Anedotas do Destino -

    Karen Blixen

    SESI-SP
    2018
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 8550402974
    Português Brasileiro

    Karen Blixen conduz seus personagens quase como se fosse a hábil condutora de marionetes que, de repente, adquirem vida própria e lhe fogem do controle, um pouco, talvez, como Deus e suas criaturas. Mas fica nelas uma bússola. [.] Se a legenda viva de nobre europeia, que viveu na África dezessete anos, numa fazenda de café do Quênia, e que de certo modo se tornou black under the skin, lhe dá, por um lado, uma notoriedade fácil, por outro, erode-lhe as virtualidades propriamente literárias. Sucintamente, pode-se dizer que chegou à literatura pela porta dos fundos, quando abandonou a África e retornou à Europa contra sua vontade, por motivo de falência econômica. Foi esse evento o acontecimento central de sua vida e uma espécie de divisor de águas, que a fez ingressar na literatura. Outro tivesse sido o resultado econômico de sua aventura agrícola e talvez se tivesse perdido uma das maiores escritoras do século XX.

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    Evelyn Ruani13/03/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu gosto muito de livros de contos e acredito que seja uma forma bastante interessante de conhecer a narrativa de um autor. Foi exatamente o que me aconteceu com K. Blixen, esse foi meu primeiro contato com a autora e acredito que ter começado pelos contos tenha sido um ponto super positivo! Já quero ler mais da autora. Anedotas do destino, o último livro da autora dinamarquesa e publicado pela primeira vez em 1958, nos apresenta cinco contos cheios de vida, dentre eles "A festa de Babette", seu conto mais conhecido e adaptado para o cinema. Já tinha ouvido falar demais dessa história e foi uma delícia conhecê-la. Blixen navega na tradição das narrativas populares, trazendo pra escrita a mágica da oralidade, algo que nos aproxima demais das histórias. Talvez esse talento para a contação tenha surgido dos dezessete anos em que viveu na África, numa fazenda de café no Quênia. Seus personagens saltam das páginas e criam vida própria, ainda que conduzidos belamente pela autora o tempo todo. Seus contos são pequenos livros, divididos por capítulos que nos envolvem. Dentre seus contos, os que mais me chamaram a atenção foram: "A festa de Babette" que é tão encantador quanto imaginava e traz uma reflexão muito bonita a cerca da importância que devemos dar àquilo que realmente amamos fazer; "A Tempestade", onde um grupo de teatro com personagens super interessantes monta e interpreta essa peça de Shakespeare que é uma das que ainda não li, mas morro de vontade, e "A história Imortal" onde um senhor avarento inconformado em descobrir que algumas histórias contadas são apenas ficção e indignado por ter acreditado que uma delas era realmente verdadeira, decide que vai torná-la real. Os contos trafegam entre muitas culturas que viagem da Noruega até a China em atmosferas enigmáticas e envolventes. Adorei conhecer a narrativa da autora e já estou ansiosa para ler mais... Recomendo a leitura!

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