Edição de número 42 dos "Cadernos Negros", 2019, indicada como finalista na primeira fase do prêmio Jabuti de 2020. Não se trata de uma literatura escrita somente por mulheres, mas percebe-se uma proeminência da escrita feminina negra; o fio condutor é a escrevivência - termo cunhado por Conceição Evaristo - a escrita que nasce do cotidiano e da experiência da mulher negra; uma narrativa em direção ao outro de si, dando voz a várias mulheres, partindo do coletivo para a coletivação, tornado-a tocante e visceral. As escritas em primeira e terceira pessoa resgatam a ancestralidade, a outridade, a violência de gênero, o racismo cotidiano, estrutural, a expressão do feminismo negro, a necropolitica, a valorização cultural, dos próprios traços da pele negra, da tradição griot - um conhecimento que se prenuncia com a existência do corpo - e uma compreensão do pensamento social brasileiro. Mulheres-nação-corpo-território de Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez nos ajudam a pensar a escrita dessas mulheres. Me chamou a atenção os contos de Ana Fátima, Esmeralda Ribeiro, Lílian Paula Serra e Deus, Val Lourenço, Alessandra Sampaio e Zainne Lima da Silva, esta última autora dialoga com Stela do Patrocínio. Vou procurar recorrentes contos em outras edições.
Cadernos Negros - volume 42 - Contos afro-brasileiros
Márcio Barbosa, Esmeralda Ribeiro
Quilombhoje
2019
345 páginas
11h 30m
ISBN-13: 9788587138408
Português Brasileiro
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