Rosinha, minha canoa é solidão e loucura. É a forma que uma se relaciona com a outra suavemente, gentilmente. Zé Orocó, o personagem principal, é um dos antigos "loucos mansos" que não fazem mal a ninguém, mas que morrem um pouco ao serem retirados de seu meio, de seu amor. A canoa, Rosinha, é uma expressão de seus pensamentos, uma manifestação de seu meio que se mescla a natureza e a vida interioriana. É a chegada do urbanismo, do cientificismo, que transforma sua eco-sociedade, cheia de animais, misticismo e capiais que destroi a frágil comunidade e vai matando tudo a volta. O capítulo em que Zé consome o pouco de verde que ele encontra dentro dos muros dos hospício e horrível em sua tristeza, no desespero. Ainda assim, é uma leitura peculiar por sua doçura que traz um fundo amargo... como tudo o que José Mauro de Vasconcelos escreveu. Recomendo.










