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    Ramsés 1 - O Filho da Luz -

    Christian Jacq

    Bertrand Brasil
    2007
    389 páginas
    12h 58m
    ISBN-13: 9788528606683
    Português Brasileiro
    4.2
    3478 avaliações
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    Favoritos26Desejados1775Avaliaram3478

    Quando evocamos a grandeza do Egito Antigo, um nome vem imediatamente à nossa mente: Ramsés, o faraó que reinou durante 60 anos, combateu inúmeros inimigos e cujos feitos estão talhados em esculturas nos templos egípcios e em narrativas poéticas. No primeiro volume desta magnífica saga, "O Filho da Luz", Ramsés acalenta anseio de torna-se o sucessor ao trono. Contudo, Ramsés não é o filho primogênito, e essa primazia naturalmente será destinada a chenar, seu irmão mais velho. Mas, quem realmente sucederá Sethi? O Calculista e ambicioso Chenar? Ou o apaixonado e vigoroso Ramsés? Secretamente, Sethi inicia o filho mais novo à sagrada e suprema função. As provações e armadilhas mortais se multiplicarão. Conseguirá Ramsés escapar às intrigas do irmão? Saberá escolher entre a apaixonada Iset a Bela e a misteriosa Nefertari? Ramsés só poderá contar com a amizade de alguns amigos fiéis: Ameni, o escriba; Moisés, seu condiscípulo hebreu; e Setaou, o encantador de serpentes. Assim se inicia a jornada apaixonante do heroí egípcio conhecido como "O Filho da Luz", em um mundo repleto de sabedoria, que será paulatinamente desvendando a cada volume da Série Ramsés.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz17/01/2026Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    O retrato do Egito e a formação mítica de um faraó

