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    Gente pobre (Coleção Leste) -

    Fiódor Dostoiévski

    Editora 34
    2009
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788573264333
    Português Brasileiro
    4
    8190 avaliações
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    Favoritos303Desejados12505Avaliaram8190

    Primeiro romance de Dostoiévski, "Gente Pobre" (1846) não é apenas um prenúncio do que o autor de "Crime e Castigo" faria no futuro. Nele já se encontra um escritor com domínio pleno do seu ofício, a ponto de Bielínski, principal crítico da época, ver na obra "mistérios e caracteres da Rússia com os quais ninguém até então havia sequer sonhado" e "a primeira tentativa de se fazer um romance social" no país. Partindo das experiências de Púchkin, em "O Chefe da Estação", e Gógol, em "O Capote", que deram ao homem comum uma nova roupagem literária, Dostoiévski criou uma narrativa epistolar que subverteu o gênero por completo e foi imediatamente aclamada pelo público, fazendo de seu autor, praticamente da noite para o dia, um escritor consagrado. Pela troca de cartas entre Makar Diévuchkin, funcionário menor de uma repartição pública de Petersburgo, e sua vizinha Varvara Alieksiêievna, uma jovem órfã injustiçada, o leitor acompanha de perto as pequenas alegrias e os constantes sofrimentos dos dois personagens. Com seu talento fora do comum, Dostoiévski explora a fundo as variações de tom e tratamento, de saltos e encadeamentos na ação, para dar voz a um universo comovente de afetos e valores, que a tradução de Fátima Bianchi soube tão bem captar.

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    Fábio Godói02/11/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Lembre-se de que pobreza não é defeito"

    Gente Pobre é primeiro romance de Dostoiévski e como todo gênio, seja o primeiro livro ou o último todos são bons. Mesmo sendo epistolar, conseguimos nos transportar para o cotidiano dos miseráveis, dos pobres, dos humildes em seu dia-a-dia na antiga São Petersburgo. O livro tem poucas páginas, mas com muito conteúdo, principalmente sobre a pobreza que sempre é acompanhada com doenças. Makar e Varvara, os dois personagens principais, tem em comum o bullying. Este sofreu na infância no internato, aquele sofreu no serviço militar. Como é de praxe, nas obras dostoievskiana, neste livro também encontramos um pouco de filosofia, na qual, Dostoiévski mostra como os pobres são expostos. Em sua visão, os pobres são expostos justamente por serem pobres. Na mente da sociedade o indivíduo pobre não sente vergonha que sua vida seja explorada, verificada, sua casa seja vasculhada, que seu nome esteja na boca de todos que dizem: “Como ele é pobre..., o que ele vai comer no almoço...” isso é mentira, pois o pobre também tem pudor. Para exemplificar, ele diz que, às vezes, por uma pessoa fazer uma doação a um homem pobre, seja em dinheiro ou cesta básica, esse doador pensa que tem direito em vasculhar sua vida e de sair falando de como não encontrou nada na geladeira do miserável. O doador não está fazendo uma doação, mas, pagando para expor a pobreza de outrem. Até a caridade anda confusa, conclui o autor. Não há como não concordar com essa hipótese até os dias de hoje, veja os inúmeros exemplos que temos na televisão. O Programa do Gugu, em seus quadros de doações, de ajudar o próximo, expõe totalmente a pobreza da pessoa, a miséria em que ela vive, com quem vive, mostra para milhões que assiste o programa, para conseguir unicamente audiência. Chama a cidade inteira pra ir ver a doação, para depois, como em um ato de caridade e bondade ajudá-la, dando casa, roupas, móveis. Isso é caridade? De acordo com esse livro não. O programa está pagando para expor (de uma forma sensacionalista) a vida dos ajudados. Todavia, ninguém que recebe está preocupado com isso, muitas das vezes, as pessoas são tão humildes que acreditam que o próprio Gugu seja o misericordioso, o homem caridoso, não se lembram que ele é apenas o apresentador. O Gugu nunca tirou dinheiro de seu bolso, quem paga é a Record com os patrocinadores, quem escolhe quem vai ser ajudado é a produção e direção do programa, ele apenas e unicamente apresenta o quadro. Outra hipótese é sobre as roupas novas. Segundo o autor, compramos botas novas para os outros, não para nós, senão houvesse ninguém pra admirar nossas roupas novas, ficaríamos com as velhas. Contudo, como existem as pessoas para verem, se usamos roupas velhas, corremos perigo de perder a honra, de ser mal olhado na rua, de ser mal atendido em algum lugar... CHEGA! Quanta informação, lições, aprendizado tem em um livro que nada mais é que uma coletânea de cartas. Tem pessoas no mundo que realmente estão a passeio, senão conhecem ou nunca leram nada de Dostoiévski!

    428 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 8190
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski profile picture

    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski

    Dostoiévski – foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita." A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas idéias.

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    Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski