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    Peter Pan e Wendy -

    J. M. Barrie

    Companhia das Letrinhas
    1999
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788574060521
    Português Brasileiro
    4.2
    817 avaliações
    Leram1283Lendo88Querem666Relendo3Abandonos29Resenhas69
    Favoritos97Desejados666Avaliaram817

    Apresentado aqui em versão integral, Peter Pan e Wendy é um dos grandes clássicos da infância. A história circula no Brasil sobretudo como desenho animado ou em edições simplificadas. O encanto não se perde, é verdade, mas é preciso conhecer o texto de J. M. Barrie para testemunhar a alta qualidade literária da obra. A figura de Peter Pan é o melhor exemplo da densidade psicológica surpreendente que o autor infunde a seus personagens. Peter, como se sabe, é o menino que se recusa a crescer. Tudo o que deseja na vida é ser exatamente o que já é: criança. Outra característica sua é que ele esquece as coisas. Está sempre se metendo em mil aventuras e no minuto seguinte já não se lembra delas. É tão desmemoriado que chega a esquecer quem é Wendy. De Sininho, então, nem se fala. A falta de memória ajuda Peter Pan a não crescer. Se ele não se lembra do que já viveu, fica com a impressão de que mesmo as coisas repetidas estão acontecendo pela primeira vez. É por isso que às vezes as alegrias e as tristezas dele são tão fortes. É o que acontece, por exemplo, numa de suas lutas contra o Capitão Gancho. A certa altura ele vê que pode vencer facilmente, mas, percebendo que o inimigo está num plano mais baixo, estende-lhe a mão e o ajuda a subir. Qual a reação de Gancho? Dá uma mordida em Peter Pan. Peter se espanta, se horroriza, fica sem ação. Não pela dor, mas pela deslealdade, pela injustiça. "Toda criança reage dessa forma na primeira vez em que recebe um tratamento injusto", escreve o narrador. "Tudo o que ela se acha no direito de encontrar quando se aproxima de alguém é justiça. Poderá amar de novo uma pessoa que foi injusta com ela, porém nunca mais será a mesma criança. Ninguém se recupera da primeira injustiça - ninguém exceto Peter. Ele muitas vezes a encontrou, mas sempre a esqueceu. Acho que isso era o que verdadeiramente o diferenciava do resto do mundo". Peter Pan pode ser espertíssimo ao combater piratas, mas tem um coração ingênuo. Tudo para ele tem a intensidade de uma primeira vez. Ele é mesmo uma criança, e, sendo criança, está sempre descobrindo que o mundo é uma novidade.

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    Ana Rodrigues picture
    Ana Rodrigues03/08/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Peter Pan e eu

