Manon Lescaut, publicado pela primeira vez em Paris em 1731 por Abade Prevost. A obra foi imediatamente banida por ser considerada escandalosa e imoral para os costumes da época. Trata-se da história de Des Grieux um rapaz nobre, ingênuo e de boa família que se apaixona pela jovem e bela amante dos prazeres da vida Manon Lescaut. O rapaz desafia a família e a todos para viver com sua amada, a qual não necessariamente é apaixonada por ele, mas sim pelo dinheiro e por tudo que ele pode comprar. Manon Lescaut causou escândalo quando foi publicada em 1731, sobretudo pelo fato de que o abade Prévost, extraiu parcialmente da sua vida tumultuada a matéria para a sua obra prima. Manon Lescaut, serviu de inspiração para a ópera homônima de Giacomo Puccini.
Manon Lescaut -
Abade Prévost
Edições (3)
Ver maisDes Grieux era bobinho
Desde a primeira vez em que li Dom Casmurro, muito me interessou a maneira como a intertextualidade está presente em várias partes de sua narrativa. Machado provoca o (a) leitor (a) de seu livro a ter consciência e criticidade sobre o que lê, sempre sugerindo traços de caráter, tanto de Bentinho como de Capitu. Assunto digno de TCC, portanto falarei aqui somente de um caso intertextual tentando resumi-lo. Em Dom Casmurro, especificamente no cap. XXXIII - O Penteado, após a narração do beijo e todas as sensações que esse ato havia provocado em Bentinho, há a seguinte passagem: "Não mofes dos meus quinze anos, leitor precoce. Com dezessete, Des Grieux (e mais era Des Grieux) não pensava ainda na diferença dos sexos.". Um dia desses fui ao sebo e lá encontrei vários livros baratinhos e entre os quais me chamaram a atenção, havia um livro intitulado Manon Lescaut, POR APENAS UM REAL! Li atrás: "Manon Lescaut: o dramático romance entre Des Grieux - fervoroso jovem de boa família - e a bela Manon Lescaut, moça frívola e inescrupulosa que ama qualquer um que lhe garanta uma vida de luxo (...) Na época, o livro foi queimado pelas autoridades, que nele viram um atentado aos bons costumes.". Comprei. Esse romance francês foi escrito por Abade Prévost e sua primeira edição foi publicada em 1731, sétimo volume da coletânea "Memórias e Aventuras de um Cavalheiro". Possui dois narradores: o primeiro é um homem que havia ido tratar de uma causa no parlamento e pelo caminho viu um grande tumulto, por curiosidade ele queria saber o que estava acontecendo. Após passar por um informante, o homem aproximou-se de um rapaz e este começou a lhe contar parte de sua desgraçada vida. Comovido com o ocorrido, e sabendo que os guardas não permitiam que o casal se aproximasse, o homem ajudou o rapaz a falar por um instante com sua amada. Após dois anos desse episódio, o homem deparou-se com o rapaz na rua. Vendo que ele ainda estava com péssima aparência, e como antes, percebia-se que era "gente de bem" (padrão burguês), convidou-o a ir até o local onde estava hospedado para conversarem. Nessa conversa, troca-se o narrador. O rapaz que se chama Des Grieux conta sua história ao homem, que permanece comovido. Para explicar a mudança de narrador, o primeiro conta que transcreveu a história exatamente como o rapaz lhe disse. Vamos então às principais características do casal: - Des Grieux: tinha dezessete anos e havia terminado os estudos de filosofia, e sua família, que era um tanto quanto conservadora, o encaminharia à carreira eclesiástica; quando por acaso encontrou na rua a linda Manon, e foi amor à primeira vista. Ele era ingênuo e sua vida era bastante pacata até conhecê-la. - Manon Lescaut: era um pouco mais nova que ele, e disse que sua família a encaminharia ao convento, então acabou fugindo com Des Grieux. Era uma das moças mais belas da região, e por onde passava, causava admiração. Ela tinha uma personalidade sedutora e gostava de viver luxuosamente, apesar de ser pobre. Citações: "Pareceu-me tão linda, tão encantadora, que eu, até então nunca tinha pensado na diferença dos sexos e muito menos olhado para uma mulher com mais atenção do que para qualquer outra criatura, eu, cuja inocência era por todos admirada, encontrei-me de repente inflamado até o arrebatamento." "(...) não tenho forças para suportar provas tão vivas da tua afeição. Não estou acostumado a esses excessos de alegria. Meu Deus! nada mais vos peço: estou certo de possuir o coração de Manon; encontrei nele os afetos que desejava para ser feliz; não posso agora deixar de o ser; eis a minha felicidade realizada." O livro é fininho, mas me arrebatou de tal modo que não tive forças para terminá-lo em um único dia. A leitura não é arrastada de modo algum, só que há tantas reviravoltas na história, que chega a cansar um pouco. A escrita não chega a ser de difícil compreensão, pelo contrário, achei até mais fácil do que Dom Casmurro. De acordo com o que está escrito na contra-capa, essa história inspirou diversas artes, sendo elas: óperas, filmes e séries televisivas (ainda não os vi) e provavelmente outras obras além de Dom Casmurro. Recomendo a leitura principalmente às pessoas mais sensíveis que acreditam realmente no amor.
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