    Ramsés II, o Grande Faraó, é a representação da essência da civilização egípcia em seu auge. Por isso, não acredito que tenha sido por acaso que Christian Jacq, um egiptólogo renomado, tenha desenvolvido um grande fascínio por esse poderoso personagem histórico, fascínio esse que o levou a escrever esta série de livros sobre aquele que é tido como o maior de todos os faraós. Dito isso, o que percebo neste primeiro livro, Ramsés, O Filho da Luz, é que o autor faz da ambientação do Egito, sem dúvida, um de seus maiores triunfos. A forma como o mundo egípcio é construído me deixou profundamente imersa na narrativa: o Nilo, os templos, os rituais, a descrição dos deuses e da espiritualidade que atravessa todas as esferas do poder fazem o Egito parecer um organismo vivo, fazendo com que, ao menos nesse aspecto, o romance de Jacq cumpra muito bem seu papel ao despertar em mim uma curiosidade genuína por essa grande civilização ancestral. No entanto, sinto que Jacq perde um pouco o domínio da narrativa quando adentra a corte real e passa a tratar das intrigas políticas que cercam a sucessão de Seti. O conflito fratricida é apresentado por meio de Chenar, supostamente o irmão mais velho de Ramsés e aquele que deveria herdar o trono em vez do caçula. Vale dizer que Chenar é um personagem completamente inventado: historicamente, não houve nenhum conflito na sucessão ao trono, e Ramsés foi treinado desde criança por seu pai, Seti, para sucedê-lo no poder. Talvez por isso esse pano de fundo criado por Jacq, na intenção de desenvolver uma subtrama de intrigas, tenha se mostrado raso e tenha brilhado bem menos do que o próprio faraó Seti e a preparação e o desenvolvimento do príncipe Ramsés para assumir o trono. O autor até consegue criar um suspense diminuto, mas ele é tratado com extrema simplicidade, de maneira quase esquemática, o que tira parte da complexidade que se esperaria de um embate pelo trono de um dos maiores reinados da Antiguidade. E falando dos personagens, Seti, é um dos maiores méritos de toda a obra, ele é construído como um faraó justo e ético, que se mostra profundamente comprometido com a Maat, princípio que rege a harmonia entre deuses, Egito e governante. Ele compreende seu papel como faraó e exerce o poder como serviço ao país, e não como privilégio. Já Chenar é quase caricato: fisicamente decadente, com carnes fartas e flácidas, entregue aos excessos, aos banquetes e às intrigas palacianas. Chenar não deseja governar o Egito; deseja que o Egito o sirva. Seu projeto de poder é pessoal, centrado na vaidade e no domínio, não na responsabilidade. Ele se acredita muito astuto, mas sua ganância encurta sua visão. Suas conspirações, inclusive sua aproximação com os gregos no final do livro, me pareceram frágeis e mal calculadas, o que enfraquece sua credibilidade política e o torna, em minha opinião, o ponto mais fraco da narrativa. Entendo que o autor tenha optado por retratar Chenar de forma rasa justamente para não tornar essa rivalidade entre irmãos excessivamente complexa, fazendo com que ele funcione mais como o oposto simbólico de Ramsés, a personificação do desequilíbrio do Isfet, o caos, frente à ordem da Maat. Ainda assim, enxergo isso como uma fragilidade da história. Ramsés, por sua vez, é construído como o herdeiro natural dessa ordem. Desde jovem, ele aparece em profunda comunhão com os deuses e com a natureza. É apresentado como uma criatura ardente, impulsiva, fulgurante como uma tempestade, movida por uma sede de viver inextinguível, imaginação sem limites e intuições por vezes excepcionais. Demonstra coragem e senso de justiça ao proteger de forma piedosa os mais fracos; ao longo de sua trajetória, salva animais feridos e cria vínculos quase mágicos com eles, o que reforça a imagem do escolhido em completa harmonia com os deuses que o auxiliarão a governar o Egito. Ainda assim, toda essa construção me levou a questionar até que ponto essa representação de Ramsés se apoia em crenças egípcias documentadas e até que ponto ela é uma romantização literária. Conceitos como a Maat e a sacralidade do faraó são historicamente fundamentados, mas a intensidade do misticismo e a idealização constante de Ramsés parecem ampliadas por Jacq para fins narrativos. O autor parece menos interessado em retratar o personagem histórico em sua complexidade humana e mais em construir o arquétipo do faraó ideal: o grande governante escolhido para encarnar a ordem e a harmonia do mundo. Ainda assim, gostei muito da construção do personagem, e seu desenvolvimento espiritual foi um dos pontos altos do livro. Quanto às personagens femininas, além de Touya, a mãe de Ramsés, que me pareceu uma figura centrada e bem desenvolvida, Iset e Nefertari, seus interesses românticos, não tiveram um desenvolvimento particularmente interessante ou digno de nota. Talvez os próximos livros tragam um aprofundamento maior dos relacionamentos amorosos do personagem. Também optei por não me aprofundar na presença de figuras históricas e míticas como Moisés (sim, o bíblico), Menelau, Helena de Troia e até mesmo Homero, que, segundo o romance, teria se instalado em uma vila egípcia para escrever A Ilíada. Esses personagens são inseridos na reta final do livro de forma breve e pouco desenvolvida, e por isso prefiro deixá-los para uma análise mais detalhada nos próximos volumes, quando acredito que sua presença possa ganhar maior densidade e coerência narrativa. A escrita do autor é simples, por vezes até um pouco áspera, algo perceptível sobretudo nos diálogos iniciais, mas evolui ao longo da narrativa conforme Ramsés amadurece. O livro chega ao final com um texto mais dinâmico e envolvente, especialmente quando o foco se desloca das intrigas da corte para a política externa, os territórios sob influência egípcia, as tensões diplomáticas e as constantes ameaças de guerra. A relação entre Seti e Ramsés se aprofunda, enquanto as conspirações de Chenar seguem como uma sombra constante. O romance cresce gradualmente, sustentado por mistérios e por um suspense discreto, mas eficaz. Mesmo com personagens por vezes excessivamente simbólicos e conflitos políticos simplificados, a história me prendeu e instigou. Ramsés, O Filho da Luz talvez não seja uma reconstrução histórica impecável, mas cumpre muito bem seu papel ao despertar meu interesse, minha curiosidade e minha vontade de seguir adiante na série.

    73 curtidas

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