheza, como assim estou lendo isso de um livro de 1799?! Mas com toda certeza Schlegel transcende e quis realmente questionar...

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    Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel

    Friedrich Schlegel foi um poeta, crítico literário, filósofo, filólogo e tradutor alemão. Irmão mais novo do também filósofo August Wilhelm Schlegel, participou da primeira fase do Romantismo na literatura alemã, conhecida como Frühromantik ou Romantismo de Jena. Schlegel foi também um pioneiro nos estudos das línguas indo-europeias e da linguística comparada.

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    Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel