Stasilândia -

    Anna Funder

    Companhia das Letras
    2008
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-13: 9788535912364
    Português Brasileiro

    Em um relato de extraordinária qualidade literária, a australiana Anna Funder traça um emocionado perfil dos atos individuais de heroísmo e resistência que conduziram à queda do muro de Berlim. Posfácio de William Waack. A queda do muro de Berlim é talvez o fato histórico mais importante da segunda metade do século XX. "Nós somos o povo!", lembravam os manifestantes nos protestos que, a partir de setembro de 1989, se alastraram de Leipzig para toda a República Democrática da Alemanha, contribuindo decisivamente para pôr fim a quatro décadas de reinado absoluto de um socialismo sustentado em grande parte pelo aparato policial da Stasi - a polícia secreta da ex-Alemanha Oriental. E, no entanto, quem eram aquelas pessoas? Fascinada pelo muro e pelo mundo que ele ocultava, Anna Funder foi a campo em busca desse outro lado da história. Entrevistou vítimas e algozes de um regime que construiu o mais absurdo sistema de vigilância de que se tem notícia até hoje - na ficção ou na realidade. E, dos depoimentos de ex-agentes da Stasi e de verdadeiros heróis anônimos da chamada "revolução pacífica", construiu uma emocionante narrativa que revela as pequenas histórias de que é feita a História. "Uma obra-prima de análise investigativa, escrita à maneira de um romance e com uma mistura perfeita de empatia e distanciamento." - The Sunday Times "Anna Funder dá vida a um povo que até hoje careceu não apenas de voz, mas também de quem se dispusesse a ouvi-lo." - The Daily Telegraph

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    Alexandre Figueiredo15/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    De olhos bem abertos

    Anna Funder realiza uma proeza que, na minha humilde opinião, deve ser celebrada: ela convence os leitores mais apegados à ficção que é possível gostar de não ficção. Portanto, esse pequeno grande detalhe já merece nossa atenção. A autora faz aqui o que grandes escritores buscam fazer: colocar você, que está lendo, dentro da história - ou, neste caso específico, das histórias. Com uma prosa deliciosa, irônica e cadenciada somos transportados à Berlim Oriental entre as décadas de 1980 e 1990. O relato feito aqui, tão caro à prática jornalística, é lapidado com cuidado. Os leitores tornam-se, assim como Anna foi, testemunha ocular da História, aquela do "h" maiúsculo. E, para quem não viveu a época, viajamos no tempo para conhecer um dos sistemas de opressão mais terríveis criados pela humanidade: a espionagem. Aqui nem "1984" seria tão preciso a respeito das experiências vividas pelos berlinenses sob a vigia da Stasi, principal aparato de segurança do Estado Alemão Oriental. Mas não, não é só isso. Com "Stasilândia" entendemos um pouco da política que dividiu o mundo em duas ideologias no pós-guerra. Entendemos por que a burocracia é, na verdade, uma "burrocracia". As histórias contadas neste livro mostram a potência da realidade e funcionam como um aviso à memória para que não esqueçamos: devemos ficar de olhos bem abertos a qualquer possibilidade de novos regimes totalitários. Indicação fácil, atemporal.

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