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    Peter e Wendy -

    J. M. Barrie

    Cosac Naify
    2012
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788540502581
    Português Brasileiro
    4.2
    817 avaliações
    Leram1283Lendo88Querem666Relendo3Abandonos29Resenhas69
    Favoritos32Desejados666Avaliaram817

    A história do menino que não queria crescer faz parte do imaginário de diferentes gerações de leitores. É com entusiasmo que a editora Cosac Naify coloca nas prateleiras uma edição excepcional da versão original do romance do escritor escocês J. M. Barrie, com tradução integral de Sergio Flaksman, ilustrações do artista plástico Guto Lacaz, posfácio inédito no Brasil do especialista em clássicos e fábulas Jack Zipes e quarta capa assinada pela atriz Denise Fraga. Peter e Wendy é a história do menino Peter Pan (cujo nome é inspirado em Pan, o mítico deus grego conhecido por suas farras), que se recusa a crescer, e suas aventuras com os irmãos Darling pela Terra do Nunca, "a segunda à direita, e depois sempre em frente até o amanhecer".

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    Ana Rodrigues picture
    Ana Rodrigues03/08/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Peter Pan e eu

    Meu primeiro contato com Peter Pan não foi através do filme de Disney - como talvez aconteça com a maioria das crianças - mas, sim, pelas mãos da Dona Benta, de Monteiro Lobato. A versão de Lobato, apesar de não ser totalmente fiel ao original, se aproxima muito mais do que a de Disney. Talvez por isso, o livro tenha deixado um gosto ruim na memória da menina de 9 anos que eu era na época. Hoje eu sei que, sem querer, acabei percebendo algo mais do que a superficial história infantil. Para mim, durante muitos anos, Peter Pan, os meninos perdidos e a Terra do Nunca tinham um quê de mórbido. Peter Pan e Wendy - J. M. Barrie (texto integral). Ilustrações de Michael Foreman. Tradução: Hildegard Feist. Editora: Companhia das Letrinhas.Somente em 2002, meu interesse por Peter Pan foi novamente despertado. Primeiro, uma recomendação de Luiz Antônio Aguiar, um professor que eu respeito e um escritor que admiro. Logo depois, li dois livros da Ana Maria Machado que falavam de Peter Pan: "Texturas " e "Como e Por Que Ler os Clássicos Universais desde cedo". Lendo esses livros eu comecei a descobrir o que havia por trás de Peter Pan e a entender o meu incomodo. No final do ano passado (2003), resolvi ler a tradução do texto original feita por Hildegard Feist. Bem, lido o livro, devo dizer que meu incômodo da infância foi explicado: para mim, Peter Pan e os meninos perdidos são o símbolo de crianças abandonadas, não desejadas pelos pais. Tenho certeza que esta é uma versão (radical, talvez) dentre as muitas que o livro pode suscitar. Fundamentei-a na história do autor (o irmão morto na infância e os pequenos amigos de quem era tutor, já adulto) mas, principalmente, na sensação de melancolia e de impalpável que o personagem de Peter Pan me transmite. Saindo agora de quem é ou não Peter, me dedico a uma elegia a J. M. Barrie. Há muito não me deparava com um autor tão brilhante! Ele navega com total segurança ao longo do texto, inserindo recursos narrativos deliciosamente criativos e usando a interferência do narrador com maestria. Além disso, cria uma história maravilhosa, que pode ser lida em camadas que vão desde o mais superficial conto infantil até um drama psicológico de dimensões trágicas. Barrie consegue um admirável equilíbrio entre o denso, o irônico e o lúdico. Para mim, é uma aula de boa literatura. Mas é também um texto que exige fôlego do leitor que se propõe a ir fundo, pois cansa a alma. Na sua parte mais densa, Peter Pan é um texto difícil que deixa muitas perguntas sem resposta. E essas dúvidas fazem o leitor sofrer: Quem é Peter Pan e por que ele esquece? Quem é o capitão Gancho e por que o autor de forma não tão velada o admira? Wendy é feliz? Pessoalmente, devo dizer que apenas uma coisa mudou desde a primeira vez que li Peter Pan, aos 9 anos de idade: hoje, posso dizer que é uma grande obra. Mas o livro ainda me incomoda, ainda me entristece, ainda me faz sofrer. Se, quando criança, a história trazia embutido o medo de não ser desejada por meus pais como Peter e a ansiosa vontade de ser adulta de Wendy; hoje, aos 36, traz a tristeza que sinto, como mãe, de ver um menino carente, abandonado, precisando se refugiar na arrogância para não desmoronar e, também, a melancolia de uma Wendy que ainda acha que ser adulto é melhor do que ser criança, mas que hoje sabe, que toda escolha implica em perdas.

    24 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 817
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
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    J. M. Barrie

    James Matthew Barrie nasceu em Kirriemuir, na Escócia, em 1860, o nono entre os dez filhos do casal David e Margaret. Aos sete anos sofreu um trauma muito forte com a morte do seu irmão David e a decorrente depressão da mãe. Quando completou treze anos, foi estudar na Glasgow Academy e, posteriormente, na Dumfries Academy, onde entrou em contato com os clássicos da literatura, antes de ingressar na Universidade de Edimburgo. Durante o período universitário, tornou-se crítico de teatro e passou a fazer parte de um grupo de debates, experiência que o ajudou a superar a timidez. Graduou-se em 1882 e três anos depois, após um breve período escrevendo para o Nottingham Journal, mudou-se para Londres, onde passou a publicar artigos e contos, sempre carregados de humor. O reconhecimento veio com Auld Licht Idyllis (1888), uma coletânea de esquetes sobre a Escócia rural no início do século XIX. Seu primeiro romance, The Little Minister (1891), foi bem acolhido pela crítica e pelo público, assim como sua adaptação para os palcos em 1897. Em 1894 casou-se com a atriz Mary Ansell, que atuara em uma de suas peças. Eles se divorciaram em 1909, após o caso de Mary com o dramaturgo Gilbert Cannan vir à tona. Mesmo durante o casamento, Barrie manteve uma relação próxima com Sylvia Llewellyn Davies, cujos cinco filhos lhe serviriam de fonte de inspiração. (Depois da morte de Sylvia, o “Tio Jim” se tornaria o tutor das crianças.) No ano de 1896, Barrie produziu dois trabalhos importantes: Margaret Ogilvy, a biografia de sua mãe, e Sentimental Tommy, um romance que, assim como o seguinte, Tommy and Grizel (1900), antecipou o seu mais famoso personagem, Peter Pan. O menino que não queria crescer apareceu também em alguns capítulos do romance The Little White Bird (1902). Já a peça Peter Pan, or The Boy Who Would Not Grow Up estreou em Londres em 27 de dezembro de 1904 e foi um sucesso imediato. Barrie posteriormente publicou o trecho de Little White Bird dedicado a Peter Pan em um volume intitulado Peter Pan em Kensington Gardens, em 1906, e depois transformou aquela peça num romance, Peter and Wendy, em 1911. Seus últimos trabalhos incluem as peças Dear Brutus (1917), Mary Rose (1920) e The Boy David (1936). J. M. Barrie, contemporâneo e amigo de Arthur Conan Doyle e H. G. Wells, morreu em decorrência de uma pneumonia em 1937.

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    J. M. Barrie