Antologia de contos de escritos tchecoslovacos traduzidos do espanhol por Ruth Laus. Prólogo de Jiří Hájek. São sete escritores contemporâneos ao momento de publicação do livro, alguns nascidos na atual República Tcheca e outros na atual Eslováquia: Dusan Kuzel, Ivan Vyskocil, Jaroslava Blazkova, Peter Karvas, Vladimir Vondra, Peter Balgha e Josef Nesvadba A data de publicação [1967] é apenas estimada, com base nas informações internas do livro.
Antologia de Contos Tchecoslovacos -
não informado
Como mergulhei fundo no gênero dos contos, acabei resgatando textos de literaturas ainda muito desconhecidas aqui no Brasil. É o caso das literaturas tcheca e eslovaca, dois países de histórias bem distintas, mas que, durante a maior parte do século XX, formaram um único país. A “Antologia de Contos Tchecoslovacos” é um livro raríssimo publicado no Brasil pela Editora Leitura por volta de 1967. São apenas sete escritores e todos do século XX. É significativo que, entre esses escritores, não estejam os dois que hoje mais são conhecidos no resto do mundo como “escritores tchecos”, isto é, o Kafka (que é visto bem mais como literatura alemã) e o Kundera. Não há Kafka nem Kundera nesse livro. O que há então? Bem, sete escritores de que eu nunca havia ouvido falar: Dusan Kuzel, Ivan Vyskocil, Jaroslava Blazkova, Peter Karvas, Vladimir Vondra, Peter Balgha e Josef Nesvadba. São escritores contemporâneos ao momento de publicação do livro, alguns ainda muito jovens. Esperei encontrar pelo menos uma boa surpresa no meio desse livro, um escritor que eu dissesse “esse sim, você deveriam ir atrás dele”, mas não achei. O livro não é dos mais fáceis. O conto de Ivan Vyskocil tem um quê de absurdo que faz lembrar do Kafka. O de Vladimir Vondra flerta com o fantástico, pois uma estátua ganha vida. O de Peter Balgha talvez seja o que mais me agradou, sobre um homem que, abaixado no meio da calçada, observava o movimento de uma legião de formigas. Mas também apreciei um pouco o de Peter Karvas, que trata de um pai que se viu obrigado a levar o filho, ainda criança, à polícia por conta de uma molecagem. O livro termina com um conto de ficção científica de Josef Nesvadba, que tem lá os seus momentos interessantes, como tudo o que se refere ao futuro da humanidade, mas que eu achei um tanto ingênuo. E há ainda outros contos que eu não achei muito fáceis. De toda forma, fiquei contente em conhecer um pouco mais a respeito da literatura feita por esses países no século XX. Faz falta algo como um livro chamado “Maravilhas do Conto Tcheco”, uma antologia que pegasse toda a história do país, e não apenas o século XX. Aí poderia até entrar o Kafka, apesar de tudo. E entraria nomes como o Jan Neruda, que poucos sabem, mas é o Neruda verdadeiro (o Pablo apenas se inspirou no Jan, o que já é um bom indicativo dos méritos literários que ele deve ter). Mas acho difícil sair alguma obra como essa.
Estatísticas
Avaliações
3 / 1- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas100%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%


