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    Gente Pobre -

    Fiódor Dostoiévski

    KTTK Editora
    2018
    125 páginas
    4h 10m
    ISBN-10: B07L54Y44Y
    Português
    4
    8194 avaliações
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    «Gente Pobre» marca a estreia de Dostoiévski na literatura, em 1846, e estabelece desde logo os fundamentos para uma abordagem social, psicológica e profundamente corrosiva da compreensão humana. A análise pormenorizada das personagens e suas convicções, enquadradas por um pano de fundo de crítica subtil, ganha em Dostoiévski uma força e um poder imagéticos que extravasam as páginas dos seus livros. Em «Gente Pobre», o autor transporta-nos para um dos bairros mais miseráveis de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade troca correspondência com uma jovem costureira. Demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo e apenas por cartas mantidas ao longo do tempo, que refletem a cruel realidade do dia a dia passado num ambiente de extrema precariedade.

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    Fábio Godói picture
    Fábio Godói02/11/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Lembre-se de que pobreza não é defeito"

    Gente Pobre é primeiro romance de Dostoiévski e como todo gênio, seja o primeiro livro ou o último todos são bons. Mesmo sendo epistolar, conseguimos nos transportar para o cotidiano dos miseráveis, dos pobres, dos humildes em seu dia-a-dia na antiga São Petersburgo. O livro tem poucas páginas, mas com muito conteúdo, principalmente sobre a pobreza que sempre é acompanhada com doenças. Makar e Varvara, os dois personagens principais, tem em comum o bullying. Este sofreu na infância no internato, aquele sofreu no serviço militar. Como é de praxe, nas obras dostoievskiana, neste livro também encontramos um pouco de filosofia, na qual, Dostoiévski mostra como os pobres são expostos. Em sua visão, os pobres são expostos justamente por serem pobres. Na mente da sociedade o indivíduo pobre não sente vergonha que sua vida seja explorada, verificada, sua casa seja vasculhada, que seu nome esteja na boca de todos que dizem: “Como ele é pobre..., o que ele vai comer no almoço...” isso é mentira, pois o pobre também tem pudor. Para exemplificar, ele diz que, às vezes, por uma pessoa fazer uma doação a um homem pobre, seja em dinheiro ou cesta básica, esse doador pensa que tem direito em vasculhar sua vida e de sair falando de como não encontrou nada na geladeira do miserável. O doador não está fazendo uma doação, mas, pagando para expor a pobreza de outrem. Até a caridade anda confusa, conclui o autor. Não há como não concordar com essa hipótese até os dias de hoje, veja os inúmeros exemplos que temos na televisão. O Programa do Gugu, em seus quadros de doações, de ajudar o próximo, expõe totalmente a pobreza da pessoa, a miséria em que ela vive, com quem vive, mostra para milhões que assiste o programa, para conseguir unicamente audiência. Chama a cidade inteira pra ir ver a doação, para depois, como em um ato de caridade e bondade ajudá-la, dando casa, roupas, móveis. Isso é caridade? De acordo com esse livro não. O programa está pagando para expor (de uma forma sensacionalista) a vida dos ajudados. Todavia, ninguém que recebe está preocupado com isso, muitas das vezes, as pessoas são tão humildes que acreditam que o próprio Gugu seja o misericordioso, o homem caridoso, não se lembram que ele é apenas o apresentador. O Gugu nunca tirou dinheiro de seu bolso, quem paga é a Record com os patrocinadores, quem escolhe quem vai ser ajudado é a produção e direção do programa, ele apenas e unicamente apresenta o quadro. Outra hipótese é sobre as roupas novas. Segundo o autor, compramos botas novas para os outros, não para nós, senão houvesse ninguém pra admirar nossas roupas novas, ficaríamos com as velhas. Contudo, como existem as pessoas para verem, se usamos roupas velhas, corremos perigo de perder a honra, de ser mal olhado na rua, de ser mal atendido em algum lugar... CHEGA! Quanta informação, lições, aprendizado tem em um livro que nada mais é que uma coletânea de cartas. Tem pessoas no mundo que realmente estão a passeio, senão conhecem ou nunca leram nada de Dostoiévski!

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