Revista Veja Nº 2672 (Ano 53 - 05 de Fevereiro de 2020) - O vírus do medo

    não informado

    Abril
    2020
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Na reportagem de capa: Coronavírus: como o mundo se prepara para combater uma nova epidemia As perspectivas de controle e prevenção de doenças hoje estão anos-luz à frente da reação diante das mais mortíferas pestes da era contemporânea

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    R .12/02/2020Resenhou um livro
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    A abordagem sobre o coronavírus trouxe paralelo entre o alarme mundial despertado e as medidas em combate. Aspectos de foco importante, pois a questão alarmista, quando isolada e tratada com desinformações, remete a quadro similar ao de epidemias medievais, com muito medo desencadeado, desconhecendo-se outros fatores importantes. Estes últimos foram ressaltados em ações, projetos e medidas em combate, na exposição importante e necessária para brecar o avanço da epidemia. Estamos em contexto diferenciado dos idos antigos no trato com as doenças e, tão importante quanto conhecer a questão alarmista é também a parte combativa. Sobre a questão alarmista, o texto trouxe peculiaridades do vírus, como: pertencer a cepa viral da pneumonia; a transmissibilidade alta e fácil através de secreções respiratórias de pessoa para pessoa; os sintomas frequentes (febre alta, tosse e falta de ar), além de possível evolução para complicações respiratórias e renais; o período de manifestação para a doença ser geralmente em duas semanas; a descoberta de que pessoas assintomáticas transmitem do mesmo jeito (diferentemente de outras epidemias, como SARS e gripe espanhola, em que o contágio associa-se a manifestação dos sintomas); a identificação do epicentro viral (mercado de carnes na cidade chinesa de Wuhan); fatores predisponentes do contágio animal para o homem (consumo de animais exóticos ou através de suas secreções, em contexto desfavorável ao saneamento básico); entre outros. Até o fechamento da edição a OMS oficializou 170 mortes e cerca de 8 mil casos diagnosticados. Números que acredito já ultrapassados, com estimativa da própria OMS em mais de mil óbitos e acima de 40 mil contágios. A letalidade não tem sido alta como em outras epidemias (o SARS, por exemplo, em 2002 teve mortes muito acima do triplo da contagem atual). Segundo o texto, ainda não existe medicação específica conhecida e a virose, apesar de menos letal que outras, tende a provocar alta mortalidade por conta da velocidade de transmissão, especialmente nos grupos mais suscetíveis (crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e gestantes) Quadro alarmante, mais que não se resume nessas coisas, por isso curti a reportagem, pela atenção também à questão combativa que vem se desenvolvendo. O vírus foi sequenciado geneticamente (passo importante para possível vacina, havendo projeções para cerca de três meses); as medidas profiláticas são amplamente conhecidas (tratamento dos doentes, proteção contra as secreções com o uso de máscaras e álcool gel); os protocolos que as nações tem em reação combativa (incluindo o Brasil); e investimentos em saúde que tem sido prioritário nos locais da epidemia (impressionantes os dois hospitais que os chineses construíram em poucos dias, e também tecnologias que nem sabia, como sensor em aeroportos capaz de detectar pessoas que estejam com febre). Obviamente, contexto que tende a brecar o avanço, através da informação e ações conjuntas, como ocorreu em outros momentos. Só não podem deixar de coexistir, pois o quadro é grave. Vou deixar em registro também algo que a revista não teve acesso: ontem (11/02) a OMS definiu o nome da doença (COVID-19), sigla em inglês que coincide com as letras iniciais em português (CO de corona, VI de vírus, D de doença e 19 como marco da manifestação no ano passado). Relembrando outro informe da reportagem, o vírus corona tem essa nomeação por ter sido visualizado pelo estudiosos parecido com a coroa solar (dita corona). Um pouco mais de informação é sempre favorável. E como! Por essas e outras gostei da reportagem, que também foi basicamente o que conferi da revista.

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