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    O Outono do Patriarca -

    Gabriel Garcia Marquez

    Record
    1993
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-10: 8501009733
    Português Brasileiro
    3.9
    623 avaliações
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    Favoritos4Desejados1297Avaliaram623

    Gabriel García Márquez já se referiu a "O Outono do Patriarca" como um poema sobre a solidão do poder. Primeiro romance depois de "Cem Anos de Solidão" (1967), esta obra, publicada em 1975, representa uma alegoria do autoritarismo na América Latina. Através dos delírios de um ditador quimérico, lendário, arqueológico, o autor erigiu outra de suas catedrais literárias. Há mais de um século no comando, o patriarca de García Márquez faz o tempo avançar e retroceder em monólogos que comportam diálogos, construídos com imagens que evocam a loucura e o lirismo, descentrando a história, a geografia, a linguagem. Assim "O Outono do Patriarca" traz a saga de um ditador com idade indefinida entre 107 e 232 anos, vagando num universo onde tudo conduz à lembrança do tempo acumulado. No palácio presidencial, onde pastam vacas, o patriarca é um solitário entre concubinas, perseguido por um apetite sexual senil, ouvindo harpas ao vento e a subida das marés, atrasando relógios e maquinando em um cenário em que galinhas errantes bicam móveis e cadáveres, a solidão precipita o terror e desfralda a superstição em um imenso bazar da mitologia sobre o poder no continente. As formigas mortais do último capítulo de "Cem Anos de Solidão" compõem uma epígrafe deste outono anunciado. São obras-primas, que se completam, se seguem, constituindo as fabulações insuperáveis. "O Outono do Patriarca" é um dos melhores momentos do gênio criativo do mestre do realismo mágico.

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    Resenhas (45)Ver mais
    Clio picture
    Clio14/07/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Outono do Patriarca é uma metáfora para o fim das ditaduras na América Latina. Num sobrado abandonado, um velho general observa sua obsolência em um mundo que já não o venera, considera ou consulta. Tudo o que fazia o homem temido e respeitado é pouco a pouco corroído pelo tempo ou devorado pelos animais a sua volta - são os novos tempos e a nova geração de políticos igualmente interessados no poder. A interpretação da história exige uma certa dose de conhecimento do século XX, especialmente sobre a América do Sul. A escrita de Garcia Marques é linda, lírica, e pode facilmente entreter alguém sem o conhecimento necessário ou mesmo a vontade de destrinchar a história, lendo o que parece apenas o conto de um velho. Há muitos críticos em torno dessa obra, Vargas Llosa chegou a dizer que O Outono do Patriarca éra García Márquez fingindo ser García Márquez. Em minha opinião, como alguém de um país onde o coronelismo ainda impera, a trama é dolorosamente familiar. Recomendo.

    193 curtidas

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