    Meu primeiro contato com Peter Pan não foi através do filme de Disney - como talvez aconteça com a maioria das crianças - mas, sim, pelas mãos da Dona Benta, de Monteiro Lobato. A versão de Lobato, apesar de não ser totalmente fiel ao original, se aproxima muito mais do que a de Disney. Talvez por isso, o livro tenha deixado um gosto ruim na memória da menina de 9 anos que eu era na época. Hoje eu sei que, sem querer, acabei percebendo algo mais do que a superficial história infantil. Para mim, durante muitos anos, Peter Pan, os meninos perdidos e a Terra do Nunca tinham um quê de mórbido. Peter Pan e Wendy - J. M. Barrie (texto integral). Ilustrações de Michael Foreman. Tradução: Hildegard Feist. Editora: Companhia das Letrinhas.Somente em 2002, meu interesse por Peter Pan foi novamente despertado. Primeiro, uma recomendação de Luiz Antônio Aguiar, um professor que eu respeito e um escritor que admiro. Logo depois, li dois livros da Ana Maria Machado que falavam de Peter Pan: "Texturas " e "Como e Por Que Ler os Clássicos Universais desde cedo". Lendo esses livros eu comecei a descobrir o que havia por trás de Peter Pan e a entender o meu incomodo. No final do ano passado (2003), resolvi ler a tradução do texto original feita por Hildegard Feist. Bem, lido o livro, devo dizer que meu incômodo da infância foi explicado: para mim, Peter Pan e os meninos perdidos são o símbolo de crianças abandonadas, não desejadas pelos pais. Tenho certeza que esta é uma versão (radical, talvez) dentre as muitas que o livro pode suscitar. Fundamentei-a na história do autor (o irmão morto na infância e os pequenos amigos de quem era tutor, já adulto) mas, principalmente, na sensação de melancolia e de impalpável que o personagem de Peter Pan me transmite. Saindo agora de quem é ou não Peter, me dedico a uma elegia a J. M. Barrie. Há muito não me deparava com um autor tão brilhante! Ele navega com total segurança ao longo do texto, inserindo recursos narrativos deliciosamente criativos e usando a interferência do narrador com maestria. Além disso, cria uma história maravilhosa, que pode ser lida em camadas que vão desde o mais superficial conto infantil até um drama psicológico de dimensões trágicas. Barrie consegue um admirável equilíbrio entre o denso, o irônico e o lúdico. Para mim, é uma aula de boa literatura. Mas é também um texto que exige fôlego do leitor que se propõe a ir fundo, pois cansa a alma. Na sua parte mais densa, Peter Pan é um texto difícil que deixa muitas perguntas sem resposta. E essas dúvidas fazem o leitor sofrer: Quem é Peter Pan e por que ele esquece? Quem é o capitão Gancho e por que o autor de forma não tão velada o admira? Wendy é feliz? Pessoalmente, devo dizer que apenas uma coisa mudou desde a primeira vez que li Peter Pan, aos 9 anos de idade: hoje, posso dizer que é uma grande obra. Mas o livro ainda me incomoda, ainda me entristece, ainda me faz sofrer. Se, quando criança, a história trazia embutido o medo de não ser desejada por meus pais como Peter e a ansiosa vontade de ser adulta de Wendy; hoje, aos 36, traz a tristeza que sinto, como mãe, de ver um menino carente, abandonado, precisando se refugiar na arrogância para não desmoronar e, também, a melancolia de uma Wendy que ainda acha que ser adulto é melhor do que ser criança, mas que hoje sabe, que toda escolha implica em perdas.

    24 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 817
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    James Matthew Barrie profile picture

    James Matthew Barrie

    O pai do autor, David Barrie, era um fiandeiro e sua mãe, Margaret Ogilvy, a filha de um pedreiro. O casal teve dez filhos e Barrie foi o nono. Jamie, como era chamado, ouvia histórias de piratas contadas por sua mãe que lia para seus filhos as aventuras de R. L. Stevenson. Quando Barrie tinha sete anos, seu irmão David morreu em um acidente de patinação. David fora o filho preferido e sua mãe caiu em depressão. Barrie tentou conseguir sua afeição vestindo-se com as roupas do irmão falecido. A relação obsessiva que surgiu entre mãe e filho marcaria sua vida. Depois da morte da mãe, Barrie publicou, em 1896, uma biografia em sua memória. Aos 13 anos, Barrie saiu de sua casa no vilarejo. Na escola, interessou-se por teatro e devorou obras de autores tais como Julio Verne, Mayne Reid e James Fenimore Cooper. Barrie estudou na Dumfries Academy e na Universidade de Edimburgo. Depois de trabalhar como jornalista para o Nottingham Journal, mudou-se para Londres em 1885, de bolsos vazios, como escritor independente. Vendia seus trabalhos, a maioria humorísticos, para revistas de moda, como The Pall Mall Gazett. Em seu romance de mistério Better Dead (1888), Barrie satiriza pessoas conhecidas. Com seus amigos Jerome K. Jerome, Arthur Conan Doyle, P.G. Wodehouse e outros fundou um clube de cricket chamado Allahakbarries. Doyle era o único membro que realmente conseguia jogar cricket. Em 1888 ganhou fama com Auld Licht Idylls, um retrato da vida escocesa. A crítica elogiou sua originalidade. Seu melodrama The Little Minister (1891) se tornou um imenso sucesso e foi filmado posteriormente por três vezes. Depois disso, Barrie passou a escrever para o teatro. Em 1894 casou-se com Mary Ansell, que havia aparecido em sua peça, Walker, London. Segundo a biografia escrita por Janet Dunbar(1970), Barrie era impotente. The Little Minister foi uma produção de palco muito popular tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, onde Barrie começa sua colaboração com o empresário Charles Frohman e sua estrela Maude Adams. Duas das melhores peças de Barrie, Quality Street, sobre duas irmãs que abriram uma escola para “crianças refinadas”, e The Admirable Crichton, na qual um mordomo salva uma família após um naufrágio, foram produzidas em Londres em 1902 e posteriormente filmadas.

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    Forfarshire, Escócia

    James Matthew Barrie