Manon Lescaut (Coleção Obra-Prima de Cada Autor) -

    Abade Prévost

    Martin Claret
    2010
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788572326407
    Português Brasileiro

    Antoine-François Prévost (1697-1763), escritor francês, teve uma vida bem conturbada. Hesitando entre a carreira militar (lutou na guerra da sucessão espanhola e na franco-espanhola) e a vida religiosa, terminou por decidir-se por esta última, passando pela Ordem dos Jesuítas e pela Ordem dos Beneditinos, na qual fez os votos em 1721. Por causa de um desentendimento com abades desta última Ordem, que lhe rendeu uma ordem real de prisão, Prévost fugiu para a Holanda, Inglaterra e depois voltou a morar, clandestinamente, na França. Posteriormente, em 1736, foi perdoado pelos beneditinos e o papa.Foi na Holanda que, pela primeira vez, o romance A história do Cavaleiro des Grieux et de Manon Lescaut foi publicado (1730). A obra foi considerada escandalosa, e condenada pela Igreja. Em 1753, sai uma nova edição, revisada e acrescida de um episódio. A bela e imorredoura história de amor do Cavaleiro des Grieux e de Manon Lescaut deu origem à célebre ópera de Giacomo Puccini, bem como, adentrando o século XX e o XXI, a vários filmes e séries para a televisão.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT15/12/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Des Grieux era bobinho

    Desde a primeira vez em que li Dom Casmurro, muito me interessou a maneira como a intertextualidade está presente em várias partes de sua narrativa. Machado provoca o (a) leitor (a) de seu livro a ter consciência e criticidade sobre o que lê, sempre sugerindo traços de caráter, tanto de Bentinho como de Capitu. Assunto digno de TCC, portanto falarei aqui somente de um caso intertextual tentando resumi-lo. Em Dom Casmurro, especificamente no cap. XXXIII - O Penteado, após a narração do beijo e todas as sensações que esse ato havia provocado em Bentinho, há a seguinte passagem: "Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. Com dezessete, Des Grieux (e mais era Des Grieux) não pensava ainda na diferença dos sexos.". Um dia desses fui ao sebo e lá encontrei vários livros baratinhos e entre os quais me chamaram a atenção, havia um livro intitulado Manon Lescaut, POR APENAS UM REAL! Li atrás: "Manon Lescaut: o dramático romance entre Des Grieux - fervoroso jovem de boa família - e a bela Manon Lescaut, moça frívola e inescrupulosa que ama qualquer um que lhe garanta uma vida de luxo (...) Na época, o livro foi queimado pelas autoridades, que nele viram um atentado aos bons costumes.". Comprei. Esse romance francês foi escrito por Abade Prévost e sua primeira edição foi publicada em 1731, sétimo volume da coletânea "Memórias e Aventuras de um Cavalheiro". Possui dois narradores: o primeiro é um homem que havia ido tratar de uma causa no parlamento e pelo caminho viu um grande tumulto, por curiosidade ele queria saber o que estava acontecendo. Após passar por um informante, o homem aproximou-se de um rapaz e este começou a lhe contar parte de sua desgraçada vida. Comovido com o ocorrido, e sabendo que os guardas não permitiam que o casal se aproximasse, o homem ajudou o rapaz a falar por um instante com sua amada. Após dois anos desse episódio, o homem deparou-se com o rapaz na rua. Vendo que ele ainda estava com péssima aparência, e como antes, percebia-se que era "gente de bem" (padrão burguês), convidou-o a ir até o local onde estava hospedado para conversarem. Nessa conversa, troca-se o narrador. O rapaz que se chama Des Grieux conta sua história ao homem, que permanece comovido. Para explicar a mudança de narrador, o primeiro conta que transcreveu a história exatamente como o rapaz lhe disse. Vamos então às principais características do casal: - Des Grieux: tinha dezessete anos e havia terminado os estudos de filosofia, e sua família, que era um tanto quanto conservadora, o encaminharia à carreira eclesiástica; quando por acaso encontrou na rua a linda Manon, e foi amor à primeira vista. Ele era ingênuo e sua vida era bastante pacata até conhecê-la. - Manon Lescaut: era um pouco mais nova que ele, e disse que sua família a encaminharia ao convento, então acabou fugindo com Des Grieux. Era uma das moças mais belas da região, e por onde passava, causava admiração. Ela tinha uma personalidade sedutora e gostava de viver luxuosamente, apesar de ser pobre. Citações: "Pareceu-me tão linda, tão encantadora, que eu, até então nunca tinha pensado na diferença dos sexos e muito menos olhado para uma mulher com mais atenção do que para qualquer outra criatura, eu, cuja inocência era por todos admirada, encontrei-me de repente inflamado até o arrebatamento." "(...) não tenho forças para suportar provas tão vivas da tua afeição. Não estou acostumado a esses excessos de alegria. Meu Deus! nada mais vos peço: estou certo de possuir o coração de Manon; encontrei nele os afetos que desejava para ser feliz; não posso agora deixar de o ser; eis a minha felicidade realizada." O livro é fininho, mas me arrebatou de tal modo que não tive forças para terminá-lo em um único dia. A leitura não é arrastada de modo algum, só que há tantas reviravoltas na história, que chega a cansar um pouco. A escrita não chega a ser de difícil compreensão, pelo contrário, achei até mais fácil do que Dom Casmurro. De acordo com o que está escrito na contra-capa, essa história inspirou diversas artes, sendo elas: óperas, filmes e séries televisivas (ainda não os vi) e provavelmente outras obras além de Dom Casmurro. Recomendo a leitura principalmente às pessoas mais sensíveis que acreditam realmente no amor.

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