Os Filhos do Capitão Grant (FC Hemus) -

    Júlio Verne

    Hemus
    1972
    358 páginas
    11h 56m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Texto da primeira orelha: "Junho de 1862, o navio Britânia naufraga nas costas da Patagônia, no hemisfério austral. Dois marinheiros e o capitão Grant tentam abordar o continente mas são aprisionados por nativos selvagens. Lançam no mar uma mensagem desesperada pedindo socorro. A mensagem encontrada foi a única esperança de que estivessem vivos e fui suficiente para lançar ao mar os filhos do capitão Grant, auxiliado [sic] por homens de audácia e coragem, comandados por lorde Glenarvan e seu iate Duncan. Mas, só um milagre salvaria os ousados aventureiros em sua fantástica jornada que poderia levar os filhos ao encontro do pai.

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    Krishna Nunes16/09/2021Resenhou um livro
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    Aventura com gostinho de infância

    Como várias das narrativas de Júlio Verne, esta é uma história de aventura e exploração. Motivados por uma mensagem em uma garrafa encontrada no estômago de um tubarão abatido na costa da Grã Bretanha, um Lord escocês e seus acompanhantes partem para uma missão de resgate na América do Sul. Para encontrar seus conterrâneos perdidos na região da Patagônia, esse grupo viaja até a costa do Chile, cruza a cordilheira dos Andes e os pampas argentinos, enfrentando todo tipo de perigos. Entre outras adversidades, os exploradores sobrevivem ao frio, tremores de terra, calor intenso, inundações e tempestades de raios. Apesar de muito detalhista nas descrições do cenário, da geografia, da história e até das espécies de plantas e animais encontradas pela jornada, a narrativa é ágil e pontilhada de reviravoltas. Já os personagens não são desenvolvidos, suas personalidades são apenas superficiais e todos os homens são dados a atitudes heroicas e altruístas. As mulheres, por outro lado, apesar de grandes incentivadoras, nobres, caridosas e até inteligentes, na hora da aventura é preciso que fiquem aguardando num lugar seguro até que os homens resolvam tudo. Mas ainda que o livro seja cheio de anacronismos e seja possível perceber o machismo e racismo estrutural (afinal, ele foi escrito em 1865), a jornada é realmente didática. Lendo com atenção e pesquisando os termos, os locais, os animais e os personagens históricos, é possível aprender bastante com ela. Verne era um erudito que gostava de esbanjar seu conhecimento de geografia e ciências naturais em suas aventuras e fazia isso bem. Porém era um conhecimento baseado em livros e relatos, já que ele mesmo não viajou para conhecer o mundo. Por isso, uma coisa comum em seus livros são certas distorções e exageros para encaixar elementos do cenário nas necessidades da narrativa. Por exemplo, na falta de outras feras que pudessem atacar os viajantes no meio dos pampas, ele inventou uma matilha de lobos-guará sanguinários, algo que definitivamente não existe na natureza. Mesmo assim, como eu não lia um livro de Júlio Verne desde a adolescência, esse aqui foi agradável e teve sabor de infância.

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